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Mensagens

Uma Pequena Sorte

Mary Lohan, Marilé Lauría, ou María Elena Pujol?

A D. Quixote diz que este é um thriller, e eu não leio thrillers; fiquei no entanto curiosa com a sinopse sobre uma mulher que tinha de reenfrentar o seu passado, uma mulher que já tinha sido três mulheres diferentes - e quis saber o porquê.
O início do livro é lento - muito lento. Tem algumas partes repetitivas, a reconstrução de um evento, mas ainda assim não sabemos o sucedido, aquilo a que vamos. No entanto, o desconhecido, neste livro, não me fez sentir desconfortável - fez-me sentir ansiosa por saber mais. Há livros (como Crónica de uma morte anunciada) que nos revelam tudo na primeira página; mas nem todos têm de ser assim, claro. Não tendo a perder interesse quando sei pouco sobre a narrativa, e isso é capaz de ser importante - sei que O Informador teve algumas dificuldades em se prender na leitura por este motivo.
Mas, como já disse, esta lentidão no desenrolar da história cativou-me. Sabemos que esta mulher, agora radicada em…

A Hora da Estrela

A dose anual de Clarice.

Este é o último livro da autora, uma novela na qual é relatado um tema ainda actual: a pobreza no Brasil. Rodrigo SM, o misterioso narrador do livro, diz que vai falar de uma outra pessoa, cuja identidade, a início, não é clara, no meio do monólogo errático do narrador - mas finalmente conhecemos Macabéa, a nordestina que procura uma vida melhor na cidade grande.
– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? – Macabéa. – Maca - o quê? – Bea, foi ela obrigada a completar. – Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
Rodrigo confessa a sua dificuldade em escrever sobre Macabéa, e é fácil compreender porquê.
Macabéa é uma pessoa... diferente. Rejeitada desde a infância, em Alagoas, onde nascera, órfã desde muito cedo, maltratada pela tia que a criou. Mal Macabéa se tornou maior de idade, a tia procurou ver-se livre dela, e arranjou-lhe um emprego, ainda antes de morrer, no Rio de Janeiro, como dactilógrafa. Macabéa vive num cubículo, numa casa que partilha co…

A Casa de Bernarda Alba

Um dos livros para os quais eu tinha maiores expectativas.

Tive a oportunidade de ver esta peça em cena pela byFurcação, no ano passado, e achei sublime. Estava à espera que o meu amor me emprestasse a sua edição (em espanhol), que ele lera em segredo antes de irmos ver a peça, mas por motivos vários isso não aconteceu até agora. Assim, quando a minha irmã recebeu esta edição de prenda, e após a ter lido e apreciado, pedi-lha.
A Casa de Bernarda Alba é uma peça singular por um motivo: não tem qualquer personagem masculina. Bernarda tem cinco filhas (Angustias, Magdalena, Amelia, Martirio e Adela), uma mãe louca, Maria Josefa, algumas empregadas, destacando-se Poncia. A visita que recebe é de uma mulher. No entanto, acabam por ser os homens o tema central, nomeadamente Pepe Romano. Foi a última peça que Federico García Lorca escreveu, pouco antes de ser assassinado, possivelmente pelas forças nacionalistas da Guerra Civil Espanhola. Esta peça, porém, tem pouco de político - tem muito d…

El-Rei Junot

Quis ler este livro por um pequeno excerto que li num artigo da Sábado descoberto por acaso.

O príncipe regente bota a cabeça de fora e, ao avistar a carruagem de Carlota Joaquina, berra num desespero: – Parem! Parem! Voltem para trás que aí vem a p...!
Estava D. João VI fugindo das invasões francesas, em direcção ao Brasil e, parece-nos, fugindo também da sua esposa.
El-Rei Junot é um livro único: de Raul Brandão, à data, conhecia apenas o nome (muito ligado a Húmus), e esta obra tem uma estrutura extremamente atípica. Se pensarmos no Guerra e Paz, de Tolstoy, temos um romance histórico, que nos relata a guerra e lá entrelaça, nos tempos de paz, os dramas de algumas famílias russas; aqui, temos os relatos de guerra, da família real, da população portuguesa - a forma como o domínio francês sobre o território português afectou a história, a cultura e a sociedade do país.
Portanto, para quem esperava um romance histórico: não é um romance histórico, embora envolva algum (bastante) do dra…

Meninas

Finalmente colmatando a lacuna "Maria Teresa Horta" da minha lista de autores lidos.

Optei por Meninas para começar por se tratar de um livro de contos, em prosa, sendo Maria Teresa Horta mais conhecida pela sua poesia; sendo eu conhecida por não saber apreciar poesia, pareceu-me uma escolha mais acertada.
Conhecer um pouco da vida de Maria Teresa Horta ajuda a compreender a sua obra, que muito tem de autobiográfico. Em muitas entrevistas é possível ler sobre a relação da autora com a mãe, e em muitos contos é possível reviver um pouco desta relação. Beatriz, Laura, Maria do Resgate, Lucinha.
Quando acordou já ninguém falava de outra coisa, a começar pelo príncipe D. João, radiante e sorridente. Mas a primeira pessoa a ser informada fora a Rainha. (...) Afeiçoara-se àquela menina arredia, como se ela de algum modo tivesse vindo substituir-lhe a filha que, no mesmo dia em que a infanta chegara vinda de Madrid, tinha partido para casar em Espanha.
E se alguns dos contos são au…

Blacksad #5 Amarillo

Comecei a ler uma série de banda desenhada pelo volume 5.


Comprei este livro no ano passado, maioritariamente pela capa, como poderão ter tido oportunidade de ler neste meu post sobre a Feira do Livro. É um gato a conduzir um carro amarelo, ou seja, basicamente tudo o que eu podia pedir da capa de um livro.

Para quem segue este blog há pelo menos um ano, sabe que estou ainda a recuperar um certo atraso nos posts - emigração laboral de dois meses, uma cirurgia e uma pós-graduação complicaram-me um pouco a vida. Assim, já sabem que eu comprei os volumes #2 e #4 na Feira do Livro de Lisboa, e, dada a sua indisponibilidade por terras lusas, irei encomendar os restantes na Amazon espanhola. Isto deve-se ao facto de, não obstante ter gostado deste livro, achar que o perceberia melhor tendo lido todos os anteriores.
Ora, um carro amarelo, Amarillo, Texas, muito amarelo em geral. As cores neste livro são lindíssimas, o calor do sul dos Estados Unidos traz-nos mais amarelo e cores vivas, a con…