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Afirma Pereira (GN)

Li o romance no qual esta obra se inspirou no Verão.

Altura ideal para ler o livro, acrescente-se.

Rapidamente, tornou-se um favorito. A vontade de ler esta adaptação a Novela Gráfica (pela mão de Pierre-Henry Gomont) já era grande: verdade seja dita, foi o lançamento, por parte da G.Floy, desta adaptação, que me deu nova vontade de ler o romance, que não fazia sequer parte das minhas estantes (mas que, graças ao meu namorado, rapidamente lá chegou).
A narrativa de Antonio Tabucchi, portanto, já era minha conhecida: Pereira, o anti-herói, o jornalista gordo e apolítico, a cidade de Lisboa deserta no Verão, como sempre, sob um sol abrasador e um calor opressivo - opressivo como o regime político. Pereira sente o calor, mas, até conhecer Monteiro Rossi, não conhece o regime.


A alguns KMs de distância, no país vizinho, a Guerra Civil espanhola, um pano de fundo nunca presente, mas que serve de mote às acções de Monteiro Rossi e da sua namorada Marta, recordando-nos a ligação e interacçã…

A cidade das mulheres

Christine de Pizan foi a primeira escritora profissional, e este livro foi terminado em 1405.

Foi também a primeira mulher (de que há memória) a defender, de algum modo, as mulheres. Não defende, em particular, direitos ou igualdade, mas apresenta argumentos sobre capacidades que eram vistas como exclusivamente masculinas, através de exemplos não só bíblicos, mas também históricos, dos feitos de várias mulheres.
É uma espécie de pedido a nível cultural, e não um pedido de direitos. É uma voz feminina e feminista, sim, mas educada, burguesa, talvez de uma mulher que quer inspirar tanto respeito como o seu marido latifundiário e rico.
Uma primeira ressalva: eu não desgostei do livro. A autora é impressionante em diversas maneiras, e o livro, enquanto documento, é extremamente importante; é-o especialmente para quem tenha interesse em história das mulheres ou história medieval. Mas é um atentado à paciência.
A narrativa toma a forma de uma alegoria: Christine, mulher culta e instruída, …

Destemidas - Mulheres Que Só Fazem o Que Querem

Apreciando largamente esta nova tendência de livros ilustrados com vista a enaltecer ou destacar feitos de mulheres.


Publicado na Colecção Novela Gráfica da Levoir/Público, este é o best-seller da francesa Pénélope Bagieu, também conhecida pelo seu blog. Esta obra em particular é baseada no seu trabalho com o Le Monde, que podem ver aqui: estão aqui compiladas as 15 primeiras histórias da autora, com algumas ilustrações originais (suponho que as ilustrações em páginas duplas).

A escolha de mulheres é mais interessante que a das Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, na minha muito humilde opinião. Na verdade, cruzam-se numa história: a das Irmãs Mirabal, que está muito melhor contada aqui que no outro livro. Todas as mulheres e histórias são únicas, retratando quem realmente desafiou convenções sociais, religiosas ou políticas. Não são mulheres propriamente conhecidas, não são os mesmos nomes frequentemente utilizados neste tipo de obra. Mulheres inteligentes, corajosas, que…

A Náusea

Existencialismo e Jean-Paul Sartre.

Este é um autor que eu estive perto de comprar quando, no ano passado, passei o Outono em Paris, mas, entre várias outras, tal compra não se deu. Surgiu, portanto, a oportunidade de ler o autor em português com esta edição da Livros do Brasil, que aproveitei prontamente.
Aos 31 anos, Sartre estava no mesmo sítio em que muitos de nós nos encontramos: perdido, a sentir que a vida não o levava pelos caminhos que ele imaginara. E é desse contexto que surge este livro.
A Náusea é o diário ficcional de um homem chamado Antoine Roquentin, que tem dinheiro suficiente para não trabalhar, e que passa a maioria do seu tempo livre a escrever sobre uma figura histórica obscura do séc. XVIII. Para este fim, decide habitar na cidade de Bouville, na província, longe de tudo e de todos os que conhece. Passa longos dias na biblioteca local, onde encontra um homem que está a ler livros técnicos por ordem alfabética, o Autodidata. Este estilo de vida rapidamente o conv…

Correr

Odeio correr. Na verdade, não importa, porque a actividade me está clinicamente vedada.

Porquê ler um livro com este título, então?
Correr chamou-me a atenção, apesar de tudo, pelo título. Não costumo ler livros sobre desporto (apenas aconteceu uma vez, que eu tenha memória), mas o título, um simples verbo, intrigou-me.  Sou uma pessoa curiosa, suponho. Depois, vi que era sobre um atleta checo, e a República Checa é, à data, o país que mais gostei de visitar. Por último, percebi que se passava durante a Guerra Fria, "na sombra do regime comunista".
O subtítulo, muito pequeno, muito discreto, diz, no entanto, romance. Ora, é um livro romanceado sobre uma pessoa real, não exactamente uma biografia; diria que os factores distintivos aqui serão o facto de, durante grande parte do livro, o nome "Zatópek" não ser pronunciado (o narrador apenas se refere ao personagem principal como "Emil"), não ter fontes citadas e não se focar em grandes pormenores técnicos da…

Le tour du monde en 80 jours

Confissão: li este livro meio a contra-gosto.


