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A mostrar mensagens com a etiqueta #lerosnossos

Pensar. Sentir. Viver.

Abordei este livro com as menores expectativas do mundo.

Não desgosto de Judite Sousa, mas nunca esperei ou ambicionei exactamente ler um livro escrito por ela. Ganhei este num passatempo no grupo de Facebook (que, desde já, recomendo a toda a gente) Judite Sousa Fashion, e li-o no âmbito do #lerosnossos, como livro cujo título não me apelava por aí além. Não era apenas o título - era o conceito.
Mas isto foi preconceituoso da minha parte, pois na verdade eu não fazia ideia daquilo que me esperava. E isto vindo de alguém que admite gostar de ler um non-fiction mais trashy de quando em vez.
Diogo Telles Correia é psiquiatra, e este livro é uma espécie de entrevista que Judite Sousa faz ao médico de modo a levar temas de saúde mental a um público mais leigo, ou mais abrangente. Não quero com isto dizer que é um livro de divulgação científica - apenas que aborda vários temas importantes de modo a que o leitor comum os possa compreender.
O livro divide-se em seis capítulos, nos quais dif…

Os Sensos Incomuns

Lendo a segunda das três Marias.


Maria Isabel Barreno será mais conhecida pela sua participação nas Novas Cartas Portuguesas, mas, tal como as outras autoras do livro, tem a sua própria obra. Os Sensos Incomuns estava estupidamente barato na WOOK e comprei-o, no ano passado, por menos de 1€.
Trata-se de um muito curto livro de contos, daqueles a ler facilmente no decorrer de um dia. Aparentemente, em 1993, ano da sua publicação, foi largamente premiado. A meu ver, merecidamente; não sou a melhor pessoa a avaliar contos, dada a sua reduzida dimensão, tudo o que deixam por dizer naquilo que dizem - tenho lido vários livros de contos este ano e cada vez sinto mais essa dificuldade (veja-se tudo o que li em Abril, e a minha leitura seguida de livros de contos, agora, com Lídia Jorge e Maria Isabel Barreno).
O que posso dizer é que gostei, e muito. As amigas terá sido talvez o meu conto preferido - o segundo do livro, pronto para cativar o leitor -, mas muitos outros houve que me prenderam…

Praça de Londres

O meu segundo encontro com Lídia Jorge.

Ou quiçá terceiro - além de O Vale da Paixão, fui a uma conferência que ela deu no Centro de Estudos Judiciários em Junho. Mas não sei se conta.
Nunca lera Lídia Jorge na versão contista; nunca li muito de Lídia Jorge, aliás, só li estes dois, e tenho ali ainda por ler O Belo Adormecido e a Costa dos Murmúrios, que me foi descrito como livro essencial. Mas ainda não lá cheguei.
Praça de Londres é, como nos indica a capa, um conjunto de cinco contos situados. Talvez esta descrição se deva ao facto de todos eles terem uma localização geográfica precisa - seja a Praça de Londres, seja a Rue du Rhône, seja a zona de Entrecampos... Li grande parte deste livro (curto, muito curto) no muito trânsito que apanhei num dia de greve dos professores. É sempre interessante ler sobre Lisboa quando se está num eléctrico, símbolo tão típico da cidade.
Mas adiante.
O meu conto preferido foi Viagem para dois, onde um gato dá à dona o seu instinto; mas não atrás fi…

Heroínas Portuguesas: Mulheres que Enganaram o Poder e a História

A primeira leitura do Ler os Nossos, na categoria de livro recomendado.


Este é um livro para o qual eu tinha elevadas expectativas (apesar de quem mo recomendou não o ter adorado por aí além) - e que clarifico desde já que saíram um bocadinho goradas.
Houve tempos em que as heroínas eram as que morriam em defesa da sua fé. Nasceram assim as santas. As “minhas” heroínas não estão em paralelo com os heróis. São outras. Não sei se as heroínas selecionadas para esta obra serão heroínas para toda a gente. Mas são as “minhas” heroínas, aquelas que considero valorosas em nosso tempo.
Fina d'Armada foi historiadora e mestre em Estudos sobre as Mulheres, tendo escrito diversos livros sobre o papel das mulheres na história de Portugal. Note-se o papel fraquíssimo que é dado às mulheres nas narrativas históricas, em geral, excepto quando é para fazer delas uma versão de Lady Macbeth - destacarei Marie Antoinette, ou Erzsebet Báthory, vilificadas como ambiciosas ou cruéis,  as que a gente tem no…

Contos Exemplares

Regressando a Sophia de Mello Breyner.

