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PASSATEMPO | Nancy Mitford

Depois de ter lido e adorado o segundo volume da trilogia, e apercebendo-me da fraca popularidade de Nancy Mitford no nosso país...

(vencedora anunciada nos comentários)

Decidi fazer um passatempo com as edições de ambos os livros em português: A Procura do Amor e Amor num Clima Frio (links para os meus posts de opinião)! Ressalvo duas coisas: primeiro, o terceiro livro, que eu ainda não li, não existe por cá (e dá para ler cada livro independentemente). Segundo, este passatempo não tem qualquer afiliação - saiu do meu bolso. Estou a sentir-me generosa, e/ou decidi fazer algo diferente. Como quiserem.

Para participar, devem comentar este post dizendo qual a vossa autora (mulher) favorita, e o porquê.  Este comentário será a participação. Passatempo aberto até dia 3 de Abril.
Aberto para residentes em Portugal apenas, e para seguidores do blog, seja no Instagram ou no Facebook, devendo, no comentário, identificar onde me seguem e com que nome (se não seguirem nas redes sociais, mas for…

Flores ao Telefone + Os Idólatras + Tempo de Mercês

O terceiro volume da Obra Completa de Maria Judite de Carvalho é o primeiro do qual eu não tinha ainda lido nada.

Assim, parti com total desconhecimento para os três conjuntos de contos aqui apresentados (o volume IV está prestes a sair, e é outro do qual não li nada até agora - mas já sei que são crónicas!), tendo apenas como ponto de partida as expectativas extremamente elevadas, dada a qualidade a que a autora já me habituara.
Mais uma vez, estas expectativas não saíram goradas; houve, no entanto, uma enorme surpresa: Os Idólatras. Mas já lá chegarei.
O primeiro conjunto, de 14 contos, inicia, precisamente, com Flores ao telefone, um conto muito curto (sete páginas apenas) sobre uma mulher, Flores, que procura ao telefone três pessoas: uma colega de trabalho, o ex-marido e a suposta melhor amiga. O telefone, que deveria aproximar  e tornar o contacto mais fácil, torna-se aqui no símbolo do distanciamento, da comunicação sem significado. E as pessoas que Flores contacta focam-se na…

Diário de Florbela Espanca

Adquiri este livro por ser muito barato e ter alguma curiosidade.

Li, há alguns anos, os sonetos de Florbela Espanca e achei decentes, apesar de repetitivos e dramáticos. De facto, Florbela Espanca é conhecida pela poesia recheada de melodrama que encanta adolescentes várias.
Não sou a maior fã de poesia, facto que aceito, cada vez mais, com grande normalidade. Mas escolhi este volume em jeito de celebração do Dia Mundial da Poesia.
Este diário de Florbela Espanca, também conhecido como "Diário do último ano", é curto, muito, cobrindo apenas o último ano da sua vida. Há uma poetisa cujos diários consistem num dos meus livros preferidos de sempre, mas não é o caso do diário de Florbela.
É sempre estranho ler diários reais, de terceiros, e apreciá-los, creio. Algo que foi escrito para o íntimo, a ser dissecado por méritos literários? Mas divago.
Lê-se bem, lê-se rápido. É uma escrita confessional. Parece histriónica, narcisista, exagerada. Não é memorável ou interessante. De …

O Imperador de Portugal

Há muito que queria ler Selma Lagerlöf.

