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Mensagens

Laços de Família

Peguei finalmente no meu segundo livro de Clarice Lispector (mais que isso, escrevi finalmente esta review).

Comprei este livro na Feira do Livro de 2016, naquela que se tornou a minha tradição: comprar um livro de Clarice Lispector todos os anos. Todos os anos tenho seleccionado um título para comprar, aproveitando as promoções da Relógio d'Água (este ano comprei A Hora da Estrela).
Laços de Família difere de A Paixão Segundo GH (o único outro livro que já tinha lido da autora) logo por se tratar de um livro de contos. Cada um destes treze contos gira em torno de um momento específico no quotidiano de cada personagem, um momento que traz consigo uma epifania, uma recordação, ou um exacerbar de um qualquer sentimento. Todos os personagens são fechados em si mesmos, não só no sentido da possível timidez, mas também no sentido em que são, de certa maneira, prisioneiros.
E cada uma das personagens centrais de cada história, maioritariamente mulheres, questiona a sua existência, a su…

O Livro de Cesário Verde

Já conhecia Cesário Verde do secundário, e decidi dar-lhe nova chance.


Não sei se já alguma vez o tinha manifestado, e possivelmente esta é uma declaração meio polémica, nomeadamente logo a seguir a polémicas relacionadas com o exame de português do 12º ano - mas não gostei de nenhuma das obras de leitura obrigatória no secundário. Li-as todas, é certo - mas não apreciei nenhuma. Excepto o Frei Luís de Sousa, de que ninguém gosta. Vi os dois filmes.
(o meu exame incidiu sobre Alberto Caeiro, já agora)
Regressei mais recentemente a Eça de Queirós (tendo lido os Contos, o Crime do Padre Amaro e A Relíquia), e até gostei. Estou então, lentamente, a tentar dar uma nova oportunidade aos outros autores, cerca de dez anos volvidos.
E é aqui que entra Cesário Verde. Lembro-me de ler Cesário no 11º ano, aquando do estudo do realismo, logo a seguir a ler Os Maias, e lembro-me apenas vagamente. Lembro-me que na altura estava investida na leitura de Great Expectations, do Dickens, que a minha pro…

O Alienista

Tenho andado a redescobrir Machado de Assis.


Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz de fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. Se além dessas prendas,—únicas dignas da preocupação de um sábio, D. Evarista era mal composta de feições, longe de lastimá-lo, agradecia-o a Deus, porquanto não corria o risco de preterir os interesses da ciência na contemplação exclusiva, miúda e vulgar da consorte.

Esta novella é sobre Simão Bacamarte, "o alienista", o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas, que se debruçara sobre o estudo da louc…

Mar me quer

"Mar me quer" é muito mais que um trocadilho.


Comprei este livro na Feira do Livro deste mesmo ano. Vi que seria um livro dirigido a um público um pouco mais infantil, com ilustrações, de Mia Couto, de quem só li Terra Sonâmbula - mas cuja escrita adorei.
Sou feliz só por preguiça. A infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção da alma que nem chegou a falecer.
Parece realmente um livro infantil, com ilustrações lindíssimas, mas acaba por ser a história de um homem e de uma mulher - de como um homem, Zeca Perpétuo, deseja uma mulher, Luarmina, sua vizinha, um pouco mais velha que ele, mulata, "gorda e engordurada", cuja foto de juventude deixava ver uma mulher elegante.
Luarmina, no entanto, quer o passado de Zeca, quer conhecer as suas memórias - mas Zeca quer viver no presente, alegando que o passado o maltratou.
Cada capítulo é introduzido com um dito do avô Celes…

Maratona Literária & Book Bingo

Como já escrevi antes, esta é a altura do ano em que costumo ler mais. Por isso, decidi participar em dois desafios de verão: a Maratona Literária de Verão 2017 e o Book Bingo - Leituras ao Sol.

Decidi participar não-oficialmente na Maratona Literária de Verão 2017, organizado pelos blogs Flames, da Mariana e da Roberta, e pelo Agora que sou crítica. Ou seja, vou simplesmente usar as categorias para escolher as minhas próximas leituras (não me consegui inscrever no formulário). Este desafio decorre de 18 de Junho (hoje!) a 22 de Setembro.
As categorias são:
1) Ler um livro noutra língua (inglês, francês, espanhol, italiano, etc.) Este para mim é simples, dado serem relativamente poucas as vezes que leio em português. Para dificultar um pouco, penso que lerei Thérèse Raquin, de Émile Zola.
2) Ler um livro de um autor português O que traz a noite, de Alexandre Costa, livro que, conforme expliquei no post anterior, quero ler o mais rapidamente possível.
3) Ler um livro que compraste há m…

Feira do Livro - o rescaldo

Aqui ficam as últimas compras da Feira do Livro (e, segundo planeio, as últimas compras do próximo ano).

14 de Junho: Fui esta noite com uma lista estrita e decidi que, na Bertrand/Porto Editora, compraria apenas edições que entrassem em Hora H.
Tendo chegado cedo, fiz um pequeno desvio e comecei por comprar O que traz a noite, de Alexandre Costa, na banca onde estava representada a Capital Books, livro que me arrependo de não ter comprado no ano passado, quando foi lançado. O senhor que estava na banca entregou-me o livro num saco, dizendo, "vai aqui num saco do Daniel Silva, mas se calhar não tem nada a ver". Vergonha minha, porque se nunca li Daniel Silva e isso não me apoquenta, o pior é que nunca li Alexandre Costa. E eu conheço o Alexandre. Nunca estive com ele muitas vezes, mas ele apareceu no Largo Camões para me dar os parabéns quando eu fiz anos, em 2012. E conheço o Ricardo, que fez a capa do livro, e não vejo o Ricky há possivelmente cinco anos também. Uma vez al…