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My Name is Lucy Barton

Há já algum tempo que queria ler algo de Elizabeth Strout. Lonely was the first flavor I had tasted in my life, and it was always there, hidden inside the crevices of my mouth, reminding me. Calhou ser My Name is Lucy Barton , por estar disponível a um preço muito simpático no Awesome Books, mas ouvi falar melhor das histórias de Olive Kitteridge; sei que saíram, entretanto, dois "livros companheiros" de Lucy Barton , um deles muito recentemente. Lucy Barton está num quarto de hospital, a recuperar lentamente daquilo que deveria ter sido uma apendicectomia simples, mas durante a qual ela terá contraído uma qualquer infecção hospitalar. É durante esta estadia de várias semanas que a mãe de Lucy a visita, durante cinco dias. Mas esta visita tem contornos específicos - havia anos que Lucy Barton e a sua mãe não se viam ou sequer falavam. Esta visita inesperada leva Lucy a confrontar a tensão do afastamento e de tudo o que o motivou - embora nunca saibamos de um momento ou motivo
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Mr Salary

A minha estreia com a muito aclamada Sally Rooney foi esta Faber Story . (aqui está uma capa que, com o p&b do kobo, não se destaca nada)  Já tinha lido um dos contos publicados pela Faber ( o da Sylvia Plath, claro ); também há um conto da Lorrie Moore que me atrai, mas tenho o  Anagrams  na estante há anos. Decidi, portanto, estrear-me com esta autora através da sua ficção curta. Muito disto foi por ter vastas dúvidas sobre o quão aprazível me será a sua obra, confesso - e muitas das dúvidas, poucas páginas volvidas, permanecem. Mr Salary  é sobre Sukie, uma rapariga com 24 anos, que tem uma relação complexa com Nathan, irmão de uma tia sua, 15 anos mais velho, que a acolheu enquanto ela estudava, jovem adulta, por dificuldades familiares. Sukie não conheceu a mãe e tem uma não-relação com o pai, pelo que Nathan preenche um pouco o vazio paterno, ao mesmo tempo que serve de interesse romântico. My love for him felt so total and so annihilating that it was often impossible for me

Embers

Dois amigos reencontram-se após 41 anos de separação, sem nada saberem um do outro. Henrik, de 75 anos, recebe a notícia que Konrad, o grande amigo de toda uma vida, está num local fisicamente próximo, e quer vê-lo. Henrik vive quase recluso, eremita, no seu castelo, no meio das florestas da Hungria. Perante isto, Henrik decide dar um luxuoso jantar para receber Konrad, que não via há 41 anos, após um incidente que iria transformar as suas vidas. A ânsia que Henrik sente em rever o amigo é grande, mas não apenas pelo tempo decorrido. Henrik pede à sua ama, Nini, de 91 anos, ainda viva e praticamente sua única companhia, que faça um jantar que recrie aquele de 41 anos antes, a 2 de Julho de 1899. And yet, sometimes facts are no more than pitiful consequences, because guilt does not reside in our acts but in the intentions that give rise to our act. Everything turns on our intentions. Enquanto Konrad não chega, Henrik mergulha em recordações da amizade que tanto significara para ele. Kon

2021 | Dezembro

O resumo de um mês em que me afastei de redes sociais e, parcialmente, também do blog (mas vejam os posts da semana passada!!). Comprados & Recebidos O Natal é uma altura intensa para muita gente; não recebi nem quero receber para lá de uma dúzia de livros, no entanto, nem ceder a impulsos capitalistas absurdos para encher uma estante que... aliás, já está cheia e não tem mesmo espaço para mais. Ainda assim, deram entrada, neste mês, alguns livros: Anne of Green Gables , de LM Montgomery, numa edição linda, que lerei a par com a versão novela gráfica que cá mora há uns meses ; Los Pazos de Ulloa , de Emilia Pardo Bazán, que alguém um dia ainda me irá explicar como raio não está disponível em português; Inadaptados , de Micaela Coel, curta não-ficção; Cats of the Louvre , mangá de Taiyō Matsumoto que junta duas coisas que muito me agradam (o Louvre e Gatos); e Les caves du Vatican , de André Gide. Lidos O mês até ia com embalo nas leituras, mas (e na ausência de férias, feriados por

Picnic at Hanging Rock

Vi Picnic at Hanging Rock  há uns bons anos, e a história tinha-me ficado sempre marcada. Mais pelas imagens do filme, talvez - na verdade, não me recordava totalmente da história, apenas das imagens quase-de-sonho, a música misteriosa, as sequências, os cisnes, o Botticelli -; mas a vontade de ler este pequeno clássico australiano tinha ficado, sempre. Ao passo que (do que me lembro), o filme não incluiu algumas cenas e personagens menores, este é bastante fiel e um bom retrato do livro. A sensação de mistério, de angústia, de confusão, de assombro permeia também o livro. É difícil de explicar - um mistério deveria ter sempre uma explicação, não é? -, mas o livro transmite, acima de tudo, uma sensação. É o dia 14 de Fevereiro de 1900, e está um belo dia de verão. Logo este conceito é algo confuso para o leitor do hemisfério Norte, mas estamos na Austrália, um país de contrastes, com a sua natureza hostil e o legado do colonizador, da Commonwealth, da Inglaterra vitoriana com os seus c

As Inseparáveis

Acabou por ser esta a minha estreia a ler Beauvoir. (embora tenha há alguns anos os dois tomos do La force des choses ) As Inseparáveis  é uma pequena obra de cariz algo auto-biográfico, que foi apenas muito recentemente publicada, não obstante ter sido escrita há mais de 60 anos. Aqui, Sylvie (Simone) relata como conheceu Andrée (Zaza) aos nove anos, numa escola francesa católica para raparigas - como esta exerceu sobre ela, desde o início, um enorme fascínio, e como rapidamente se tornaram inseparáveis  uma da outra. Zaza é, segundo o posfácio da autoria de Sylvie Le Bon-Beauvoir, retratada em várias das obras de Simone, mas é aqui que alcança protagonismo. Embora relatada por Sylvie, personagem de Simone, As Inseparáveis  é, mais que sobre a amizade, sobre a amiga e sobre a sua vida curta e trágica. De forma muito diferente, ambas as amigas tinham dificuldade em aceitar as ideias convencionais do que deveriam ser e fazer, enquanto mulheres, no início do séc. XX. Sylvie é mais filosó