Este desejo prende-se muito com o meu encanto pela Suécia, confesso, mais do que por ser a primeira mulher a ter ganhado o Nobel da Literatura; e este volume acabou por vir para minha casa como uma pechincha não planeada da Feira do Livro de Lisboa: estava a 5,00 Euros na Babel, aliado à curiosidade suscitada pelo título. Por que é que uma mulher sueca escreveria sobre um Imperador de Portugal em 1914?
Suécia rural, meados do século XIX. O agricultor Jan de Skrolycka não tem grande paixão pela vida, pela esposa Kattrina (com quem casou meio que por conveniência), ou pelo trabalho, e deve-se confessar que não estava particularmente entusiasmado com o nascimento de um primogénito - mas isto muda no dia de chuva em que conhece a sua única filha, a pega ao colo, e sente que ela será especial, porque o seu coração bate mais depressa.
Baptizada de Clara Bela (Jan inspirara-se no Sol), a menina faz a vida de Jan e Kattrina valer a pena. Os primeiros c…

The Haunting of Hill House

"It's the home I've dreamed of," Theodora said. "A little hideaway where I can be alone with my thoughts. Particularly if my thoughts happened to be about murder or suicide or--"

Casas nem sempre têm reputações positivas; ora são abrigos, ora túmulos. A proposta deste livro é que a casa pode ser um lugar muito diferente. Hill House é um local que gera medo e terror, alimentando-se dos seus residentes para a sua própria subsistência.
Mas Hill House também pode ser um lugar de conforto e calor - a custo da sanidade mental e da própria vida.
Desde que lera We Have Always Lived in the Castle que queria ler mais desta autora, possibilidade que a Book Depository me proporcionou através de parceria. Adianto desde já que a série da Netflix, não obstante ser muito boa, é totalmente diferente do livro, pelo que podem ler o livro e surpreender-se na mesma (e ler esta review e levar com spoilers massivos também).

A premissa deste livro é a de uma experiência científica…

Love in a Cold Climate

Dois anos volvidos, leio finalmente o companheiro de The Pursuit of Love.

Li este livro na minha viagem à Holanda, por saber que ia fazer algumas deslocações entre cidades (e para me distrair no avião). Já tinha saudades de Fanny Logan e dos Alconleigh (Linda, infelizmente, tem muito pouco destaque nesta obra). Este volume, embora seja o "segundo" de uma trilogia (preciso de adquirir o terceiro volume, que não tenho!), não se passa após o primeiro: decorre, sensivelmente, durante o mesmo período de tempo.
Se em The Pursuit of Love Fanny nos relata as aventuras da sua prima, Linda Radlett, aqui temos a história de Lady Leopodina [Polly] Hampton, uma prima afastada de Fanny, pelo lado do pai, filha única dos muito aristocráticos e muito ricos Montdore. A Lady Montdore, Sonia, é produto da aristocracia mais baixa, e o seu casamento com o Earl Montdore é visto como um enorme feito social da sua parte. É-nos descrita como avarenta, egoísta, snob - porém encantadora, uma mulher f…

Ana de Castro Osório

Sou fascinada pela colecção "Grandes Vidas Portuguesas" desde que li o volume sobre a Marquesa de Alorna.

Há, ainda, poucos volumes sobre mulheres: além destes dois, existe apenas aquele sobre a empresária Antónia Ferreira. Este volume, ilustrado por Marta Monteiro e escrito por Carla Maia de Almeida, fala sobre Ana de Castro Osório, escritora, defensora da educação, e activista dos direitos das mulheres.

Pela sua relevância nestas áreas, o seu nome foi atribuído à Colecção Especial da Biblioteca de Belém. Decidi complementar a leitura deste volume com a leitura de um livro de contos infantis da autora, que me foi oferecido há talvez vinte anos.
O livro da Pato Lógico começa por falar, estranhamente, de Carolina Beatriz Ângelo e da sua luta pelo voto: rapidamente compreendemos ser este um enquadramento, pois foi o pai de Ana de Castro Osório, magistrado, que permitiu à sufragista a sua inclusão nos cadernos eleitorais. Assim, compreendemos de onde vinham "a sorte e a l…

As I Lay Dying

Por onde começar, naquela que foi a minha segunda experiência com William Faulkner?


Recordando, talvez, a primeira: em Fevereiro de 2011 (nas férias entre semestres do primeiro ano do meu mestrado), li The Sound and the Fury num ápice. É, ainda hoje, um dos meus livros preferidos: costumo equipará-lo ao equivalente emocional de se ser atropelado por um camião TIR.

