Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de 2021

Freshwater

Um dos livros mais difíceis de explicar que li no último tempos. Freshwater é uma obra cheia de camadas que parecem nem sempre encaixar, caber, coincidir. É a história de Ada, que, quando nasce, tem vários ogbanje presos no seu corpo. Ada é uma jovem nigeriana cuja identidade se encontra por isso fracturada, em cuja "mente", uma sala de mármore, vive não só ela, mas vários deuses, espíritos, ogbanje , que se encontram presos a ela, talvez por erro, porque por que motivo deuses quereriam estar num corpo mortal? It’s not easy to persuade a human to end their life – they’re very attached to it, even when it makes them miserable, and Ada was no different. But it’s not the decision to cross back that’s difficult; it’s the crossing itself. O livro é maioritariamente narrado por estes espíritos que, apesar de externos a Ada, a habitam. Estes espíritos têm vontades próprias, não estão habituados a vidas mortais, a formas físicas, e, de forma mais ou menos activa, parecem puxar pelo m

2021 | Novembro

Vamos sacar um post de resumo do mês em poucos minutos, sim? Estou desinspirada. Comprados & Recebidos Prenda de Natal mega antecipada de outrém, Em nome da terra, de Vergílio Ferreira. De mim para mim, com uso de vales da Wook, os dois da Jacqueline Harpman ali em cima. Lidos Mês produtivo/aleatório: Solutions and other Problems, de Allie Brosh , Cântico dos Cânticos , Talking as Fast as I Can, de Lauren Graham , Freshwater, de Akwaeke Emezi, The Girls Are All So Nice Here, de Laurie Elizabeth Flynn , Go Tell it on the Mountain, de James Baldwin, Gathering Blue, de Lois Lowry (estou a ler o quarteto do The Giver), Embers, de Sandor Marái, que acabei ontem. Perdi o ritmo do blog algures aqui pelo meio. Ler os Clássicos O mês de Novembro trouxe-nos a poesia ou o teatro, e eu li o Cântico dos Cânticos . Outras leituras: Cálamo, de Walt Whitman ; Poesias, de Álvaro de Campos ; Poetas Russos Para Dezembro, o desafio é reciclado de Janeiro de 2020 (acabamos ccomo começámos): um livro a

The Girls Are All So Nice Here

Não é exactamente fácl escrever sobre este livro. Novamente, talvez não o tipo de livro que eu costumo ler, mas às vezes sinto necessidade de um entretenimento mais simples. O que me atraiu na premissa de The Girls Are All So Nice Here  foi saber que o livro tratava de uma reunião de turma, passados vários anos, e que o título era claramente uma mentira. Se algum dia me convidarem para uma reunião de turma, seja da escola, seja da faculdade, garanto que não vou. As pessoas com quem ainda me dou são poucas, e tenho zero interesse nas demais. Quando Ambrosia Wellington, a narradora, recebe um convite por email para ir à reunião de dez anos do seu ano da faculdade (Wesleyan), a sua resposta imediata é apagar o email - um gesto que eu consigo compreender. No entanto, as nossas motivações são distintas. Não tenho nenhum passado sombrio que procure esconder. Quando, há mais de dez anos, li The Virgin Suicides , de Jeffrey Eugenides, gostei muito do livro, e a frase icónica de Cecilia ficou c

The Song of Achilles

"Name one hero who was happy." Após ter lido Circe , no ano passado, e gostado, fiquei convencida para ler The Song of Achilles  e cheguei mesmo a projectar leitura conjunta com um amigo. Ele leu o livro, na altura, e não ficou nada convencido; eu por algum motivo só o li agora, mesmo tendo ouvido de várias pessoas que este seria ainda melhor que Circe . A verdade (e sem rodeios) é que não fiquei 100% convencida com os Patroclus e Achilles que Madeline Miller aqui apresenta. Juntando várias versões do mito, tal como em Circe , Miller faz aqui uma narrativa mais coesa, cronológica e linear do que no outro livro, mas parece retirar (ou minorizar) muito do espírito e das maravilhas da mitologia grega. Temos aqui a vida de Patroclus narrada pelo mesmo, com uma breve incidência sobre a sua infância até à sua ostracização de casa do seu pai, que o conduziu ao exílio em Phthia, casa do rei Peleus, pai de Achilles, que tinha por hábito albergar jovens órfãos ou exilados (para, perceb

Talking As Fast As I Can

Novembro está a demonstrar ser um mês de leituras variadas e muitíssimo aleatórias. Nestes meus longos meses de praticamente-reclusão, comecei a ver muita televisão. No meio da muita televisão que vi, vi as sete temporadas originais de Gilmore Girls e os quatro filmes do revival . Tinha visto parte da série há vinte anos (até suei frio ao escrever isto) e achei que seria uma boa série para ver ao fim de dias de trabalho. Tinha razão. Estou aqui preparadíssima para quem quiser debater várias questões fracturantes da série. Entretanto, tinha já alguma curiosidade acerca desta pequena memória de Lauren Graham, e ter acabado a série e andar sem vontade de ver nada na televisão fez-me pensar precisamente neste livro, cujo subtítulo é "From Gilmore Girls to Gilmore Girls, and Everything in Between". Adianto desde já: o livro não é nada de muito fascinante e, nesse sentido, cumpre expectativas. Aparentemente o audiobook é narrado pela própria, e ela fala mesmo o mais rápido possível

