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Midnight's Children

Debati-me com este livro ao longo de três meses. Fui ver Salman Rushdie falar ao Folio, em Outubro de 2016 , sem nunca ter lido nada do autor. Essa lacuna prolongou-se até este ano, vergonhosamente. Dois anos volvidos, li Midnight's Children , o seu primeiro grande sucesso e um dos livros mais aclamados de sempre. E a sensação que retiro é que o livro é demasiado para mim, enquanto leitora. Não sei se demasiado bom - demasiado complexo - apenas demasiado . What's real and what's true aren't necessarily the same. Para começar, esta não é uma leitura rápida, de todo; é uma leitura quase desagradável de tão lenta, devido à multiplicidade de personagens, à densidade da prosa, e à frustração de um narrador que salta de ponto em ponto, frisando coisas que julga serem importantes mas que parecem meros detalhes, negando-se a revelar aquilo que é, de facto, importante. O personagem principal, Saleem Sinai está a escrever uma história sobre a sua vida, ao mesmo tem...

O Deus das pequenas coisas

Demorei demasiado tempo a pegar neste livro. É 1969 e apesar da não tão recente independência da Índia, o sistema de castas prevalece. "Ammu" Kochamma, filha de um entomólogo respeitável (conhecido como "Pappachi") e de uma violinista ("Mammachi"), queria fugir ao casamento arranjado e às tradições, e casa-se numa visita a familiares em Bengali, um pouco contra a vontade da família. Acaba por se divorciar do marido, por este ser alcoólico e violento, mas não sem antes ter dois filhos gémeos: Esthappen, um rapaz, e Rahel, uma rapariga. Volta então para a sua casa de família em Ayemenem, condenada a viver como uma pária da sociedade devido ao seu divórcio. Interessante será notar, desde já, que o chefe da família era Chacko, seu irmão, membro do Partido Comunista, e também divorciado, de uma mulher inglesa - divórcio não tão mal visto porque, lá está, era um homem. A restante família era Mammachi, já cega (Pappachi tinha morrido, após anos enquanto...

milk and honey

O livro que há que tempos ansiava ler. Comprei este livro no início do mês, em Inglaterra, conforme escrevi aqui há dias, e peguei-lhe praticamente logo. É um livro em verso livre, de uma beleza enorme, seja nas suas palavras, seja na edição - e li-o praticamente de uma assentada, num só dia. if you were born with the weakness to fall you were born with the strength to rise Cada poema, cada página, é infinitamente pessoal, e ao mesmo tempo universal, descrevendo eventos, emoções e sentimentos muito fáceis de reconhecer. O livro está dividido em quatro partes: the hurting, the loving, the breaking, the healing . Falam de perda, de amor, de ser mulher, de trauma, de corações partidos, de figuras paternas negativas, de violência. Mas de muito, muito amor. É incrivelmente bonito, é incrivelmente forte. E é também incrivelmente positivo. A parte do healing acaba por ser o final não necessariamente feliz, mas apaziguador, do livro. Esta é a viagem pessoal...