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Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta #marçofeminino

Little Women & Good Wives

Com a companhia da Daniela e da Marta, dediquei-me finalmente à releitura de um clássico da minha infância.

Li As Mulherzinhas uma boa meia dúzia de vezes quando tinha 10, 11 anos. Na altura, relia muito - até os meus 17 anos reli muito. Há algum tempo tinha comprado esta edição, em inglês, com vontade de reler a obra, no seu original, em adulta, para ver o que poderia ter perdido.
Lembro-me que na altura gostava muito do livro (e cheguei a ver um anime de adaptação!), excepto duas coisas: a parte do Pilgrim's Progress e a parte do Clube Pickwick. É engraçado serem precisamente duas referências literárias que me tenham marcado como chatas na obra, ao longo de tantos anos: isto significa que nunca vou ler John Bunyan e que o Pickwick Papers está fora da minha lista de Dickens lidos e a ler. Possivelmente estou a perder bastante; sou capaz de ceder ao Dickens um dia.
Little Women tem uma história de publicação particularmente original: foi escrito por encomenda por uma editora. Loui…

Cartas Amorosas de uma Religiosa Portuguesa

Em preparação das Novas Cartas Portuguesas, li as Cartas Portuguesas originais.

Tinha este livro no meu imaginário há quase vinte anos: é mencionado num livro de Alice Vieira, creio que em Rosa, Minha Irmã Rosa, quando uma tia questiona a origem do nome da protagonista, Mariana, pois não conhece mais Mariana nenhuma, só a Alcoforado.
A minha mãe costuma contar que no dia em que lhe disseram que eu ia chamar-me Mariana, a tia Magda virou a cabeça e resmungou: - Mariana, só conheço a Alcoforado, e que eu saiba não era da nossa família. Porque a tia Magda acha que as crianças que nascem têm de ter sempre nomes de pessoas da família, e essa Mariana Alcoforado de que ela falava era uma freira que viveu em Beja há muitos anos, e ficou conhecida por ter escrito um livro que a mãe já me prometeu dar a ler quando eu for crescida.
Após a citação de Alice Vieira, Mariana Alcoforado dispensa talvez grandes apresentações: nasceu em 1640 e ingressou no Convento da Conceição com 11 anos, onde viria …

Sonnets from the Portuguese

O primeiro livro que li para o #MarçoFeminino - um livro que não tinha, de todo, planeado.

Era segunda-feira e, entre trocas de malas para o fim de semana, tinha-me esquecido do Moby Dick. Pior: ia ao médico depois do trabalho. O meu amor, enquanto pessoa incrível que é, emprestou-me este pequeno livro, do qual tinha gostado muito.
Comecemos, talvez, pelo título, que fez com que um colega de trabalho me questionasse por que motivo lia coisas sobre portugueses em inglês: Elizabeth Barrett Browning estava inicialmente hesitante quanto à publicação destes poemas, dado o seu cariz bastante pessoal; mas o seu marido, Robert Browning (também ele poeta), insistindo no seu valor literário, sugeriu-lhe que os publicasse na mesma, mas sob algum subterfúgio. Assim, Elizabeth publicou-os como se fossem traduções de sonetos estrangeiros. A razão por trás da escolha de "Portuguese" não é clara, mas estará algo entre a sua admiração por Camões, a alcunha carinhosa que o marido tinha para …

TAG | Março Feminino

Para acompanhar o #marçofeminino, a Sandra criou esta tag cheia de humor.

Gostaria de responder a esta tag só com livros escritos por mulheres, mas essa seria uma missão muitíssimo complicada. Fica para breve um post com recomendações de livros escritos por mulheres. Sim, não?

1. Aqueles dias do mês - Um livro que os homens nunca vão perceber. The Handmaid's Tale, de Margaret Atwood. Eu li este livro há vários anos, e não vi ainda a série (oops) - e acredito que homens possam apreciar o livro, mas nunca irão compreender a 100% o terror que pode estar associado à perda de direitos reprodutivos, direitos sobre o próprio corpo, à ideia de pertença subjacente em todo o livro.

2. Filha da mãe da depilação - Um livro que te arrepia só de pensar.
It Can't Happen Here, de Sinclair Lewis. Porque este livro é uma sátira política, e não uma distopia, e mesmo essa classificação faz com que pareça que pode, sim, acontecer aqui, ou em qualquer outro lugar do mundo.
3. Aquele batom vermelho q…

2018 | Fevereiro

Mais um mês, mais um resumo!


