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A mostrar mensagens de Abril, 2021

2021 | Abril

Mês de enorme desmotivação e blur  mental vasto. .  Comprados & Recebidos Fiz anos e tive direito a umas coisinhas: de mim para mim, o há mais de dez anos desejado House of Leaves , de Mark Z Danielewski; do agregado familiar, W e3 , de Grant Morrison e a boxset de manga do The Legend of Zelda , de Akira Himekawa ; e de amigas, a adorável História da Arte em 21 Gatos , de Nia Gould, o também muito desejado Sou um Crime , de Trevor Noah, e o Cânone , recentemente editado pela Tinta-da-China. Também deram entrada Diários de 1992 , de Rosa do Rio (oferta da autora) e Plainsong , de Haruf Kent. Este último foi uma enorme supresa: veio na caixa surpresa (versão língua inglesa) da livraria Indie Not a Bookshop e a minha primeira impressão foi "nunca ouvi falar"; no entanto, quando fui adicionar ao Goodreads, vi que tinha em wishlist  desde 2015... Além disso, fomos assolados por uma loucura compradora no Awesomebooks, que ainda não deu total entrada cá em casa, mas já chegaram:

Contos Completos de Graça Pina de Morais

O tema do #lerosclássicos2021 para Abril era ler contos, ou uma novella . E esta leitura inclui-se, ainda, no #médicosescritores e no #abrilcontosmil. Três em um! Foi esta a minha estreia com a obra de Graça Pina de Morais, de quem tenho ainda, na estante, A Origem . Esta nova edição compila, por ordem cronológica, os contos de Graça Pina de Morais, médica, de quem nunca ouvira falar. Os contos variam em dimensão e, de certa forma, em temática; mas, subjacente a todos, encontra-se uma linha comum: a angústia da existência. Nos vários contos desta obra, conhecemos homens e mulheres que, de algum modo (às vezes com um motivo mais explícito), demonstram frustração, tristeza, sentimentos de insignificância e descontentamento com a vida, muitas vezes com a vida amorosa ou conjugal, mas com raiz sempre mais funda que um simples "mal de amor", uma raiz mais traumática. Os contos retratam pessoas banais, em circunstâncias mundanas e cenários simples, com sofrimentos também eles comun

Moi qui n'ai pas connu les hommes

Possivelmente das leituras mais fortes que alguma vez fiz. Este livro foi-me recomendado por uma amiga que fiz quando estive a trabalhar em Paris. Nunca ouvira falar de Jacqueline Harpman, mas o título deste livro é sonante: eu que nunca conheci os homens . Soa talvez a título de obra feminista, mas não: Moi qui n'ai pas connu les hommes  é uma obra filosófica, talvez distópica, narrada por uma protagonista sem nome, que cedo descobrimos estar absolutamente só no mundo - e que está a morrer. Je n'avais jamais pleuré. J'avais aussi horriblement mal à l'âme que le cancer me fait mal au ventre et, moi qui ne parle plus jamais car il n'y a personne pour m'entendre, je me suis mise à l'appeler, je répétais Théa! Théa! j'étais incapable de tolérer qu'elle ne soit pas là, qu'elle ait laissé la mort s'emparer d'elle, l'arracher à mes bras maladroits, je me suis reproché de ne pas l'avoir retenue, d'avoir compris qu'elle n'en p

Aqui Mesmo

 Talvez melhor em ideia que em execução. Aqui Mesmo  segue Artur Mesmo (Arthur Même), o soberano por direito de Mornemont, uma espécie de pequena ilha algures entre a França e a Suíça, um território isolado - soberano por direito, descendente de uma família privilegiada, mas que terá perdido todos os territórios da ilha. Sobram-lhe os muros e os portões, pelo que vive numa espécie de cabana em cima dos muros e passa o dia em correrias, em cima destes, para abrir os portões, gesto pelo qual cobra portagem. Artur reune frequentemente com advogados, procurando reaver a terra que perdeu, e depende de um pequeno mercador marinheiro para comer. A premissa é interessante, de forma absurda: temos aqui um homem que, mais que excêntrico, demonstra ser extremamente disfuncional, preso à ideia da usurpação e divisão dos territórios, que crê ter sido ilegal, recusando-se a partir. É a sua luta pelo que crê ser seu por direito que traz várias externalidades à sua vida, reservada, curiosamente vivida

