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Mensagens

O Amor do Soldado

Aquele momento em que dá saudades de ler Jorge Amado.

Já falei deste livro aqui - de como o desconhecia, e de como chegou às minhas mãos.
Ler Jorge Amado é um pouco como voltar a casa. Peguei neste livro no Natal - menos dez dias depois de ter, realmente, voltado a casa, a Portugal, após dois meses a viver fora. Jorge Amado escreveu vários romances, mas apenas uma peça de teatro: O Amor do Soldado. Trata de Castro Alves, poeta brasileiro, figura muito ligada ao movimento abolicionista.
Castro Alves é o soldado desta história. O objecto do seu amor, no entanto, não é certo: se, por um lado, o poeta vivia uma intensa história de amor com a actriz portuguesa de teatro Eugénia Câmara, a verdade é que o seu amor pela liberdade e pela luta anti-esclavagista era forte; os dois amores eram conflituantes.

EUGÉNIA (subitamente revoltada) - Tu és apenas egoísta... Terrivelmente egoísta. Só pensas em ti, em tua luta, em tua obra, em tua poesia. Os demais não importam!
A vida de Castro Alves foi b…

2018 | Fevereiro

Mais um mês, mais um resumo!


Recebidos
O meu namorado ofereceu-me a Oxford Illustrated History of Theatre, um livro que eu queria há anos. Estava em wishlist mesmo, não na minha infindável lista de livros que quero um dia ler mas hei de lá chegar. Sou absolutamente fascinada por teatro e leio (e assisto a) muito menos peças do que gostaria. Haveria interesse em ler um post de recomendação de peças, ou algo assim?
Da LeYa, veio o Grande Manual de Reparação e Manutenção de Bicicletas. Isto pode parecer estranho - particularmente para quem me conhece e sabe que eu não sei andar de bicicleta -, mas o meu namorado comprou, há alguns meses, a sua primeira bicicleta de estrada e, apesar de já ter feito um bike fit, ela ainda não está no ponto. A sinopse do livro convenceu-me:
«O manual indispensável para ter a sua bicicleta sempre em forma. Um guia repleto de informação especializada, que o ajudará a escolher a bicicleta dos seus sonhos e a otimizar a performance da mesma. - Indicações passo …

Librairie Compagnie

Mais um dia, mais uma livraria.

Quem me falou nesta livraria foi a Carolina, por ter lido sobre ela num livro que se chama, precisamente, Livrarias. Localizei-a após sair do Musée de Cluny, onde tinha ido com o melhor companheiro ver uns unicórnios e ficar um pouco desiludida - mais fiquei pois, sendo Domingo, a livraria estava fechada. Mas claro que anotei para lá regressar no fim de semana seguinte.

A Rive Gauche é agora a minha zona preferida de Paris. Fora as Tuileries, vá; se outrora preferia a zona em torno do Musée du Louvre, e mesmo quiçá uma Place Vendôme que não representa de todo a cidade real, desta vez o lado artístico, cultural e recheado de livrarias de St. Michel e St. Germain conquistou-me totalmente. Atravessar a Île de la Cité, descer pela Blvd St. Michel, virar à direita na St. Germain e seguir em frente até ser altura de virar novamente à direita e terminar no Musée d'Orsay parece-me o passeio de sonho (isto aconteceu).
Mas estou-me a dispersar.

A Librairie C…

L'Écume des Pages  

Quantas livrarias lindíssimas haverá em Paris?

Estava a fazer a Blvd St. Germain, lado a lado com o melhor companheiro do mundo, num Domingo - dia em que, tradicionalmente, as lojas de rua estão fechadas, incluindo livrarias (excepto a Shakespeare and Company, que se afirma orgulhosamente aberta 7j7), quando me deparei com L'Écume des Pages, aberta. Maravilhosa localização: mesmo ao lado do Café de Flore, um dos cafés mais antigos da cidade, notoriamente frequentado por Georges Bataille (que já esteve na minha wishlist, mas depois de perceber que tinha sido influenciado pelo trabalho do Marquis de Sade deixou de estar), Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre (que usavam o café como escritório), Albert Camus, Picasso, Zadkine, entre outros nomes conhecidos.

Talvez o nome da livraria seja inspirado por L'écume des jours, de Boris Vian, que também frequentava o café do lado; entrei na livraria e fiquei imediatamente fascinada com o aspecto, a beleza das estantes preenchidas, o ch…

Librairie Galignani

Fui a esta livraria após um longo dia passado no Musée du Louvre.


A Galignani fica na rue de Rivoli, nas arcadas perto do Jardin des Tuileries, após uma enxurrada de lojas de souvenirs da candonga (e ao lado do mítico chocolate quente Angelina). Conhecia esta livraria de nome, por ser a livraria preferida da Mathilde, uma das minhas bookstagrammers favoritas. Foi a primeira livraria na Europa continental a vender livros em inglês, e por esse motivo (pois estava acompanhada pelo meu amor, que queria comprar um Dumas ou um Victor Hugo), aliado à proximidade relativamente ao Louvre, decidimos lá ir.

Tirei estas (poucas) fotos antes de me aperceber que não o podia fazer. A livraria é bonita - há toda uma parede de livros de capa dura em inglês, aqueles da Penguin super bonitos. A Mathilde, no seu post intitulado "Paris English Bookshops", alerta que, aqui, os livros são caros - livraria independente, e tal. No entanto, eu não esperava que fossem tão caros. Livros (em inglês) a …

The Waves

Dez anos depois, voltei a ler Virginia Woolf.


A minha relação com esta autora é profundamente complicada: corria o ano de 2007 e, inspirada por uma citação no meu livro de Sociologia do 12º ano, decidi ler Orlando. Tinha 17 anos e, não obstante me interessar imenso pela temática, o livro aborreceu-me muito. Um pouco descontente com os 3,09€ gastos, decidi esquecer a autora durante uns anos.
Era 2012 e um grande amigo meu decidiu ler Virginia Woolf. Pegou em Mrs Dalloway e a coisa não correu particularmente bem (desistiu após cerca de 30 páginas). Contei-lhe acerca da minha experiência acima, fizemos piadas várias sobre a nossa incapacidade de ler a obra da autora.
Mais tarde, naquilo que me pareceu um acesso de insanidade, ele leu The Waves. E adorou. Posteriormente, ofereceu-me uma cópia, e em Dezembro de 2017 finalmente peguei nela.
Imaginem uma biografia de seis melhores amigos, da infância até ao fim dos seus dias, não contada de forma tradicional, não contando os factos, eventos …