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Mensagens

A mostrar mensagens de 2018

Os Livros Que Devoraram O Meu Pai

Comecei a ler Afonso Cruz por um dos seus livros juvenis.


Há anos que ouço falar/me recomendam que leia este autor, e, sem ser o conto do Expresso, nunca tinha lido mais nada. O conto do Expresso deixou-me reticente, e confesso que este livro ainda deixou mais. Vi, no entanto, pela opinião da Rita, que este está muito aquém de outros, mais recentes... a ver se lhe darei uma nova oportunidade.
Este livro tem como protagonista Elias Bonfim, um rapaz que nunca conheceu o seu pai, Vivaldo, porque este se perdeu num livro.
Quando faz 12 anos, a sua avó apresenta-o ao sótão onde o seu pai guardava todos os seus livros. A partir daí, Elias começa a ler avidamente, na esperança de encontrar o seu pai, começando pel'A Ilha do Doutor Moreau, onde o seu pai se perdera, mas lendo também a obra de RL Stevenson (menos O Clube dos Suicidas, que é mencionado com algum pretensiosismo), Inferno, Crime e Castigo e Fahrenheit 451. Esta parte, em que ficção e "realidade" (a de Elias Bonfim, …

A Misteriosa Chama da Rainha Loana

Fiz-me sócia da biblioteca.

O que (finalmente) me motivou, além de uma mudança de emprego que favorece a boa relação com as bibliotecas municipais de Lisboa (para trabalhar quase a paredes-meias com uma), foi o facto de querer ler A Misteriosa Chama da Rainha Loana, livro que me fora imensamente recomendado e que estava, vira eu, esgotado (foi recentemente reeditado pela Gradiva). Tinha aqui a oportunidade de iniciar relações com as bibliotecas, portanto...

Há anos que queria ler Umberto Eco; tenho ali O Nome da Rosa na estante, mas tenho medo de o ler, porque consta que Eco é denso e porque me lembro de achar o filme denso quando tinha 15 anos. E sim, sei que isto não é justo. Este foi, portanto, o meu primeiro encontro com o autor.
Yambo (alcunha de Giambattista Bodoni), de 59 anos, é um alfarrabista especializado em incunábulos e outras raridades, que acorda de um "acidente" (ataque cardíaco ou algo semelhante) sem memória. Isto não é, aliás, totalmente verdade: ele não …

Tanta Gente, Mariana + As Palavras Poupadas

Alguém se lembra da primeira vez que li Maria Judite de Carvalho?


Tendo, na altura, começado precisamente pela colecção de contos Tanta Gente, Mariana, comecei esta obra por As Palavras Poupadas, pensando que talvez lesse apenas essa parte.

Tudo morre à noite, dizia Claude. Mas não, a vida é longa, desliza e escorre sem uma quebra. Uma sucessão de acontecimentos, uma corrente sem fim de palavras ditas e de palavras poupadas. Dessas principalmente. Tinha catorze anos nesse inverno e hoje tem trinta e quatro. Vinte anos em que nada morreu, nada, nem mesmo Claude, e em que pela manhã, ao acordar, tudo foi sempre dolorosamente igual ao que era ao adormecer. E ela ali está no mesmo sítio.
Claro que quando acabei o último conto da segunda colecção de contos, tornei à página 1 e reli aquela que é uma das minhas obras favoritas. A review que linkei acima, a minha, de 2015, e que versa apenas sobre o conto que dá título ao conjunto, não faz grande jus à obra; ainda assim, por esta vez, ficarei …

Um Útero é do Tamanho de um Punho

Livro para o qual estava super entusiasmada. Lembram-se?


Já aqui referi várias vezes a minha enorme dificuldade a ler e comentar poesia. Este post não será a excepção. Angélica Freitas escreve, para este volume, 35 poemas sobre mulheres, tentando definir mulheres, por vezes tentando-se definir a ela própria, no meio de uma visão cultural e identitária, crítica e humorística.
Ou seja, não é mais um livro sobre ser mulher, ou condição feminina; é um livro que pega na perspectiva. Pega nos assuntos mais banais, nos maiores clichés, de um novo ponto de vista, sem autodepreciação ou pena de si mesma por ser mulher.
queridos pai e mãe tô escrevendo da tailândia é um país fascinante tem até elefante e umas praias bem bacanas
mas tô aqui por outras coisas embora adore fazer turismo pai, lembra quando você dizia que eu parecia uma guria e a mãe pedia: deixem disso?
pois agora eu virei mulher me operei e virei mulher não precisa me aceitar não precisa nem me olhar mas agora eu sou mulher
--- mulher depois
É u…

Uma Aventura no Palácio das Janelas Verdes

Aquele guilty pleasure maravilhoso de ler o último lançamento de uma série favorita de infância.

