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Diário de Florbela Espanca

Adquiri este livro por ser muito barato e ter alguma curiosidade.

Li, há alguns anos, os sonetos de Florbela Espanca e achei decentes, apesar de repetitivos e dramáticos. De facto, Florbela Espanca é conhecida pela poesia recheada de melodrama que encanta adolescentes várias.
Não sou a maior fã de poesia, facto que aceito, cada vez mais, com grande normalidade. Mas escolhi este volume em jeito de celebração do Dia Mundial da Poesia.
Este diário de Florbela Espanca, também conhecido como "Diário do último ano", é curto, muito, cobrindo apenas o último ano da sua vida. Há uma poetisa cujos diários consistem num dos meus livros preferidos de sempre, mas não é o caso do diário de Florbela.
É sempre estranho ler diários reais, de terceiros, e apreciá-los, creio. Algo que foi escrito para o íntimo, a ser dissecado por méritos literários? Mas divago.
Lê-se bem, lê-se rápido. É uma escrita confessional. Parece histriónica, narcisista, exagerada. Não é memorável ou interessante. De …

Vincent

A vida de Van Gogh em novela gráfica!

Ou vá, os últimos anos da sua vida. Eu tinha de ter este livro. Adoro o Van Gogh - fui à exposição Van Gogh Alive na Cordoaria Nacional, fui ver Loving Vincent ao cinema, fui quase a correr à ala Van Gogh no Rijksmuseum e fui mais de uma vez ao d'Orsay de propósito para poder ver a sua obra, planeei uma viagem a Auvers-sur-Oise que acabou por não acontecer. Portanto, em visita ao Van Gogh Museum, sabia que precisava de adquirir este livro.
A artista e escritora holandesa Barbara Stok é mais uma de muitos que se inspiram na vida tortuosa de Vincent Van Gogh, e leva-nos numa viagem ao período intenso que o pintor passou em França, não só em Auvers-sur-Oise mas também em Arles, no Sul, sustentado pelo irmão. Ou seja, os últimos anos da sua vida.

Vincent Van Gogh é-nos apresentado como sendo apaixonado pela arte, e sonha em criar uma casa de artistas em Arles, uma casa amarela, para si e para os seus amigos. Vemos a sua enorme paixão, a forma com…

Just Kids

Jesus died for somebody's sins but not mine

Adoro a Patti Smith. Para bem da verdade, o único álbum que conheço bem (e que ADORO) é o Horses, e tive também a honra de a ver ao vivo a interpretá-lo em 2015. Há anos que queria ler esta memória, que incide sobre a sua relação longa, complicada e íntima com Robert Mapplethorpe.
Why can't I write something that would awake the dead? That pursuit is what burns most deeply. I got over the loss of his desk and chair, but never the desire to produce a string of words more precious than the emeralds of Cortes. Yet I have a lock of his hair, a handful of his ashes, a box of his letters, a goatskin tambourine. And in that folds of faded violet tissue a necklace, two violet plaques etched in Arabic, strung with black and silver threads, given to me by the boy who loved Michelangelo.

Também a bem da verdade: não conhecia de lado nenhum o nome de Robert Mapplethorpe. E o central neste livro é, de facto, a relação de ambos, que é retratada com…

A cidade das mulheres

Christine de Pizan foi a primeira escritora profissional, e este livro foi terminado em 1405.

Foi também a primeira mulher (de que há memória) a defender, de algum modo, as mulheres. Não defende, em particular, direitos ou igualdade, mas apresenta argumentos sobre capacidades que eram vistas como exclusivamente masculinas, através de exemplos não só bíblicos, mas também históricos, dos feitos de várias mulheres.
É uma espécie de pedido a nível cultural, e não um pedido de direitos. É uma voz feminina e feminista, sim, mas educada, burguesa, talvez de uma mulher que quer inspirar tanto respeito como o seu marido latifundiário e rico.
Uma primeira ressalva: eu não desgostei do livro. A autora é impressionante em diversas maneiras, e o livro, enquanto documento, é extremamente importante; é-o especialmente para quem tenha interesse em história das mulheres ou história medieval. Mas é um atentado à paciência.
A narrativa toma a forma de uma alegoria: Christine, mulher culta e instruída, …

A Leoa: Um Retrato Gráfico de Karen Blixen

Foi graças à Cristina que soube da existência deste livro.