Demorei a ler um segundo livro do autor, um pouco por medo de não corresponder às, agora, muito altas expectativas. Mas As I Lay Dying é uma obra-prima, tal como The Sound and the Fury o fora, uma obra prima sobre uma família disfuncional, grotesca, a história de uma roadtrip contada por vozes tão loucas como as do livro que eu outrora lera.

É um livro confuso, diria mais que The Sound and the Fury, pelas diversas vozes que o contam: cada capítulo é-nos apresentado por um narrador diferente, e não é fácil entrar na dinâmica familiar. São 59 capítulos, por 15 narradores diferentes. É um livro repulsivo e violento, mas é mara…

Farda Fardão Camisola de Dormir

Já tinha saudades de ler Jorge Amado.

Já saberão, decerto, que adoro Jorge Amado, que é um autor que há mais de 15 anos que não falha em me dar gozo ler. Comprei este livro na Feira do Livro de 2017, não imensamente planeado, mas com receio de que viesse a esgotar, como esgotou a edição da Dom Quixote d'Os Subterrâneos da Liberdade
Tive já o privilégio de ler alguns livros do autor; este foi o meu oitavo livro, se não estou em erro. E Jorge Amado não perde a magia.
Esta obra é mais política que algumas - se Tieta ou Gabrielasão fundamentalmente sociais, Capitães da Areia, ou Farda Fardão Camisola de Dormir têm uma índole mais política e moral. Mas político não significa aborrecido (ou vejam o meu amor por Afirma Pereira).
Anos 40. Com a morte súbita do poeta romântico Antônio Bruno, poeta da liberdade e do amor, membro da Academia Brasileira de Letras, surgem as eleições para nomear o seu sucessor. Reparemos desde já na data: anos 40, Segunda Guerra Mundial a deflagrar na Europ…

A cidade das mulheres

Christine de Pizan foi a primeira escritora profissional, e este livro foi terminado em 1405.

Foi também a primeira mulher (de que há memória) a defender, de algum modo, as mulheres. Não defende, em particular, direitos ou igualdade, mas apresenta argumentos sobre capacidades que eram vistas como exclusivamente masculinas, através de exemplos não só bíblicos, mas também históricos, dos feitos de várias mulheres.
É uma espécie de pedido a nível cultural, e não um pedido de direitos. É uma voz feminina e feminista, sim, mas educada, burguesa, talvez de uma mulher que quer inspirar tanto respeito como o seu marido latifundiário e rico.
Uma primeira ressalva: eu não desgostei do livro. A autora é impressionante em diversas maneiras, e o livro, enquanto documento, é extremamente importante; é-o especialmente para quem tenha interesse em história das mulheres ou história medieval. Mas é um atentado à paciência.
A narrativa toma a forma de uma alegoria: Christine, mulher culta e instruída, …

Antologia Poética de Gabriela Mistral

O primeiro laureado com o Nobel da Literatura na América Latina foi uma mulher.


"for her lyric poetry, which inspired by powerful emotions, has made her name a symbol of the idealistic aspirations of the entire Latin American world"
Tinha, por tudo isto, curiosidade acerca do trabalho de Gabriela Mistral, que nasceu Lucila Godoy Alcayaga. Mais que isso: diplomata, humanista e foi professora de Pablo Neruda. Segundo percebo, não foi uma figura particularmente popular no seu país, tendo-se afastado com a sua carreira e morrido em New York, onde trabalhava como cônsul. Também foi cônsul em Lisboa, nos anos 40.
A sua vida é sem dúvida interessante, em particular a sua carreira; a sua poesia não me tocou.

Este volume é uma antologia, e reúne Desolação (Nova Iorque, 1922), Ternura (Madrid, 1924), Tala (Buenos Aires, 1938), Lagar (Santiago do Chile, 1954) e Poema do Chile (Barcelona, 1957). Tem uma introdução da própria autora, intitulada "Como escrevo".

Gostei muito da i…