Cântico dos Cânticos

O desafio para Novembro era ler um clássico de poesia ou teatro. O Cãntico dos Cânticos  é (pasmem-se) parte da Bíblia. Este texto é tradicionalmente atribuído ao Rei Salomão, e é de enorme interesse a vários níveis - principalmente, porque parece destoar dos restantes textos da Bíblia (que, atenção, nunca li) pelo seu cariz mais sensual e por não abordar a lei de Deus ou outros ensinamentos/sabedorias. Fala, aliás, da beleza e do mistério do amor. Embora algumas das alegorias e simbolismos se percam para mim (Torre do Líbano, por exemplo), e de outras questões estranhas ou que podem não ter envelhecido muito bem (invocar relações familiares, comparação com animais, atenção esquisita à cor da pele), o texto é de beleza intrínseca e fala sobre não apressar o amor, pois este irá "despertar" quando estiver pronto.  ah como estás bela minha amiga      ah como estás bela com teus olhos de pomba oh como estás belo meu amado e que doçura     o nosso leito entre a verdura os cedros

Solutions and Other Problems

Sou fã da Allie Brosh há vários anos; o primeiro livro dela foi dos pouquíssimos que comprei em pré-venda, e é das primeiras opiniões neste blog . Pouco depois do lançamento de Hyperbole and a Half , o primeiro livro, o segundo foi anunciado. Também fiz pré-compra, mas o livro começou a ser adiado indefinidamente, infinitamente, e foi praticamente cancelado, até que saiu no ano passado. Se no primeiro livro, Allie Brosh falava maioritariamente da sua infância (e de como foi uma criança esquisita), reciclando algum do material do blog (incluindo os seus posts  magníficos sobre depressão e saúde mental). Solutions and Other Problems  parece mais pessoal, e acaba por ser mais esquisito. Aqui, a autora menciona algumas histórias de infância ( uma delas está disponível no blog ), mas também muito daquilo por que passou desde o lançamento do primeiro livro até a publicação do segundo: doença física e mental, divórcios (o seu e o dos seus pais), morte. O humor do blog e do primeiro livro cont

The Woman In Black

Decidi ler este livro logo após The Woman in White , de Wilkie Collins , para fazer uma sequência de mulheres monocromáticas (a mim, fez sentido). I did not believe in ghosts. What other explanation was there? Escrito nos anos 80 mas com um ambiente de gótico vitoriano, com um verdadeiro old-time feel , este livro, passado também algures em tempos mais remotos, é narrado por Arthur Kipps e, à boa maneira das histórias de fantasmas, o próprio narra com alguma incredulidade uma situação pela qual passou, vários anos antes, que o traumatizou, e que ainda não consegue bem racionalizar. Não sendo exactamente uma história de autêntico terror (se é que eu sei ao certo o que isso é), tem uma atmosfera específica, uma sensação premente de medo.  Arthur é um homem algures nos seus 40-50 anos. É natal, e os seus enteados decidem seguir a boa velha tradição de contar histórias de fantasmas, o que acaba por tirar Arthur do sério, sendo que ninguém percebe o porquê; após alguma auto-reflexão e auto-

O Castelo dos Animais, Vol. 2: As Margaridas do Inverno

A continuação que eu tanto ansiava ler. Após ter adorado o vol. 1, sabia que iria ler o vol. 2 de O Castelo dos Animais  mal o tivesse. A oportunidade deu-se com o Amadora BD. Se o primeiro livro foi impressionante, o segundo não fica atrás: as ilustrações e os cenários são apaixonantes, belíssimos, não obstante a história dura que relatam; o trabalho das cores, as cenas mais dramáticas, o frio passado pelos cenários de inverno, com os animais a trabalhar na neve... As Margaridas do Inverno  continua a história duríssima do primeiro volume, não tornando a vida mais doce para os vários personagens. O contraste entre a beleza das ilustrações e a dureza da história é difícil de digerir. Os animais do Castelo enfrentam situações verdadeiramente críticas, e usam a sua pobreza, o seu sofrimento e a sua honra para lutar sem violência pelo fim da ditadura. A protagonista, Miss B., continua com uma força imparável, como uma fonte de esperança apesar das dificuldades e das pressões para ceder. 

2021 | Outubro

Aproximamo-nos rapidamente do final de 2021; mentalmente, ainda estou em 2020. Comprados & Recebidos Este mês foi comedido, eu acho. Chegou, após enorme atraso da Amazon (enfim), Red Comet , de Heather Clarke. Também deram entrada na estante As Inseparáveis , de Simone de Beauvoir, e A última coisa que ele queria , de Joan Didion. No Amadora BD (mais sobre o evento daqui a pouco), comprei o vol. 2 de O Castelo dos Animais , de Delep e Dorison, que li praticamente mal cheguei a casa. Lidos Além de O Castelo dos Animais , terminei Um castelo em Ipanema , de Martha Batalha , li duas mulheres monocromáticas ( The Woman in White , de Wilkie Collins , e The Woman in Black , de Susan Hill), li o The Song of Achilles  da Madeline Miller e ainda Solutions and other Problems , de Allie Brosh. Por momentos pensei que tinha mais para acrescentar aqui, mas a verdade é que o The Woman in White  é longo e o Achilles  se arrastou. Ler os Clássicos O desafio para Outubro era ler um clássico gótico,