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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2019

Girl in a Band

Queria ler este livro desde soube que saiu.

O primeiro motivo é óbvio: adoro Sonic Youth e consegui vê-los ao vivo, em 2010, antes de acabarem. Também sempre tive uma enorme admiração pela baixista, Kim Gordon, e a achei inspiradora. Assim, ler um livro de não-ficção de sua autoria pareceu-me desde logo apelativo.
O segundo motivo é o facto de, tal como muitos outros fãs da banda, ter ficado traumatizada com o divórcio que levou ao desmembramento da banda. Ler este livro colocou Experimental Jet Set, Trash and No Star em rotação repetitiva no meu carro, numa experiência mais imersiva. E continua a custar saber que a banda acabou, e saber o porquê.
O divórcio é, obviamente, explorado, parecendo até o mote para o livro: é mencionado no primeiro capítulo, levando a uma retrospectiva de Kim Gordon sobre a sua vida e carreira, ao longo da obra e, novamente, no seu final. Há algo muito "por resolver" naquilo que Kim nos conta (ou decide contar - há alguma distância, e não dá para…

L'Étranger

Aujourd'hui, maman est morte.

Esta é, no fundo, a minha terceira leitura do livro: primeiro, em 2011, em inglês; já este ano, em português; e foi agora a vez de ler o livro em francês, na adaptação para nona arte, da autoria de Jacques Ferrandez, livro que comprei em Paris.
Da segunda vez que li O Estrangeiro, consegui gostar mais do que da primeira, da intencionalidade da indiferença de Mersault em todos os seus gestos. A história é já conhecida do público (suponho): começa com a morte de Mersault, uma espécie de inconveniência. Quando Marie menciona o casamento, Mersault aceita, porque não lhe faz diferença. Quando o seu patrão lhe sugere uma promoção e um cargo em Paris, ele diz que pode ser, mas não tem importância para ele.

Comete um crime sem sentido, sem grande justificação ou motivação. A ideia recorrente é que, para Mersault, nada importa. Até que, sentado no seu julgamento, dá por si condenado à morte. E o pouco tempo que lhe resta, não o quer dedicar à religião.
Ironica…

Os Intérpretes

Peguei neste livro ansiosa por conhecer mais literatura nigeriana.

Da autoria de Wole Soyinka, prémio Nobel mais conhecido pela sua obra enquanto dramaturgo, Os Intérpretes foi publicado em 1965, quando a Nigéria era ainda uma Nação independente. Esta obra segue um grupo de jovens, com formação superior e empregos importantes, enquanto estes tentam compreender como viver as suas vidas. Não é um livro "formador da Nação", como muitos livros publicados em torno da independência de uma ex-colónia tendem a ser - mas acompanha os personagens enquanto estes lidam com questões como a família, o casamento, o trabalho, a política, a religião, a morte.
Ao longo do livro, Kola, o artista, pinta um quadro de grandes dimensões, uma espécie de panteão que junta imagens cristã e pagãs, no qual retrata os seus amigos e outros personagens. Numa sociedade diferente daquela em que cresceram, os vários personagens procuram interpretar os seus novos papéis, as suas vidas.
Infelizmente, não cons…

The Princess Bride

Confissão #1: nunca vi o filme.

Confissão #2: adorei parvamente o livro. Não sabia verdadeiramente ao que ia, e quase saltei a introdução, até me ter apercebido que esta faz parte da narrativa: uma falsa background story, sobre a herança cultural do fictício país Florin do autor e do seu pai, uma família que não existe e, acima de tudo, um livro que não existe, de S. Morgenstern (que também não existiu - mas toda esta parte pode ser confusa), e que o autor William Goldman está a resumir para manter apenas as partes entusiasmantes, após o seu filho (inexistente) não ter apreciado o original.

Tudo isto é uma técnica narrativa, e obriga o leitor a não deixar a introdução/prefácio para o fim (como é meu costume fazer), porque, na verdade, se trata do primeiro capítulo. Não há um original, é só uma maneira de o autor narrar a sua história.

E é entusiasmante, porque William Goldman corta de facto no não essencial, no aborrecido, nas lições de História sobre o grande reino de Florin... apes…

Vozes de Chernobyl

Dei prioridade a este livro porque decidi que quero ver a série (ainda não vi).

Svetlana Alexievich já estava na minha wishlist há algum tempo, e aproveitei uma promoção na Feira do Livro de Lisboa para adquirir esta obra, que não relata os eventos de Chernobyl, mas sim reúne testemunhos daqueles que foram afectados pelo desastre: liquidadores, viúvas de liquidadores e bombeiros, aqueles que viviam na área e foram evacuados, aqueles que viviam na área e ficaram para trás, crianças nascidas antes e depois do desastre...
A autora, jornalista, passou três anos a entrevistar várias pessoas que, de um modo ou de outro, tinham estado envolvidas em Chernobyl. As suas palavras são-nos apresentadas sem cortes, sem comentários por parte de Svetlana. É um livro devastador, mas também repleto de beleza. Através destas entrevistas orais (as "vozes" do título), tanto a pessoas comuns quanto a algumas pessoas que viram novas responsabilidades nas suas áreas (cientistas, políticos locais, …

2019 | Julho

Mês muito parado por estes lados. Peço desculpa!

Comprados & Recebidos
Julho foi atípico: não comprei nada, não recebi nada. Talvez Agosto venha a ser um pouco diferente.

Lidos
Mês algo lento: terminei o fantástico The Princess Bride, de William Goldman, estreei-me em Maria Gabriela Llansol com Um Beijo Dado Mais Tarde, desiludi-me com Os Intérpretes de Wole Soyinka e li o arrebatador Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich (e não, ainda não vi a série). Dei início, nos últimos dias, à memória de Kim Gordon, Girl in a Band.
Em novelas gráficas, li L'Étranger, adaptação de Jacques Ferrandez, e Indeh, de Ethan Hawke e Greg Ruth.

Outros
Lamento mas, de facto, o mês foi parado por estas andanças. Muitas mudanças a nível pessoal se avizinham, e isso tem consumido o meu tempo.

The Steel Flea

Tinha de comprar um livro na Flâneur.

E o eleito acabou por ser este conto, da autoria de Leskov, autor que já tinha lido antes e que entendi que não me iria desiludir. Esta edição é dos Little Black Classics da Penguin, que contém várias pequenas pérolas, com número de páginas limitado e preços ridiculamente atractivos (podem ler aqui a minha opinião sobre um outro livro da colecção, A Cup of Sake Beneath the Cherry Trees).
Se, por um lado, Lady Macbeth de Mtsensk é um conto sobre uma mulher pérfida, The Steel Flea é um jogo de neologismos, humor e duas grandes nações num balanço de poder delicado devido a algo tão mesquinho como uma mosca metálica, que representa a relação da Rússia com o Ocidente.
O Czar Aleksander I (contexto: 1820s, uns 50 anos antes de o conto ter sido escrito - e a grafia é intencional, como ao longo de toda a obra) encontra-se de visita à Inglaterra (então, a Nação mais tecnologicamente desenvolvida do mundo), acompanhado pelo cossaco Platov, um russo comum, …