Tal como o título dá a entender, A Leoa: Um Retrato Gráfico de Karen Blixen é uma novela gráfica que relata a biografia de Karen Blixen. Para quem não consiga associar, Karen Blixen é a mulher dinamarquesa que escreveu o livro que daria origem a (entre outros livros, e outras adaptações) África Minha, o filme com Meryl Streep que, não se surpreendam: nunca vi.
Esta biografia tem um início fantasioso: vemos a bebé Karen rodeada de sete figuras, como se fossem fadas madrinhas: Nietzche e a sua filosofia, Shakespeare e a literatura, um leão e um rei da África negra, que simbolizam o futuro de Karen, Sherazade e a vontade de contar histórias, uma cegonha e a vontade de voar, migrar, partir... e o Diabo, que promete obstáculos durante toda a vida de Karen. Honestamente, este momento foi um pouco forçado, mas retira logo a componente "realista" da biografia, dando outro toque à narrativa e mostrando que há maneiras difere…

Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo

Tenho ficção de Chimamanda por ler, mas por algum motivo comecei por Querida Ijeawele.

O grande atractivo neste volume - para ter feito dela o meu ponto de início na obra da autora - é, além da temática, a sua reduzida dimensão. Na verdade, o livro é diminuto, talvez por ser como que uma carta que a autora escreveu a uma amiga que pediu conselhos sobre como criar a sua filha recém-nascida para ser feminista.

É claro que estou furiosa. Sinto-me furiosa com o racismo. Sinto-me furiosa com o sexismo. Mas recentemente apercebi-me de que me sinto mais furiosa com o sexismo do que com o racismo.
Porque na minha fúria com o sexismo sinto-me muitas vezes só.
O livro está dividido em quinze peças/conselhos práticos, cada capítulo uma sugestão ou tópico novo. Discute questões do feminismo como padrões de beleza, auto-estima, privilégio (branco ou masculino), racismo, sexismo, papéis de género, casamento, roupa, sexualidade, opressão, entre outros. Isto porque a educação não acaba na adolescência…

Morte na Pérsia

Nunca tinha lido literatura de viagem.


E, de certa forma, continuo sem ter lido.

Peguei em Morte na Pérsia na biblioteca por ser escolha do Clube dos Clássicos Vivos. Não é o tipo de literatura que me apele, suponho; de facto, nunca pensei em ler sobre viagens alheias e, regra geral, prefiro ler ficção.
- O que é que espera da Pérsia? - perguntou-me Malraux. Ele conhecia as ruínas da cidade de Rages. Conhecia também o entusiasmo pela arqueologia. Reflectia com olhar claro sobre as paixões humanas e desmascarava-as, excepto o que delas restava: o sofrimento. Perguntou-me: "só por causa do nome? Só porque fica muito longe?" E eu pensava na terrível tristeza da Pérsia...
Por que motivo considero que continuo sem ter lido? Porque este livro retrata mais uma viagem pessoal, interior, que propriamente uma viagem pela Pérsia. Annemarie Schwarzenbach era jornalista, de origem suíça, descendente da aristocracia. A sua vida parece ser profundamente fascinante, desde as múltiplas viagen…

Frida Kahlo: Una biografía

Possivelmente o livro mais bonito que tenho na estante.


Tinha já ficado com este livro debaixo de olho em Sevilha, e decidi comprá-lo em Salamanca. Isto, confesso, não sabendo praticamente nada sobre Frida Kahlo, mas porque as ilustrações de María Hesse pareciam lindíssimas. Seria, talvez, a oportunidade perfeita para passar a conhecer Frida - claro que há vários livros sobre ela, mas, tal como com a Marquesa de Alorna, decidi ir pela versão ilustrada. Não me arrependi.
Sempre me interessara Frida Kahlo: tinha algumas noções básicas sobre a sua vida e sobre a sua arte, que também não conhecia particularmente. O livro é conciso, interessante e informativo (pelo menos para quem, como eu, não sabia muito sobre a artista). É narrado na primeira pessoa, ligando factos a excertos do seu diário, numa imagem intimista. De uma perspectiva pessoal, aprendemos sobre a sua família, o casamento dos seus pais, a sua infância, adolescência, a relação com Diego, a doença, a morte.

Frida aparece aqui …

Historias de adormecer para raparigas rebeldes

Andava há que tempos num vai-não-vai para comprar este livro (bem como o segundo volume).

No meio de tamanha indecisão (indecisão essa que se prendeu muito com o preço, confesso), e com o advento da biblioteca municipal na minha vida, decidi trazê-lo comigo desde a Biblioteca Municipal de Belém.
O livro consiste em 100 mini biografias de mulheres fortes, inspiradoras, algumas das quais mudaram o mundo, e cada biografia é de certo modo escrita como um conto de fadas - um pouco como "era uma vez". É um livro um pouco Estados-Unidos-cêntrico, como eu esperava, mas traz exemplos do resto do mundo, muitos dos quais eu desconhecia, como desportistas contemporâneas, rainhas tribais e imperatrizes asiáticas, e isso impressionou-me bastante.
Frida Kahlo por Helena Morais Soares, Eufrosina Cruz por Paola Rollo
A estrutura do livro é, portanto, "biografia" numa página, ilustração na outra. Mais que biografias, são histórias; as datas de nascimento e de morte e país das mulher…