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Mensagens

The Sketch Book of Geoffrey Crayon, Gent.

Uma falsa compilação de histórias.


Fui sem dúvida vítima de marketing no que respeita ao título deste livro: não pude resistir a um volume com as duas histórias mais famosas do autor (Rip Van Winkle e The Legend of Sleepy Hollow), mas será que resistiria ao Sketchbook of Geoffrey Crayon, Gent.?
Sketchbook” é um nome muito mais adequado do que “Stories”, pois nem todas as pequenas narrativas deste volume se podem classificar como tal: é uma colecção de peças descritivas, narrativas, históricas, entre outras, sobre a vida rural e urbana e tradições natalícias no Reino Unido (que o autor considera de extremo interesse para quem, como ele, é Norte-Americano), entre algumas histórias sobrenaturais. É um leque tão vasto de narrativas que é fácil encontrar algo que nos apele – mesmo que não seja o caso da maioria.
Não vou mentir – não retirei grande prazer desta leitura, talvez por muitas das peças serem de índole descritiva (algo que não faz o meu género), o que se torna repetitivo e mesm…

shelf control

Em semana em que descobri não só quanto vale uma hora extra do meu tempo no trabalho, mas também que uma otite pode chegar ao nariz, o tempo para ler não anda nem no seu mais extenso nem na maior qualidade.

Este ano estava a correr bem no que respeitava a não comprar livros - ao self control sempre que passava numa livraria. No entanto, com a descoberta do AwesomeBooks, isto descambou um bocado (que é para não dizer muito). E é preciso controlar-me não só a mim, como ao espaço nas estantes que já não existe.

Pensei que estava a fazer uma piada incrível com o título shelf control, mas aparentemente já alguém o pensou antes de mim: a Lisa do bookshelf fantasies, em versão meme semanal. Ora, eu não fui feita para memes, não fui feita para dissertar sobre um livro que não li ainda mas que já comprei, mas é exactamente isto que irei fazer: concentrar-me no que me espera na estante, antes que a estante me controle a mim.

Não compro livros à toa - não compro coisas que não me interessem ou …

Nobelpriset i litteratur

Tendo sido anunciado o laureado deste ano, deixo as minhas considerações sobre os autores (e obras) que já tive oportunidade de ler - e aqueles cujos livros tenho aqui por casa, à espera da sua oportunidade.

1921 - Knut Hamsun Este é dos que já li. Li apenas Hunger e Mistérios, cujas reviews podem ler seguindo os links. São ambos livros bastante diferentes mas muito bons, aproximando-se talvez um pouco da filosofia e partilhando imagens e sentimentos da Escandinávia; este prémio foi atribuído for his monumental work, Growth of the Soil, que é sem dúvida mais um a acrescentar à infindável lista de livros para ler um dia.
1925 - George Bernard Shaw Muito antes de ter este blog li Pygmalion, obra que deu origem ao conhecido filme (e peça) My Fair Lady. Tenho uma edição da Europa-América com a Audrey Hepburn na capa que é possivelmente o único livro editado por eles que possuo do qual gosto: é uma edição bilingue, o que facilita a leitura das palavras de Eliza Doolittle.

1930 - Sinclair Lew…

O vale da paixão

"Deixo à minha sobrinha, por única herança, esta manta de soldado".

Foi a primeira vez que li Lídia Jorge e fiquei agradavelmente surpreendida. Um livro em torno de mistérios familiares, do ponto de vista de uma rapariga a crescer entre as décadas de 1950 e 1980, foi algo reminiscente dos livros de Alice Vieira que rechearam a minha infância, mas numa versão para adultos.
Passada em São Sebastião de Valmares, algures no Algarve, a narrativa, sem cronologia condutora, centra-se na visita que a narradora, sem nome conhecido, recebe do seu tio, Walter Glória Dias, que é na verdade seu pai. É uma noite de chuva em 1963 e Walter tira os sapatos para entrar no quarto da sua filha, com quem conversa pela primeira vez, sem que ninguém ouça nada. Por vezes referida como "a sobrinha de Walter", outras vezes como "a filha de Walter", a narradora entra numa reflexão sobre as suas raízes e sobre quem realmente fora o seu pai.
Pois tudo o que a filha de Walter sabe sob…

Miss Peregrine's Home for Peculiar Children

Enquanto fã assumida do Tim Burton, e com o filme que saiu recentemente, tinha de ler este livro. Foi esse, aliás, o motivo pelo qual comprei a trilogia.

Não consigo dizer grande coisa do livro sem dizer que é bastante ok. Simplesmente isso. A capa faz-nos pensar que vai ser um livro assustador, adequado ao Halloween, adequado à filmografia do Tim Burton. Sou uma pessoa bastante sensível a coisas assustadoras e isto não teve nada que se comparasse à cena do Dracula em que a Lucy ouve um leve bater de qualquer coisa (asas de morcego) à sua janela. Era o verão de 2010 e eu não soube o que era dormir.
Mas a ideia inicial está bem concebida. Jacob é um miúdo de 16 anos muito apegado ao avô, a quem o avô passou a infância toda a contar histórias da sua própria infância e das crianças bizarras com quem ele vivia num orfanato, fotos incluídas. A certa altura, Jacob começa a crescer e a ficar céptico. Os pais de Jacob explicam-lhe que o avô, Abraham, judeu, sempre gostou muito de contar hist…

Wide Sargasso Sea

Leitor, casei-me com ele. Primeiro.

Neste livro, Jean Rhys, a autora, mulher crioula da República Dominicana, decide revisitar e explorar a personagem mais misteriosa de Jane Eyre: Bertha Mason, a mulher louca e monstruosa trancada no sótão, de origens semelhantes à sua.
Aqui, acompanhamos a vida de Antoinette Cosway desde a infância: é-lhe atribuída uma identidade. Apesar de ser uma espécie de prequela de Jane Eyre, este livro é-lhe tão distante quanto possível, com uma linguagem evocativa, colorida e exótica, como as imagens do Caribe e da cultura caribenha circa 1836, pouco depois do Emancipation Act que aboliu a escravatura. O ambiente físico é bonito porém escuro e misterioso; e o ambiente social que se segue à abolição da escravatura é recheado de desconfiança. Tudo isto se torna pesado e mesmo claustrofóbico, apesar da beleza natural que rodeia as personagens. Antoinette é filha de antigos proprietários de escravos, e é apanhada neste cenário. Com a sua mãe, viúva e na pobreza…