Foi o eleito do Clube dos Clássicos Vivos para Maio/Junho, e era um livro no qual eu tinha pouco interesse. Porquê? Porque conhecia a história, por exemplo. Porque sabia que era a história de um tipo que fazia a volta ao mundo em contra-relógio por uma aposta, sabia o seu desfecho (vi os desenhos animados do Willy Fogg em pequena, e confesso que desses gostei e muito)... e não me sentia particularmente cativada. Mas cedi.
Li o livro em francês; Verne é um bom autor para quem tem algumas noções de francês, pois escrevia para um público juvenil, logo, sem grandes floreados ou complicações. Do autor, já tinha lido Voyage au centre de la terre, do qual gostara bastante e que já me tinha confirmado esta noção.

Phileas Fogg é a pessoa mais apática e pontual do mundo; tudo na sua vida está medido, até as suas emoções, o que é um pouco aterrador. Assim, até a sua viagem está calculada, ao minuto, de modo a saltar de comboio em barco em navio em au…

O Senhor Ibrahim e as flores do Alcorão

A minha segunda incursão pela obra de Eric-Emmanuel Schmitt, depois de Milarepa.


Moisés é um menino judeu que vive com o pai, incapaz de demonstrar qualquer tipo de afecto por ele. A mãe dele abandonou-os, diz o pai - levando com ela Popol, o irmão mais velho de Moisés, que o pai adorava. São os anos 60, é Paris e vivem com pouco dinheiro. É Moisés quem faz as contas à casa e vai roubando qualquer coisa na loja do Senhor Ibrahim, velho árabe que dá o título ao livro.

Quando fiz onze anos parti o meu mealheiro e fui às putas.

O Senhor Ibrahim é o único árabe no meio dos judeus da Rue Bleue e da Rue de Paradis. E claro que sabe dos pequenos furtos, mas não diz nada; sorri sempre, apenas. E é com a ajuda de Brigitte Bardot que começam a falar, e surge uma grande amizade entre Moisés e Ibrahim. Moisés precisava de um pai, de uma figura parental, no fundo, de alguém que fosse presente e o orientasse na vida - e Ibrahim, velho e sem filhos, vivia sozinho com os ensinamentos do Corão.
É um l…

Les Trois Mousquetaires

Um por todos e todos por um!


Três coisas levaram-me a ler este livro neste momento: a primeira motivação foi fazer uma leitura conjunta com o meu melhor companheiro; a outra, a frustração com o Le Rouge et le Noir (que continua inacabado, em Lisboa) e querer provar a mim mesma que conseguia ler um calhamaço em francês; por último, a minha vinda para Paris.
A história será minimamente conhecida de todos, mais não seja por este enorme clássico:
Dartacão, Dartacão!
Portanto, as personagens deste romance são-nos familiares: D'Artagnan, o protagonista, oriundo de Béarn, na Gascogne (como quem diz, o País Basco francês); Athos, Porthos e Aramis, os três Mosqueteiros do Rei; o Rei Louis XIII e a sua esposa, Anne d'Austriche; o Cardeal Richelieu e os seus agentes. Dumas pega em personagens e eventos históricos reais e reinterpreta-os através da sua visão do mundo, que se divide entre personagens motivadas pelo amor, honra e amizade, e personagens cuja motivação vem do poder, dinheiro e…

Maison de Victor Hugo

Estando já instalada em Paris, dediquei-me a uma actividade bastante literária: a visita à casa de Victor Hugo.

O autor, é claro, dispensa apresentações: escreveu, entre outras obras, Les Misérables (que só li em versão reduzida, querendo ler o original em francês) e Notre Dame de Paris, que li há dois anos em jeito de celebração da última vez que vim a Paris.

Existem dois museus Maison de Victor Hugo: um em Paris, o outro em Guernsey. A casa de Paris situa-se no nº 6 da Place des Vosges (assim denominada desde 1800, antiga Place Royale), em pleno bairro do Marais, e é onde Victor Hugo viveu de 1832 a 1848. Já queria ter visitado este jardim antes, mas nunca se tinha dado. A Place Royale foi inaugurada em 1612, para celebrar o noivado de Louis XIII e Anne de Áustria, sendo a mais antiga praça da cidade, e contou ao longo dos séculos com vários habitantes ilustres, entre os quais Richelieu (preparem-se para outros posts sobre ele nos próximos dias) e, lá está, Victor Hugo.

A Casa-Mus…