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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2020

Uma família inglesa

O desafio para Agosto era ler um clássico do séc. XIX. Tendo lido um batalhão de vitorianos em tempos idos, decidi virar-me para um clássico português e um autor que, para mim, seria uma estreia. Assim, li Uma Família Inglesa , de Júlio Dinis, autor que tinha nas mais altas recomendações após o meu respectivo ter lido e adorado o seu mais popular, as Pupilas . Tendo-me envolvido em várias outras leituras, infelizmente em simultâneo, acabei por deixar a leitura do meu próprio desafio (!) para o final do mês, tendo concluído ainda a tempo. Já tinha lido no blog da Cristina , e confirmo: os dois primeiros capítulos são tenebrosos e convencem qualquer um a abandonar a leitura. Ao contrário do que comentara no post  dela, li o livro começando por esses dois prólogos terríveis; o sobreaviso foi, porém, útil, caso contrário teria realmente passado o livro e optado por uma outra obra.   Antes de mais: foi uma experiência bastante positiva, mas não fiquei rendida. A família

Criminal, Vol 2 - Os Mortos e os Moribundos + Uma Noite Má

O segundo volume desta série fabulosa. O primeiro volume desta edição, Os Mortos e os Moribundos , passa-se algures em 1972, sendo assim talvez uma prequela aos arcos anteriores. Temos aqui Jake e Sebastian, dois jovens que crescem juntos por os seus pais terem construído um império do crime juntos - mas ambos de mundos muito diferentes, mais não seja pelo estatuto social de Jake, filho do suposto guarda-costas do pai de Sebastian Hyde, sendo que este assume o papel de herdeiro rico e chefe do crime. Jake é um promissor  boxer  e tenta focar-se nessa sua carreira, e a amizade de ambos começa a desfazer-se graças a uma rapariga: Danica. É a paixão de ambos por Danica - que acaba por escolher Sebastian, com o seu atractivo de bad boy  branco e herdeiro do crime - que leva ao fim da amizade de dois rapazes que cresceram como irmãos; e é o seu regresso a Central City que desencadeia todos os eventos trágicos de 1972.   Esta história é-nos narrada em três capítulos, mostr

Fora da Estante #3

O terceiro episódio! Podem comprar aqui os livros mencionados: Vernon Subutex, Virginie Despentes |  português  |  inglês  | francês Less than Zero, Bret Easton Ellis |  português  |  inglês The Bleeding Edge, Thomas Pynchon |  inglês O libertino passeia por Braga a idolátrica o seu esplendor, Luiz Pacheco | esgotadíssimo Os passos em volta, Herberto Hélder |  português Gente Melancolicamente Louca, Teresa Veiga |  português Novamente: disponível no  Spotify  na  Apple  e  noutras plataformas . O próximo será daqui a duas semanas.

Habibi

Um portento. As quase 700 páginas e a capa belíssima intimidam. E a verdade é que este não é um livro para ser lido de ânimo leve, não pela dimensão, mas pelas temáticas abordadas. Tendo-o terminado há uns dias, afirmo que Habibi  é um livro que fica com o leitor. Habibi  é uma obra sobre o amor nas suas várias formas, e enquanto valor maior. É violento, é brutal, tem arte magnífica entrelaçada com uma narrativa construída de forma brilhante e desconfortável. A palavra  habibi  significa "meu amado" (ou algo para esse efeito), e o livro mostra-nos como, no meio de violência sexual, escravatura, homicídios e haréns, o amor consegue sair, não vitorioso, mas, de alguma forma, enaltecido. E é, potencialmente, uma obra controversa. Vi várias opiniões nos últimos dias que falam de sexismo, orientalismo, racismo, apropriação cultural. Sobre a forma como a imagem do corpo feminino é usada e explorada ao longo da obra - quando é que as imagens sexualizadas, utilizadas

A Dança da Água

Terminei o primeiro de muitos livros a ser lidos em simultâneo. Como mencionei no meu resumo mensal, Ta-Nehisi Coates seria uma estreia para mim, quer me iniciasse na sua ficção ou não-ficção, que encomendei e chegou à minha estante sensivelmente na mesma altura que este. Acabei por optar por A Dança da Água , por ter mais facilidade e hábito de ler ficção, e por ser um lançamento que me andava a entusiasmar. Esta é também a estreia do autor em ficção. É difícil escrever sobre este livro, na verdade. Seguimos a história de Hiram "Hi" Walker, que nos é contada pelo mesmo, na primeira pessoa, em retrospectiva. O jovem Hiram, nascido na propriedade de Lockless (nome irónico), na Virginia do tempo da escravatura, sabe ser filho de uma escrava, Rose, de quem não se recorda, e do proprietário da plantação de tabaco. Aqui, existem dois grupos de pessoas: os "Incumbidos" ( Tasked , no original inglês), como quem diz, os escravos, e o "Poder" ( Qualit

Fora da Estante #2

O segundo episódio! Podem comprar aqui os livros mencionados: The Remains of the Day, Kazuo Ishiguro | português  |  inglês A casa dos espíritos, Isabel Allende |  português  |  inglês  | espanhol Ensaio sobre a cegueira, José Saramago |  português Anna Karenina, Lev Tolstoy | português  |  inglês O amante, Marguerite Duras |  português  |  francês Novamente: disponível no  Spotify  na Apple e  noutras plataformas . O próximo será daqui a duas semanas.

Roughneck

A minha estreia com Lemire-ilustrador. Que, para mim, veio cimentar o enorme talento que eu já lhe reconhecia. Na cidade fictícia de Pimitamon, no frio e escuro Canadá, encontramos Derek Ouellette, um antigo jogador de hockey "caído em desgraça" e, acima de tudo, cheio de traumas. Derek é violento - algo que descobrimos logo no prefácio, até porque foi a sua violência excessiva que pôs um fim forçado à sua carreira; aquilo que não sabemos é que esta é uma história de redenção, coragem e perda. Derek Ouellette está a tentar colocar a sua vida nos eixos, com muita dificuldade; tem um emprego num restaurante, como cozinheiro, e está sempre a meter-se em confusão, por mais que os amigos o tentem proteger e resguardar. Muitos dos seus traumas, tenta afogar em álcool. Sendo Derek um tipo duro, o álcool não traz ao de cima exactamente aquilo que ele tem de melhor... e as coisas conseguem piorar quando Bethy, a sua irmã há muito desaparecida, aparece sem avisar. E se ach

Opéra Garnier

Post que devia ter saído há dois anos e meio... Houve dois factores que me levaram a publicar este post, não obstante o timing  se ter perdido há muito. O primeiro é a alguma saudade de viajar, que deve ser mais ou menos generalizada hoje em dia. O segundo motivo é mais abstracto. Após ter visto e adorado Cézanne et Moi , um filme sobre a amizade do pintor com Émile Zola, fiquei não só com uma vontade enorme de ler todos os Rougon-Macquart (por ordem - 2021 talvez? 2022? Tenho de os comprar primeiro), mas também com muita saudade da cidade que me acolheu durante dois meses e que mais vezes visitei.   A Opéra Garnier é, para mim, o expoente máximo da Belle Époque (em alternativa, o Moulin Rouge, eternizado - novamente, para mim - mais no French Can-Can  que no musical do início do século) e da cidade de Haussmann. Duas das três vezes que fui a Paris, tinha menos de 26 anos, o que significa que tinha acesso gratuito a vários dos museus e monumentos mais icónicos da cidade