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Nobelpriset i litteratur

Tendo sido anunciado o laureado deste ano, deixo as minhas considerações sobre os autores (e obras) que já tive oportunidade de ler - e aqueles cujos livros tenho aqui por casa, à espera da sua oportunidade.


1921 - Knut Hamsun
Este é dos que já li. Li apenas Hunger e Mistérios, cujas reviews podem ler seguindo os links. São ambos livros bastante diferentes mas muito bons, aproximando-se talvez um pouco da filosofia e partilhando imagens e sentimentos da Escandinávia; este prémio foi atribuído for his monumental work, Growth of the Soil, que é sem dúvida mais um a acrescentar à infindável lista de livros para ler um dia.

1925 - George Bernard Shaw
Muito antes de ter este blog li Pygmalion, obra que deu origem ao conhecido filme (e peça) My Fair Lady. Tenho uma edição da Europa-América com a Audrey Hepburn na capa que é possivelmente o único livro editado por eles que possuo do qual gosto: é uma edição bilingue, o que facilita a leitura das palavras de Eliza Doolittle.

1930 - Sinclair Lewis
O Main Street, também lido antes de ter dado início a este blog, saltou imediatamente para a minha lista de favoritos. Os dramas de Carol Milford, uma jovem com estudos e ambições que, devido ao seu casamento, é "obrigada" a tornar-se numa dona de casa na small town America são ao mesmo tempo asfixiantes e intemporais, e as suas tentativas de escape, de responder de alguma maneira às suas ambições, são fáceis de sentir por qualquer um. Por que é que uma mulher não pode pensar para lá da rua principal da vila, ter ideias inovadoras? Qual Jane Eyre, qual quê. Na estante, ainda por ler, tenho Babbit.

It has not yet been recorded that any human being has gained a very large or permanent contentment from meditation upon the fact that he is better off than others.

1946 - Hermann Hesse
Li o famoso Siddhartha e Steppenwolf, e são livros tão opostos que é estranho pensar que são do mesmo autor. Em Siddhartha, encontrei pouco mais que espiritualismo bacoco e uma certa hipocrisia, para minha tristeza e desilusão; Steppenwolf é uma viagem ao bizarro, aliada a uma escrita muito seca sob uma temática fascinante: um homem que decide cometer suicídio quando fizer 50 anos.

1947 - André Gide
Li La Porte Étroite duas vezes, uma delas em francês e cuja review podem encontrar aqui. É um dos meus livros preferidos, um que menciono e recomendo sempre. É uma compreensão enorme e profunda do que é ser humano, da religião, da negação da felicidade: um livro de uma beleza transcendente. É a única obra do autor que li até hoje, o que é uma lacuna enorme de minha parte. A ler, reler, reler.

- Mon ami! commença-t-elle, et sans tourner vers moi son regard - je me sens plus heureuse auprès de toi que je n’aurais cru qu’on pût l’être… mais crois-moi: nous ne sommes pas nés pour le bonheur.

1949 - William Faulkner
Autor de quem também só li uma obra, The Sound and the Fury, antes da existência do blog tal como várias outras obras. Livro de uma beleza enorme, tal como La Porte Étroite, e também um favorito. Sobre a decadência de uma família no Sul dos Estados Unidos no início do século XX, não é um livro de leitura fácil, pela sua estrutura e narradores; porém, emocionalmente, é daqueles livros que me fez sentir como se tivesse sido atropelada por um camião.

Once a bitch always a bitch, what I say.

1954 - Ernest Hemingway
Desta lista, é possivelmente o autor de quem li mais. Aquela que é possivelmente a sua obra mais conhecida é mencionada na atribuição do prémio: for his mastery of the art of narrative, most recently demonstrated in The Old Man and the Sea. Foi exactamente por esse livro que comecei a minha aventura por Hemingway, mas não é aquele que destaco. Fiesta: The Sun also Rises e A Farewell to Arms são os meus favoritos do autor e dos meus favoritos de sempre. Destaco também A Moveable Feast, um conjunto de histórias pessoais passadas em Paris com o resto da Lost Generation.

1957 - Albert Camus
Irei sempre associar The Outsider (L'Étranger, no original que um dia lerei) a aulas de Sistemas Financeiros e peço publicamente desculpa ao meu professor por isso. Com uma das primeiras frases mais conhecidas de sempre, não é dos meus livros preferidos, mas é indubitavelmente marcante na minha vida, dando muito que pensar. Li também L'Eté, uma pequena compilação de textos, que foi o primeiro livro que li em francês.

I may not have been sure about what really did interest me, but I was absolutely sure about what didn't.

1958 - Boris Pasternak
Quando li Doutor Jivago, também antes do início deste blog (esta lista começa a parecer mais algo como "livros que li antes de começar o blog", bem sei), fiquei desiludida. Não sei porquê, pois nunca tinha visto o filme, mas esperava mais. Na altura, guardei a seguinte frase para me lembrar sempre do porquê de não estar a gostar do livro:

Mantém-me constantemente submissa aos teus desígnios, lembra-te que sou tua escrava, que te amo e que não raciocino. Romance demasiado dramático para o meu género, no fundo.

1962 - John Steinbeck
Confesso ainda só ter lido as obras mais curtas de Steinbeck, como Of Mice and Men e Cannery Row - mas tenho ali na estante East of Eden e The Grapes of Wrath. Se alguma vez houve alguém com maior dom para perceber a condição humana que Steinbeck, apontem-me nessa direcção. To a God Unknown é mais uma obra que li antes deste blog existir, e sendo um dos menos conhecidos do autor, recomendo.

Because I was thinking it at that moment - and there are times when the people and the hills and the earth, all, everything except the stars, are one, and the love of them all is strong like a sadness.

