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O Imperador de Portugal

Há muito que queria ler Selma Lagerlöf.

Este desejo prende-se muito com o meu encanto pela Suécia, confesso, mais do que por ser a primeira mulher a ter ganhado o Nobel da Literatura; e este volume acabou por vir para minha casa como uma pechincha não planeada da Feira do Livro de Lisboa: estava a 5,00 Euros na Babel, aliado à curiosidade suscitada pelo título. Por que é que uma mulher sueca escreveria sobre um Imperador de Portugal em 1914?
Suécia rural, meados do século XIX. O agricultor Jan de Skrolycka não tem grande paixão pela vida, pela esposa Kattrina (com quem casou meio que por conveniência), ou pelo trabalho, e deve-se confessar que não estava particularmente entusiasmado com o nascimento de um primogénito - mas isto muda no dia de chuva em que conhece a sua única filha, a pega ao colo, e sente que ela será especial, porque o seu coração bate mais depressa.
Baptizada de Clara Bela (Jan inspirara-se no Sol), a menina faz a vida de Jan e Kattrina valer a pena. Os primeiros c…

Love in a Cold Climate

Dois anos volvidos, leio finalmente o companheiro de The Pursuit of Love.

Li este livro na minha viagem à Holanda, por saber que ia fazer algumas deslocações entre cidades (e para me distrair no avião). Já tinha saudades de Fanny Logan e dos Alconleigh (Linda, infelizmente, tem muito pouco destaque nesta obra). Este volume, embora seja o "segundo" de uma trilogia (preciso de adquirir o terceiro volume, que não tenho!), não se passa após o primeiro: decorre, sensivelmente, durante o mesmo período de tempo.
Se em The Pursuit of Love Fanny nos relata as aventuras da sua prima, Linda Radlett, aqui temos a história de Lady Leopodina [Polly] Hampton, uma prima afastada de Fanny, pelo lado do pai, filha única dos muito aristocráticos e muito ricos Montdore. A Lady Montdore, Sonia, é produto da aristocracia mais baixa, e o seu casamento com o Earl Montdore é visto como um enorme feito social da sua parte. É-nos descrita como avarenta, egoísta, snob - porém encantadora, uma mulher f…

A cidade das mulheres

Christine de Pizan foi a primeira escritora profissional, e este livro foi terminado em 1405.

Foi também a primeira mulher (de que há memória) a defender, de algum modo, as mulheres. Não defende, em particular, direitos ou igualdade, mas apresenta argumentos sobre capacidades que eram vistas como exclusivamente masculinas, através de exemplos não só bíblicos, mas também históricos, dos feitos de várias mulheres.
É uma espécie de pedido a nível cultural, e não um pedido de direitos. É uma voz feminina e feminista, sim, mas educada, burguesa, talvez de uma mulher que quer inspirar tanto respeito como o seu marido latifundiário e rico.
Uma primeira ressalva: eu não desgostei do livro. A autora é impressionante em diversas maneiras, e o livro, enquanto documento, é extremamente importante; é-o especialmente para quem tenha interesse em história das mulheres ou história medieval. Mas é um atentado à paciência.
A narrativa toma a forma de uma alegoria: Christine, mulher culta e instruída, …