Recebidos
O meu namorado ofereceu-me a Oxford Illustrated History of Theatre, um livro que eu queria há anos. Estava em wishlist mesmo, não na minha infindável lista de livros que quero um dia ler mas hei de lá chegar. Sou absolutamente fascinada por teatro e leio (e assisto a) muito menos peças do que gostaria. Haveria interesse em ler um post de recomendação de peças, ou algo assim?
Da LeYa, veio o Grande Manual de Reparação e Manutenção de Bicicletas. Isto pode parecer estranho - particularmente para quem me conhece e sabe que eu não sei andar de bicicleta -, mas o meu namorado comprou, há alguns meses, a sua primeira bicicleta de estrada e, apesar de já ter feito um bike fit, ela ainda não está no ponto. A sinopse do livro convenceu-me:
«O manual indispensável para ter a sua bicicleta sempre em forma. Um guia repleto de informação especializada, que o ajudará a escolher a bicicleta dos seus sonhos e a otimizar a performance da mesma. - Indicações passo …

La mariée mise à nu

Leitura feita numa espécie de celebração tardia do Dia Mundial da Poesia.

Tendo visitado o blog a gun in the garland, onde Madalena de Castro Campos escreve poemas, fiquei com uma enorme curiosidade acerca desta obra, o seu segundo livro publicado (acabado de lançar, inclusive).
Não sou a melhor a escrever sobre poesia; já tentei, neste espaço, escrever sobre poemas de autores como Sylvia Plath, Pablo Neruda ou, mais recentemente, Florbela Espanca, e sinto que falho sempre em me expressar. Não é um género que leia com frequência, e, no fundo, é mais fácil escrever sobre uma narrativa mais longa - sobre prosa.
Os poemas de Madalena de Castro Campos não têm o romance de Neruda, nem a melancolia de Florbela. Não têm a beleza muitas vezes associada à poesia, mas provocam emoções fortes: são poemas crus, duros, cínicos, violentos, femininos e marcadamente sexuais, com imagens e palavras explícitos, roçando por vezes o vulgar.
Exploram, na sua maioria, o papel e o "lugar" da mulh…

The Pursuit of Love

No seguimento do meu fascínio pelas irmãs Mitford.

The Pursuit of Love é um livro curto que narra a infância, adolescência e vida adulta de Linda Radlett sob os olhos da sua prima, Fanny, maioritariamente no período entre guerras.
"Isn't it lovely to be lovely me?"

Fanny é filha da irmã ovelha-negra da família, que engravidou nova, abandonou a filha, e foi tendo marido após marido; é também melhor amiga da sua prima: e mais que melhora amiga, admira Linda, uma beldade numa família de pessoas bonitas, de pessoas fascinantes e excêntricas. Destaca-se claramente o tio Matthew, pai de Linda, que caça as crianças quando não tem animais, que aterroriza as empregadas, que, não tendo lido mais que um livro na vida, não aguentou a emoção ao ver encenado Romeu e Julieta.

It was not a success. He cried copiously, and went into a furious rage because it ended badly. "All the fault of that damned padre," he kept saying on the way home, still wiping his eyes. "That fella,…

PASSATEMPO | A Sibila

Alerta passatempo!

Começando pela parte gira: quase quatro anos depois da primeira publicação, este blog entrou no mundo das parcerias. A editora Babel enviou-me esta obra, pela qual eu tinha há anos uma enorme curiosidade, para leitura e resenha, juntamente com duas outras edições para que eu possa partilhar convosco. Para participar: Fazer like na página de Facebook da editoraFazer like na página de Facebook da autoraFazer like na minha página de FacebookDeixar aqui no blog um comentário do porquê de quererem ler esta obra. Ao que a editora escolhe um vencedor, eu escolho outro, envio os livros e ficamos todos com um grande clássico da literatura portuguesa na estante. O prazo para participar é 29 de Março (porque eu depois vou de férias).

Por falar em ter o livro na estante, relembro que a Revista Estante, da FNAC, nomeou A Sibila como um dos 12 melhores livros portugueses dos últimos 100 anos.
Agora, a minha experiência a ler o livro.

Agustina Bessa-Luís é possivelmente dos primei…