Sophia é sempre um regresso, mas nunca o regresso mais ansiado: li, na escola, a sua poesia e o Cavaleiro da Dinamarca; li, por recreação, A Fada Oriana. Se gostei muito do último, o que dei na escola não me disse rigorosamente nada. Assim, com a nomeação desta obra para o Clube dos Clássicos Vivos, perguntei à minha mãe se este livro existia na biblioteca da escola onde ela trabalha.
Estudei naquela escola dois anos e, graças às funções da minha mãe, li os livros daquela biblioteca durante muitos mais. Lembro-me em particular de, no 6º ano, ter demorado cerca de dois meses a devolver um livro da Alice Vieira, que tinha na mochila, mas simplesmente esquecia-me de lá voltar. Também me lembro que, em 2000, era membro tão assíduo da biblioteca que fui escolhida para uma visita de estudo especial ao Amadora BD. Trouxe de lá o Diário de Anne Frank, o primeiro Harry Potter, do qual desisti a meio (nem a meio), e foi lá que descobri Milo Manara.
Mas vo…

2018 | Julho

Já passou mais de metade do ano, mas que raio?



Comprados

Ia dizer que não comprei nada em Julho, mas comprei um livro que é uma entrevista ao Marco Paulo por 1€ no Jumbo. Foi este:


Lidos

Neste mês dediquei-me ao #lerosnossos, e li os seguintes títulos de autores portugueses: Clube dos Clássicos Vivos: Contos Exemplares, de Sophia de Mello Breyner Um livro comprado recentemente: Praça de Londres, de Lídia Jorge Um autor português recomendado por alguém: Heroínas Portuguesas: Mulheres que Enganaram o Poder e a História, de Fina d'Armada Um título que não te parece minimamente interessante, mas vais arriscar: Pensar. Sentir. Viver., de Judite Sousa e Diogo Telles Correia  Um livro que te custou uma pechincha: Os Sensos Incomuns, de Maria Isabel Barreno  Bónus: A Guerra, de José Jorge Letria e André Letria
Também acabei de ler Le tour du monde en quatre-vingt jours, de Jules Verne, li Há gente em casa, a novidade de Ondjaki, Call Me by Your Name, de André Aciman, e comecei Midnight'…

ler os nossos

Bora lá ler mais autores portugueses?

O projecto da Cláudia, ler os nossos, vai para a sua terceira edição, desta vez durante o mês de Julho.  Quem me conhece há algum tempo saberá que autores portugueses são, em grande parte, uma grande lacuna para mim - uma lacuna que quero colmatar. Eu este ano não queria exactamente meter-me em desafios literários, porque perco a paciência, porque não tenho férias e porque os desafios de Verão são enormes e eu gosto de flexibilidade nas minhas leituras, mas decidi participar neste.

Aqui fica a minha lista de livros para responder a cada desafio (novamente, podem ver mais detalhes  sobre o projecto no blog da Cláudia):
 - Um livro comprado recentemente Praça de Londres, de Lídia Jorge, comprado em Maio na Feira Feminista do Livro da UMAR. Podem comprar aqui.
 - Um autor português recomendado por alguém Heroínas Portuguesas: Mulheres que Enganaram o Poder e a História, de Fina d'Armada, recomendado pela minha amiga de longa data da faculdade, a S…

Viagens na minha Terra

Li este livro em Novembro, para o projecto "Ler os Nossos", da Cláudia. Mas nunca é tarde para escrever a opinião, certo?

Este não é, de todo, um livro popular. Até à data, nunca vi quem tivesse gostado dele: por exemplo, a minha mãe sempre me tinha dito que não suportava os amores da Joaninha, a Sara leu pela mesma altura que eu e não gostou, e temos a célebre frase da Sandra no último encontro do Clube dos Clássicos Vivos, "cortem-me os pulsos já". No entanto, eu sou teimosa. Isso, e gostei do Frei Luís de Sousa (também sou a única pessoa que gostou, do que percebo); então decidi, aquando da minha estadia no estrangeiro, ler aquela que é uma das obras mais conhecidas e menos apreciadas da literatura portuguesa.
A narrativa divide-se em duas grandes partes: a viagem do narrador por Portugal, e o romance trágico que lhe é relatado em Santarém. Não é, portanto, uma estrutura muito comum ou tradicional, e passei grande parte do livro a pensar como raio se ia enquadr…