Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta #umaduziadelivros

O Imperador de Portugal

Há muito que queria ler Selma Lagerlöf.

Este desejo prende-se muito com o meu encanto pela Suécia, confesso, mais do que por ser a primeira mulher a ter ganhado o Nobel da Literatura; e este volume acabou por vir para minha casa como uma pechincha não planeada da Feira do Livro de Lisboa: estava a 5,00 Euros na Babel, aliado à curiosidade suscitada pelo título. Por que é que uma mulher sueca escreveria sobre um Imperador de Portugal em 1914?
Suécia rural, meados do século XIX. O agricultor Jan de Skrolycka não tem grande paixão pela vida, pela esposa Kattrina (com quem casou meio que por conveniência), ou pelo trabalho, e deve-se confessar que não estava particularmente entusiasmado com o nascimento de um primogénito - mas isto muda no dia de chuva em que conhece a sua única filha, a pega ao colo, e sente que ela será especial, porque o seu coração bate mais depressa.
Baptizada de Clara Bela (Jan inspirara-se no Sol), a menina faz a vida de Jan e Kattrina valer a pena. Os primeiros c…

2019 | Fevereiro

Um mês cheio de eventos e novidades.

Recebidos & Comprados
O mais entusiasmante do mês aconteceu logo no dia 1: conheci a Inês, neta de Urbano Tavares Rodrigues e Maria Judite de Carvalho. Os leitores deste estaminé sabem que eu adoro a obra da avó da Inês, mas talvez não saibam que eu desconhecia a obra do avô (conhecendo apenas de nome). Graças à Inês, fiquei com várias (!) oportunidades de conhecer a obra de Urbano Tavares Rodrigues. É uma generosidade imensa que não consigo agradecer.

Melhor que isso: ganhei uma amiga.

Da Rita, veio também uma prenda: Marvels, de Alex Ross e Kurt Busiek, e The Road, de Cormac McCarthy. A Carla enviou-me O Carteiro de Pablo Neruda, de Antonio Skármeta. Conheci a Paula, frequentadora assídua deste burgo, que me deu mais um livro para a minha biblioteca de gatos: Mouschi, o gato de Anne Frank, de José Jorge Letria.

Da Sextante Editora, uma novidade: A Guerra dos Mundos, de HG Wells. Da Caminho, veio Os Dois Irmãos, de Germano Almeida. Da Livros H…

As I Lay Dying

Por onde começar, naquela que foi a minha segunda experiência com William Faulkner?


Recordando, talvez, a primeira: em Fevereiro de 2011 (nas férias entre semestres do primeiro ano do meu mestrado), li The Sound and the Fury num ápice. É, ainda hoje, um dos meus livros preferidos: costumo equipará-lo ao equivalente emocional de se ser atropelado por um camião TIR.

Demorei a ler um segundo livro do autor, um pouco por medo de não corresponder às, agora, muito altas expectativas. Mas As I Lay Dying é uma obra-prima, tal como The Sound and the Fury o fora, uma obra prima sobre uma família disfuncional, grotesca, a história de uma roadtrip contada por vozes tão loucas como as do livro que eu outrora lera.

É um livro confuso, diria mais que The Sound and the Fury, pelas diversas vozes que o contam: cada capítulo é-nos apresentado por um narrador diferente, e não é fácil entrar na dinâmica familiar. São 59 capítulos, por 15 narradores diferentes. É um livro repulsivo e violento, mas é mara…

2019 | Janeiro

Começar o ano.

Recebidos & Comprados
Em troca de amigo secreto, a Alexandra deu-me Mulheres Viajantes, de Sónia Serrano - um livro que eu tinha descoberto no blog dela e cuja premissa me tinha fascinado. Obrigada de novo, Alexandra <3

Para acrescentar à lentamente crescente biblioteca da Tinta da China, O Chão dos Pardais, de Dulce Maria Cardoso, autora que quero muito ler.
Meses houve em que me portei melhor em termos de compras. Após a falência da Goody, comprei, em semi-desespero, As Melhores Histórias de Donald e Tio Patinhas, de Don Rosa. Valeu cada cêntimo, no entanto, e nesse sentido, não me arrependo.
Das promoções da Bertrand, ambos muito baratos: O Falecido Mattia Pascal, de Luigi Pirandello, e Uma Gata, um homem e duas mulheres, de Jun'ichirō Tanizaki. Ambos estavam na minha wishlist há anos, e o último será uma adição à minha crescente biblioteca de temática felina.

Lidos
Mês bastante produtivo em termos de leituras: terminei The Secret History, de Donna Tartt. O…

A cidade das mulheres

Christine de Pizan foi a primeira escritora profissional, e este livro foi terminado em 1405.

Foi também a primeira mulher (de que há memória) a defender, de algum modo, as mulheres. Não defende, em particular, direitos ou igualdade, mas apresenta argumentos sobre capacidades que eram vistas como exclusivamente masculinas, através de exemplos não só bíblicos, mas também históricos, dos feitos de várias mulheres.
É uma espécie de pedido a nível cultural, e não um pedido de direitos. É uma voz feminina e feminista, sim, mas educada, burguesa, talvez de uma mulher que quer inspirar tanto respeito como o seu marido latifundiário e rico.
Uma primeira ressalva: eu não desgostei do livro. A autora é impressionante em diversas maneiras, e o livro, enquanto documento, é extremamente importante; é-o especialmente para quem tenha interesse em história das mulheres ou história medieval. Mas é um atentado à paciência.
A narrativa toma a forma de uma alegoria: Christine, mulher culta e instruída, …