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Mensagens

O Senhor Ibrahim e as flores do Alcorão

A minha segunda incursão pela obra de Eric-Emmanuel Schmitt, depois de Milarepa.


Moisés é um menino judeu que vive com o pai, incapaz de demonstrar qualquer tipo de afecto por ele. A mãe dele abandonou-os, diz o pai - levando com ela Popol, o irmão mais velho de Moisés, que o pai adorava. São os anos 60, é Paris e vivem com pouco dinheiro. É Moisés quem faz as contas à casa e vai roubando qualquer coisa na loja do Senhor Ibrahim, velho árabe que dá o título ao livro.

Quando fiz onze anos parti o meu mealheiro e fui às putas.

O Senhor Ibrahim é o único árabe no meio dos judeus da Rue Bleue e da Rue de Paradis. E claro que sabe dos pequenos furtos, mas não diz nada; sorri sempre, apenas. E é com a ajuda de Brigitte Bardot que começam a falar, e surge uma grande amizade entre Moisés e Ibrahim. Moisés precisava de um pai, de uma figura parental, no fundo, de alguém que fosse presente e o orientasse na vida - e Ibrahim, velho e sem filhos, vivia sozinho com os ensinamentos do Corão.
É um l…

2018 | Janeiro

Decidi reorganizar o blog com um post mensal que irá resumir o que li, o que comprei e o que tenho de novo nas estantes.

Recebidos A Livro Horizonte teve a gentileza de me enviar Pássaro que Voa, de Claudio Hochman, um livro que versa sobre a temática das migrações. Já trabalhei em Direitos Humanos e estudo actualmente Relações Internacionais, portanto a relevância do tema é para mim enorme. Ilustrado por Carlota Madeira Lopes, uma menina de 11 anos!

Da Guerra e Paz, recebi O Que Fazer, de Nikolai Chernyshevsk (Tchernichévski, no português), um livro que estava na minha wishlist há anos, e que consta ter dado o ímpeto revolucionário a Lenin. Novamente, estudante de Relações Internacionais: que mais poderia querer?
Comprados Comprei Mulheres de Cinza, de Mia Couto, que tinha dito aqui ser uma das minhas apostas para a Feira do Livro de Lisboa. Estava a 50% no Continente, portanto achei que era uma deixa para poder começar a ler a trilogia mais cedo!

Comprei a série de livros do ursinho …

Bouquinistes de Paris

E se fosse possível comprar livros em património da UNESCO?

Dos dois lados do Seine, é possível encontrar 1000 caixas verdes, de dimensões reguladas, recheadas de livros usados e postais antigos: são as "lojas" dos 240 Bouquinistes de Paris (bouquin é gíria para "livro"). Há mesmo quem diga que o Seine é o único rio que corre no meio de uma livraria, e as caixas verdes são classificadas como Património da UNESCO desde 1991.
Os Bouquinistes podem ser encontrados perto de lugares icónicos da cidade, como o Musée du Louvre (na Rive Droite - da Pont Marie ao Quai du Louvre) ou a Cathédrale de Notre-Dame (como na foto acima! Embora fiquem na Rive Droite, entre o Quai de la Tournelle e o Quai Voltaire, e não na Île de la Cité), e fazem parte do cenário da cidade, sendo esta uma tradição que data do séc. XVI. No entanto, hoje, no meio dos livros, é hoje possível encontrar todo o tipo de tarecos turísticos (apesar da legislação que permite que apenas uma em quatro caixas …

Viagens na minha Terra

Li este livro em Novembro, para o projecto "Ler os Nossos", da Cláudia. Mas nunca é tarde para escrever a opinião, certo?

Este não é, de todo, um livro popular. Até à data, nunca vi quem tivesse gostado dele: por exemplo, a minha mãe sempre me tinha dito que não suportava os amores da Joaninha, a Sara leu pela mesma altura que eu e não gostou, e temos a célebre frase da Sandra no último encontro do Clube dos Clássicos Vivos, "cortem-me os pulsos já". No entanto, eu sou teimosa. Isso, e gostei do Frei Luís de Sousa (também sou a única pessoa que gostou, do que percebo); então decidi, aquando da minha estadia no estrangeiro, ler aquela que é uma das obras mais conhecidas e menos apreciadas da literatura portuguesa.
A narrativa divide-se em duas grandes partes: a viagem do narrador por Portugal, e o romance trágico que lhe é relatado em Santarém. Não é, portanto, uma estrutura muito comum ou tradicional, e passei grande parte do livro a pensar como raio se ia enquadr…

A Economia mais Forte do Mundo

Apelando a que toda a gente leia Joseph Stiglitz.

Não é a primeira vez que faço uma review de um livro de economia; pode não ser comum, pode não ser popular, posso até, pessoalmente, não ler imensa não-ficção - mas sei que devia ler mais e, pessoalmente, adoro economia, especialmente a economia mais social, como é o caso das questões subjacentes à desigualdade, abordadas neste livro.
Ressalvo desde já: adoro Stiglitz e acho que muitas das minhas opiniões sobre economia o têm por base (ou ao Easterly).
O livro parte da premissa que a desigualdade é uma escolha - não das pessoas, perceba-se (não se argumenta que uma mulher escolhe receber menos que um homem, ou que pessoas de determinadas etnias escolhem ter menos vantagens que pessoas brancas), mas dos governos e das políticas económicas mantidas. Stiglitz acredita que foram as regras da economia que criaram a desigualdade, e contrapõe as suas sugestões de novas regras que podem efectiva e eficientemente adereçar o problema e mudar a …

Shakespeare & Company

O post muito pedido: aquela que é possivelmente a livraria mais conhecida de Paris.


In those days there was no money to buy books. Books you borrowed from the rental library of Shakespeare and Company, which was the library and bookstore of Sylvia Beach at 12 rue de l’Odéon.
A livraria que vemos hoje na 37 rue de la Bûcherie é, na verdade, Le Mistral, a livraria de George Whitman com outro nome, rebaptizada em 1964 em homenagem à livraria imortalizada em A Moveable Feast, o livro de não-ficção de Ernest Hemingway: a Shakespeare and Company, de Sylvia Beach, aberta em 1919 e fechada em 1941, durante a ocupação, para nunca mais reabrir.
a socialist utopia masquerading as a bookstore

É proibido tirar fotos lá dentro; têm de se deslocar a Paris, à livraria, se a quiserem ver, às suas estantes, vasculhá-la. Suponho que, com esta proibição, a livraria procure preservar-se, de certa forma - não só "obrigar" à peregrinação daqueles que a quiserem ver, mas também não se tornar naquilo …