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Mensagens

Festa do Livro de Belém 2018

Vamos a mais uma facada na utopia de comprar menos livros?

Confesso: a esta feira/festa eu já vinha com a ideia pré-feita de, tal como no ano passado, aproveitar para comprar livros do fundo de catálogo da Europa-América, nomeadamente a bibliografia do grande Jorge Amado.
Este ano fui acompanhada e melhor prevenida: o meu namorado não estava a trabalhar, e, em vez de ficarmos a torrar ao sol da fila do Museu da Presidência, entrámos pelo Jardim Botânico Tropical, que eu vira nas redes sociais ser uma entrada alternativa - e uma excelente alternativa, acrescente-se, pois estava muito mais calma e é uma oportunidade para visitar o jardim de graça (oportunidade que não aproveitámos particularmente, pois o calor era muito).
Demos cerca de volta e meia ao espaço, e a certa altura ainda parei na restauração (que não tinha visto no ano passado), porque o calor era muito, eu fraquejava (sou criatura de tensão baixa), e cedi ao menu bola de berlim + café das Bolas da Praia. Mas vamos ao que i…

2018 | Agosto

Agosto foi, ao contrário de outros anos, mês de fracas leituras.


Recebidos
Da Minotauro, para meu enorme prazer, recebi o primeiro volume da Obra Completa de Maria Judite de Carvalho, que poderão ver por este blog ser das minhas autoras favoritas.
Do meu namorado, de férias no Algarve, recebi Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, que me encheu de curiosidade após o lançamento da novela gráfica pela GFloy.

Comprados
Os planos de compras estavam a apontar para os zero, mas tive umas férias "surpresa" no final do mês e fui para a terra dos meus avós, na raia. Aproveitei para ir a Salamanca - das minhas cidades favoritas -, e sucedeu-se que, pela primeira vez, decidi que ia comprar livros nesta cidade. Anotei algumas livrarias - roteiro literário para breve! - e comprei, de uma lista de quatro títulos, apenas dois: Frida Kahlo, de María Hesse (debaixo de olho desde Fevereiro), e La loca de la casa, de Rosa Montero.

Lidos
Mês de fracas leituras, tinha eu já dito... Andei o mês inteir…

Há Gente em Casa

Quem me conhece, sabe que leio pouca poesia - e que gostei muito do pouco que li de Ondjaki.

Assim, abracei esta oportunidade de ler o seu mais recente lançamento, Há Gente em Casa. O meu namorado já leu vários livros do autor, incluindo a sua poesia, dizendo que gosta muito mais da prosa, mas dei total oportunidade a esta obra.
as feridas falam dos dias na solidão, e da extensão do percurso. trago esse pouco que é quase nada. arrasto ruídos para anunciar a minha vez. chego como quem está ainda por chegar.
Não sei muito sobre poesia - não sei falar sobre poesia. Quantas vezes tenho de dizer isto? Mas as palavras de Ondjaki são bonitas, muito bonitas. É um livro pequeno, com poemas pequenos, de rápida leitura; são poemas de liberdade, mas também de solidão. E da vida. Às vezes há gente em casa - mas estamos sozinhos.
4/5

Podem comprar esta edição aqui.

Contos Exemplares

Regressando a Sophia de Mello Breyner.

Sophia é sempre um regresso, mas nunca o regresso mais ansiado: li, na escola, a sua poesia e o Cavaleiro da Dinamarca; li, por recreação, A Fada Oriana. Se gostei muito do último, o que dei na escola não me disse rigorosamente nada. Assim, com a nomeação desta obra para o Clube dos Clássicos Vivos, perguntei à minha mãe se este livro existia na biblioteca da escola onde ela trabalha.
Estudei naquela escola dois anos e, graças às funções da minha mãe, li os livros daquela biblioteca durante muitos mais. Lembro-me em particular de, no 6º ano, ter demorado cerca de dois meses a devolver um livro da Alice Vieira, que tinha na mochila, mas simplesmente esquecia-me de lá voltar. Também me lembro que, em 2000, era membro tão assíduo da biblioteca que fui escolhida para uma visita de estudo especial ao Amadora BD. Trouxe de lá o Diário de Anne Frank, o primeiro Harry Potter, do qual desisti a meio (nem a meio), e foi lá que descobri Milo Manara.
Mas vo…

Le tour du monde en 80 jours

Confissão: li este livro meio a contra-gosto.


Foi o eleito do Clube dos Clássicos Vivos para Maio/Junho, e era um livro no qual eu tinha pouco interesse. Porquê? Porque conhecia a história, por exemplo. Porque sabia que era a história de um tipo que fazia a volta ao mundo em contra-relógio por uma aposta, sabia o seu desfecho (vi os desenhos animados do Willy Fogg em pequena, e confesso que desses gostei e muito)... e não me sentia particularmente cativada. Mas cedi.
Li o livro em francês; Verne é um bom autor para quem tem algumas noções de francês, pois escrevia para um público juvenil, logo, sem grandes floreados ou complicações. Do autor, já tinha lido Voyage au centre de la terre, do qual gostara bastante e que já me tinha confirmado esta noção.

Phileas Fogg é a pessoa mais apática e pontual do mundo; tudo na sua vida está medido, até as suas emoções, o que é um pouco aterrador. Assim, até a sua viagem está calculada, ao minuto, de modo a saltar de comboio em barco em navio em au…

Os Armários Vazios

Anuncio desde já a minha total devoção a Maria Judite de Carvalho.


Por que é que demorei tanto para pegar neste livro? Tendo já lido Tanta Gente, Mariana, e Seta Despedida (e tendo convencido várias pessoas a ler a autora, especialmente o da Mariana, que é o mais fácil de encontrar), demorei demasiado a pegar neste.
Maria Judite de Carvalho tem lugar cativo no meu coração.
Fiquei surpreendida, desde início, na leitura desta obra, por se tratar de um romance - a autora tinha-me "habituado" a colectâneas de contos. Mas isso é bom, porque os contos deixam sempre aquele desejo de algo mais. A protagonista é, mais uma vez, uma mulher sozinha em Lisboa: Dora Rosário, viúva há dez anos. Tendo empobrecido rapidamente após a morte do marido, Dora arranjara um emprego num antiquário, e contava com o apoio dos sogros na educação da sua única filha, Lisa. Dora era uma mulher de rotinas: casa, trabalho, uma mulher algo triste, sem tempo para pensar em si. Tudo isto, até ao 17º aniversári…