1969 - Samuel Beckett
Ainda não tendo lido nada de Beckett, tenho uma enorme curiosidade acerca do autor, não só pelas peças mas também pelos contos, de que tenho na estante uma colectânea por ler.

1970 - Aleksandr Solzhenitsyn
One Day in the Life of Ivan Denisovich é um dos livros mais difíceis que já li, não pela linguagem mas pelo conteúdo. Retrata, como o título indica, um dia na vida de um homem, encontrando-se esse homem num campo de trabalhos forçados da União Soviética. Como este livro foi publicado, passando a censura, é uma questão que ainda me intriga.

1971 - Pablo Neruda
Li Neruda pela primeira vez já este ano. Talvez demasiado romântico para o meu gosto, mas saliento o que foi dito aquando da atribuição do prémio, que acho lindíssimo: for a poetry that with the action of an elemental force brings alive a continent's destiny and dreams.

1976 - Saul Bellow
Também lido pela primeira vez recentemente. Humboldt's Gift é um legado que fica com o leitor: tal como ficamos todos, irremediavelmente, na vida daqueles com quem nos cruzámos. É um livro repleto de significado, da angústia de viver na sociedade norte-americana que nos é imposta.

The same things are done by us, over and over, with terrible predictability. One may be forgiven, in view of this, for wishing at least to associate with beauty.

1982 - Gabriel García Márquez
Algumas das minhas memórias mais bonitas envolvem ler Cem Anos de Solidão na praia. Gabriel García Márquez possuía um modo de contar histórias magnífico, com o dom de misturar o fantástico, a mitologia colombiana, com o quotidiano. Dele, li também Crónica de uma Morte Anunciada, que me parece ser uma óptima introdução à obra do autor.

1983 - William Golding
Enquanto reconheço o valor da obra Lord of the Flies, é no comentário deste vídeo do YouTube que revejo a minha opinião sobre o mesmo:

It started out as Hogwarts, now it's Lord of the Flies
I hated that book

Ok, ódio é forte - mas é uma seca desgraçada.

1994 - Kenzaburō Ōe
Li Uma Questão Pessoal há algum tempo e achei a situação do livro algo desprezível; tendo percebido posteriormente que era baseado na vida real do autor, não fiquei com a melhor das impressões.

1998 - José Saramago
Li O Memorial do Convento na escola, o que já foi há um bom tempo, e poucas vezes me custou tanto ler um livro. Respeito, mas fiquei longe de apreciar e confesso que não tenho interesse na restante obra do autor.

2003 - J. M. Coetzee
Tenho Desgraça ali na prateleira por ler, parte de uma colecção da revista Sábado. Aliás, é aqui, nos anos 2000, que começam os laureados cujos livros tenho mas ainda não li. Aceito sugestões.

2007 - Doris Lessing
O Golden Notebook está na estante há alguns anos, e é um dos livros para os quais fico sempre a olhar quando chega a altura de escolher a próxima leitura. Laureada por ser that epicist of the female experience, who with scepticism, fire and visionary power has subjected a divided civilisation to scrutiny.

2010 - Mario Vargas Llosa
Sei que o autor esteve cá recentemente, mas não o fui ver; na estante, da mesma colecção da Sábado, Tia Julia e o Escrevedor. Tenho muita curiosidade quanto a muitos dos livros do autor, mas primeiro, o que tenho por ler.

2013 - Alice Munro
Alice Munro é um nome que, antes de 2013, não me dizia absolutamente nada, mas que após alguma pesquisa me fascinou. Os dois livros que tenho da autora estão na estante há muito pouco tempo: Runaway e Hateship, Friendship, Courtship, Loveship, Marriage.

2016 - Bob Dylan
Nunca li nada do Bob Dylan, mas já vi o Bob Dylan ao vivo. E sim, há coisas do Bob Dylan para ler fora dos livretes dos CDs: assim de repente, uma autobiografia, intitulada Chronicles, Vol. 1 e um livro de ficção, Tarantula, publicado em 1966. No entanto, o prémio foi-lhe atribuído for having created new poetic expressions within the great American song tradition e confesso que isso me confunde muito. Compreendo que letras de músicas sejam poemas - mas a sério, o Bob Dylan? É verdade que as letras dele são boas (na minha opinião, muito melhores que a sua voz) - que as palavras, o texto são mais importantes que a forma em que são apresentados - há várias formas legítimas de literatura - mas não deixo de achar bizarro.

She opened up a book of poems
And handed it to me
Written by an Italian poet
From the thirteenth century
And every one of them words rang true
And glowed like burnin’ coal
Pourin’ off of every page
Like it was written in my soul from me to you
Tangled up in blue

Acrescento também que Dario Fo, laureado de 1997, faleceu hoje. Na lista de livros que quero, um dia, ler, encontra-se Morte accidentale di un anarchico. Um dia, espero.

Comentários

  1. Estou muito curioso com Dario Fo, nunca li nada dele!
    Excelente post Ba :D

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  2. Vendo esta tua lista confirmo o que já sabia, que li tão pouco ainda!
    Knut Hamsun é épico no entanto :p
    André Gide não nos deixa indiferente e o Steinbeck tem personagens que fazem rir xD no bom sentido
    Mas isto vindo de uma pessoa que só leu uma obra de cada um desses autores

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    1. Como já te disse ontem, se calhar o Cannery Row não é o mais representativo do Steinbeck, mas tendo em conta o livro em si concordo :p meu leitor :$

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  3. Já li alguns desses autores, outros ainda quero ler. A fundo, só mesmo Saramago. Curiosamente, estou a ler o Siddhartha.

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    1. O que li mais foi sem dúvida o Hemingway; outros, quero aprofundar. Que tal o Siddhartha?

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