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The Sense of an Ending

Yes, of course we were pretentious - what else is youth for? Tony Webster, narrador deste livro (o meu primeiro de Julian Barnes) narra-nos, aqui, a história da sua vida - agora que a vida que lhe resta é menos que aquela que já passou -, reflectindo na banalidade da mesma. Interligando o tempo presente com o passado cerca de 30-40 anos antes, nos tempos de escola, faculdade e início de juventude, rapidamente nos apercebemos que Tony, como vários outros, é um narrador não confiável, mas por um motivo diferente da maioria dos narradores não confiáveis que a literatura nos costuma apresentar. À medida que recorda e regista a sua vida, Tony apercebe-se que se lembra apenas daquilo que se "treinou" para lembrar, que há coisas que recalca, reprime, que definem ou poderiam mudar a sua auto-imagem - vai-se apercebendo que a forma como se lembra de vários eventos pode não só ser unilateral, por poder ter sido interpretada de forma díspare pelos outros intervenientes, como do facto qu
Mensagens recentes

Mrs Miniver

Às vezes as minhas motivações para ler um livro em determinado momento são, pura e simplesmente, absurdas. Mrs Miniver  é um livro que me ficou debaixo de olho por dois motivos: constar do catálogo da Virago e uma vaga memória de em tempos ter visto um filme com o mesmo título . A Virago tem uma curadoria muito interessante, com nomes que vão de Daphne du Maurier a Edith Wharton a Elaine Dundy a Jan Struther, passando por Elizabeth von Arnim , Barbara Pym , incluindo vários outros nomes mais ou menos conhecidos, muitos deles na minha estante por ler. Muitas das autoras escolhidas são inglesas, do séc. XX, e não publicadas por outras editoras; são vozes interessantes, por vezes pouco reconhecidas, e quase todas por editar em Portugal, o que é uma tristeza. O que quero dizer é que, nas minha compras no AwesomeBooks, uma das pesquisas que faço por vezes é "Virago"; e que, tendo este livro a fama de ser uma leitura leve, sendo também curto, achei que estaria na altura de o ler.

O caminho da cidade

O primeiro livro de Natalia Ginzburg foi, precisamente, o primeiro dela que li. Escrito em 1941 (em plena Segunda Guerra Mundial),  O caminho da cidade  é uma curta novella , que se lê praticamente de uma assentada. À data em que foi escrito, Natalia Ginzburg vivia numa pequena cidade, em quase isolamento, com o marido, Leone (declarado pessoa "perigosa" para o regime, por ser anti-fascista). É a história de uma rapariga pobre de 17 anos, Delia, que mora com a família numa casa na estrada principal, a alguns kilómetros da cidade. A cidade, tal como as aldeias em seu redor, são indistintos. Delia sonha com a cidade, vai à cidade frequentemente, com o sonho de se livrar do "campo", da suburbanidade, da pobreza, da mesquinhez e egoísmo da família, sem saber que, na cidade, lhe esperam ainda mais mesquinhez, egoísmo, preconceitos, moralidades vazias e superficialidade. Não é, por esse motivo, um sonho realizável; a sua inocência não lhe permitiu aperceber-se disto atemp

Alentejo Blue

A motivação para esta leitura foi a temática de férias no Alentejo. Conheço mal o Alentejo. Fui lá em duas visitas de estudo com a escola e, desde então, fiz (creio que) quatro pequenas passagens por vários sítios da zona, incluindo estas férias. Também por este motivo, achei curioso uma autora inglesa escrever acerca do Alentejo, zona do meu próprio país que, em bom rigor, desconheço. Um pouco como Winesburg, Ohio , Alentejo Blue  é uma narrativa sobre uma pequena vila (aldeia?), a fictícia Mamarrosa, relatada através de pequenos quase-contos sobre alguns dos seus habitantes, com capítulos que trazem um protagonista (ou mais) diferente, velho ou novo, português, turista ou expatriado, cruzando-se personagens nalguns momentos (também alguns momentos se justapõem em capítulos diferentes, sendo descritos através de diferentes pontos de vista). Gostei muito, muito do primeiro capítulo. Não sabia, quando comecei o livro, que cada capítulo seria uma "história" diferente, e confess

2022 | Maio e Junho

Pela enésima vez tento ressuscitar o blog. Lutemos pelo sucesso. Comprados & Recebidos Fui àquela Feira do Livro no quintal do Marcelo e comprei Torto Arado , livro que há muito me desperta curiosidade, com um simpático desconto. Tenho também, de novo, a reedição d' A Casa Grande de Romarigães . Ando de olho onde gastar um vale WOOK, entretanto, e a novidade que me ficou debaixo de olho é o novo da Gabriela Oliveira. Lidos Em Maio, li Alias Grace , de Margaret Atwood, e vi a série entretanto. Recomendo talvez mais a série que o livro, apesar de alguns detalhes que não transitaram na adaptação e que me agradaram. Li também O Caminho da Cidade , o meu primeiro e único Ginzburg até à data. Em Junho, terminei finalmente Red Comet , a mega biografia da Sylvia Plath, li As Pupilas do Senhor Reitor , de Júlio Dinis, fiz leitura temática de férias com Alentejo Blue , de Monica Ali, já covidada li Mrs Miniver , de Jan Struther, a pensar que me ia animar mais do que realmente sucedeu, li

The Water Cure

Tenho reviews  em atraso desde Abril. Por esse motivo, algumas das próximas publicações, que espero que regressem em quantidade, irão agrupar algumas leituras (enquanto fizer sentido, claro está; neste caso não faz sentido, portanto falo de um livro só). The Water Cure  é um livro ao qual cheguei através do Books That Matter, pelo que esperava há algum tempo na estante por ler. A premissa é de que é uma distopia feminista - mas acho que este apodo lhe foi atribuído para chamar mais a atenção sobre o livro. Três irmãs, Grace, Lia e Sky, vivem numa ilha com a mãe e "King", a figura paterna. É explicado que na ilha, as mulheres estão a salvo de uma toxina vaga que os homens exalam e que causa sofrimento às mulheres (não entendi se isto é uma realidade distópica, ou uma premissa para um culto criado por King). Tudo o que as irmãs sabem, incluindo esta situação das toxinas, é porque lhes foi dito pelos pais. Para sobreviverem, King vai de vez em quando às compras, saindo de barco,