As Falsas Memórias de Manoel Luz

Este é outro livro que deu entrada nas estantes sem se saber do que tratava, e para cuja leitura parti sem qualquer tipo de pista. Não ligando particularmente a capas (são frequentemente escolhas estéticas sem qualquer relação com o conteúdo, muitas vezes infelizes, e não são, para mim, critério de escolha ou compra), falhei em ver as pistas que ela inclui: as flores e os livros. Acompanhamos Manoel Luz desde criança, numa idade que não é explícita nem nunca explicada, mas criança algures na década de 1960 e princípios de 1970, em Portugal, em pleno Estado Novo. Manoel vive numa casa com a sua família, filho único, e no piso de baixo é a loja de flores em que trabalha o seu pai. Porém, é a livraria onde trabalha Rodolfo Prudente - homem a quem é atribuída enorme importância e estatuto, homem que descobrimos ser apoiante do regime - que mais alicia Manoel. E o Sr. Prudente toma-o como protegido, algo que encanta Manoel, que sonha em ser "um homem maior", como o Sr. Prudente, r

Invisible

Este livro chegou cá a casa sem que eu soubesse do que trata. Na verdade, a aquisição foi feita para o meu respectivo, que se encontra a aprender espanhol, em jeito de incentivo; vi este livro recomendado para o nível A2 num instituto de línguas, vi que tinha bastante reconhecimento por terras hispanohablantes, que é infanto-juvenil, e foi por aí o critério de decisão. Depois, partimos para a leitura conjunta. Repito: não sabia nada sobre o enredo quando o livro cá chegou a casa - e a sinopse também não adianta quase nada, fala apenas no desejo de ser invisível. Assim sendo, irei revelar o menos possível, para não estragar a experiência a quem o possa vir a ler. As primeiras páginas, embora cheias de pistas para a narrativa, são algo caóticas e pouco reveladoras, envoltas em mistério. Sabemos que o narrador está no hospital, não sabemos o porquê. Não sabemos, também, quem é quem, embora vamos aprendendo mais acerca dos personagens à medida que vão sendo introduzidos e reintroduzidos na

Pretty Guardian Sailor Moon #5

Um final super entusiasmante para mais um arco. Será visível que me encontro a ler Sailor Moon  agora a um ritmo mais rápido; o empenho prende-se com o facto de os livros terem começado a aparecer cá em casa sem aviso prévio e, sendo uma série longa, claro que quero acompanhar assim que possível. Este final de arco tem imensa emoção: Saphir revela-se, mais conhecedor e mais maligno que o que demonstrara ser até agora, para começar. Mais mais que isso, Chibi-Usa transforma-se em Black Lady, e descobrimos que é filha de Usagi e Mamoru. Claro que qualquer pessoa que tenha visto o anime, ou que tenha estado atento às pistas até aqui, não ficará particularmente chocada - tanto com a história da sua origem, como com a transformação em vilã, mas a história por trás é sólida e emocional. Também há as vibes  de incesto que são meio desconfortáveis, mas que é suposto reflectirem ciúmes e o desejo de ser mais como a mãe... freudiano, suponho. Sailor Pluto é a estrela deste volume, para mim. Sailo

2021 | Março

Comecei por escrever "2020" no título, o que é adequado porque a vida está esquisita desde então; depois o título pareceu estranho, e fui ver e enganei-me no post de Fevereiro, que também estava intitulado "2020" e ninguém me disse nada... Comprados & Recebidos Como mencionei no post  de resumo mensal anterior, aguardava receber, em Março, uma remessa de fazer corar. Como parte da minha luta para melhorar o meu francês (luta essa antiquíssima, ora vejam ), descobri que o site da decitre envia para Portugal. O problema: taxa fixa de portes, 8,00 EUR. A solução? Comprar uma quantidade de livros que compense. Assim, entre livros de linguagem fácil, livros que me aguçam demasiado a curiosidade, e outros, foram estes os eleitos: Le Consentement , de Vanessa Springora La Reine Margot , de Alexandre Dumas Moi Qui N'ai Pas Connu les Hommes , de Jacqueline Harpmann La Gloire de Mon Père , de Marcel Pagnol Suite Française , de Irène Némirovsky Mes Amis , de Emmanuel