Confesso que este livro me estava debaixo de olho desde que saiu, ainda no início do ano. O motivo é simples: mais do que por ser da colecção Uma Aventura, que acompanhei até talvez o nº40, por se passar naquele que é o meu museu favorito de Lisboa: o Museu Nacional de Arte Antiga. Fui resistindo ao livro, no entanto - até que, como já sabem, se deu a Festa do Livro de Belém.
Decidi aliar a leitura deste livro a uma nova visita ao MNAA, tendo-se tornado, assim, no museu que mais vezes visitei (antes estava empatado com o Louvre e com o d'Orsay, aos quais fui três vezes).  Aproveitei, assim, para rever algumas das peças que são mencionadas nesta obra. Lembro-me da primeira vez que visitei este museu, com 13 anos, na companhia da escola, e de aqui reconhecer a Custódia de Belém que, tal como as autoras referem no postfácio do livro, figura numa das aventuras anteriores, que eu lera em c…

Afirma Pereira

Afirma Pereira tê-lo conhecido num dia de Verão.


Tinha já curiosidade acerca deste livro há alguns anos, dado o seu contexto: 1938, Portugal salazarista, menções à Itália de Mussolini e ao regime franquista. Segunda Guerra Mundial ainda à porta. No entanto, confesso que foi a edição em novela gráfica da G.Floy que aumentou esta curiosidade, e, sabendo disto, o meu namorado decidiu trazer-me este livro como souvenir das suas férias no Algarve.
Introduza-se Pereira, um jornalista de meia idade, modesto, obeso, responsável pela página cultural de um jornal incipiente, chamado Lisboa, de índole católica. Para o suplemento de Sábado, traduz contos franceses, mas precisa de mais material. Simples, solitário, gostava da sua limonada, de comer uma omelete no Café Orquídea, perto do trabalho, de falar com o retrato da falecida esposa. Pereira está absolutamente longe de ser um revolucionário, um herói: é um homem comum.
Pereira tinha já perdido todos os seus sonhos; e está tão desconectado da …

Romance da Raposa

O meu segundo encontro com a obra de Aquilino Ribeiro, num tom muito distinto do primeiro.

Antes de mais, note-se a diferença entre o mero Romance da Raposa e a minha edição, que é uma adaptação da obra a novela gráfica, com ilustrações de Artur Correia. Esta foi uma compra deliberada, pela curiosidade acerca desta adaptação. Só mais tarde descobri que Artur Correia tinha já sido responsável, no final dos anos 80, por uma adaptação da obra a desenhos animados, que se encontra (pelo menos parcialmente, que ainda não explorei totalmente) no Youtube. Os desenhos animados foram também populares na Eslovénia.
Acredito, de qualquer modo, na fidelidade desta adaptação ao original - até porque li várias opiniões neste sentido.
Tendo lido, como linkei acima, Lápides Partidas, trata-se de um registo completamente diferente, mas a linguagem algo densa do autor mantém-se, não obstante o público infantil; este livro, aliás, foi escrito pelo autor para o seu filho, Aníbal, pelo Natal de 1924.
A pr…

2018 | Setembro

Setembro: mês de novos começos e enormes pecados no que respeita ao volume das estantes cá de casa.

Recebidos
Lembram-se da promoção maravilhosa da FFMS, segundo a qual se convidava um amigo e se recebia um livro? Eu recebi estes:
Rússia e Europa: uma parte do todo, de José Milhazes A porteira, a madame e outras histórias de portugueses em França, de Joana Carvalho Fernandes Portugal em ruínas, de Gastão Brito e Silva Cinema e história: aventuras narrativas, de João Lopes O Valor da Arte, de José Carlos Pereira Política Externa Portuguesa, de Tiago Moreira de Sá Portugal, um Perfil Histórico, de Pedro Calafate A Morte, de Maria Filomena Mónica

Entretanto, da Sextante veio uma novidade, inédita em Portugal: Krabat – O Moinho do Feiticeiro, livro juvenil do escritor alemão Otfried Preußler; e, da Guerra e Paz, Essa dama bate bué!, de Yara Monteiro, sobre a autodescoberta de uma jovem angolana.

Comprados
Aqui a coisa foi extremamente pecaminosa: além da Festa do Livro de Belém, da qual vo…

Dampyr: Aventuras em Portugal

Abordei este livro com curiosidade extrema.

Levei-o comigo nas minhas mini-férias, e foi na verdade o único em que peguei. O meu namorado fez a Colecção Bonelli inteira e, dos vários volumes, começou por me emprestar este (mas tenho curiosidade acerca de alguns outros!). A ideia de publicar duas histórias distintas que se passam em Portugal, por parte da Levoir/Público, é o tipo de coisa que costumo achar um bocadinho labrego - tipo as eternas notícias dos cães d'água portugueses do Obama -, mas aqui apreciei. Estava bem investigado, bem desenhado, fazia o seu sentido, e talvez as histórias tenham sido escolhidas para o público sentir uma maior proximidade.
Harlan Draka, a personagem principal, é Dampyr - um "dampiro", um ser que, segundo a mitologia balcânica, é fruto do cruzamento de um vampiro com uma humana (aparentemente, o contrário é raro). Estes seres têm fortes poderes, dado o seu sangue misto, e podem acabar com vampiros e outras forças do mal. Harlan Draka de…