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Mensagens

Hilda e a dimensão de nenhures

Acabei de ver a série da Netflix e quero falar sobre isto.

Já tinha aqui falado sobre os livros #1 as pessoas escondidas e #2 o Grande Desfile desta pequena saga - e de como a série de televisão é baseada nuns livros de BD, e estes livros são, por sua vez, baseados na série. Assim, o conteúdo acaba por não ser super original, mas é uma belíssima história de aventuras, não tão linear quanto os episódios (mistura mais os enredos, enquanto que a maioria dos episódios tem fim em si mesmo)  o que funciona muito bem.
A saber (em geral): inclui os episódios do nisse, da cabana dos bosques, do cão negro e das marras. Ao que se junta a missão dos emblemas de escuteira-pardalita. É um conjunto muito agradável e com um ritmo bem criado, tendo em conta a mistura de narrativa.
Assim, acompanhamos Hilda enquanto ela se junta aos escuteiros-pardalitos, pronta a explorar a natureza e continuar a construir as suas amizades em Trolberg. Se Hilda parece ter as características ideais para ser escuteira,…
Mensagens recentes

2020 | Março

Ora aqui está um mês que foi, decerto, estranho para todos.

Recebidos & Comprados
A título de exemplo da estranheza: a maioria do que recebo e adquiro vai para a morada dos meus pais. Como tal, o Absalom, Absalom! de William Faulkner, que tinha desconto jeitoso no Book Depository, está lá à minha espera. Por outro lado, A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia, de Selma Lagerlöf, foi um livro que chegou antes do caos, pelo que está cá comigo. Acredito que proporcione uma maravilhosa viagem, bem necessária nestes tempos.
Cada vez mais me faz sentido ler da estante e não comprar novos livros. As minhas estantes abundam de livros por ler (e, se tal não fosse o caso, teria imensos livros cuja releitura me traria prazer); não quero mobilizar uma mão cheia de gente para me fazer chegar um livro, colocando, assim, várias pessoas em risco. É portanto altamente provável que esta secção fique vazia nos próximos meses. A ver vamos.

Lidos
Consegui, apesar do óbvio (e de contin…

Dylan Dog: Até que a Morte vos Separe

Uma história fundadora de um dos nossos detectives favoritos.


A primeira coisa a notar é que a edição italiana original, aparentemente, é a cores - e não no preto e branco habitual de Dylan Dog - e esta edição, da G Floy/A Seita/Colecção Aleph recupera o monocromatismo, sendo, portanto, inédita. E a imagem da capa, que é belíssima?

Aqui, Dylan Dog era ainda agente da Scotland Yard. O ambiente vivido era pesado - este volume tem como pano de fundo a luta pela independência da Irlanda do Norte, conflito muito recente e muito marcante, com maiores proporções nas décadas de 1970 e 1980. Este contexto dá uma carga política e realista interessante à obra, que questiona vincadamente tanto o IRA como a Scotland Yard nos seus modos de operação.

Um colega de Dylan Dog morre, ao seu lado, num atentado do IRA, evento que muito o marca; e é nesse momento que conhece a irlandesa Lillie Connolly, activista do IRA, com quem se envolve romanticamente. Os conflitos são múltiplos: desde o conflito de i…

The Country Girls

Desafio de Março: ler um clássico escrito por uma mulher.

Tinha muitos candidatos para esta categoria na estante, tendo a selecção saído da ajuda do público (comecei a enumerar livros passíveis de encaixar e o meu namorado escolheu este). The Country Girls é o primeiro livro de uma trilogia, escrita nos anos de 1960, e a cujas sequelas estou a dar seguimento.
A Irlanda da primeira metade do século XX caracteriza-se pelo catolicismo intenso e pela forte pobreza. A família de Caithleen Brady, a protagonista e narradora, encaixa no perfil, e é profundamente disfuncional: o pai alcoólico, violento e ausente, a mãe sofredora, a quinta cada vez mais arruinada onde vivem. Os únicos consolos de Caithleen, de 14 anos, são a companhia da mãe, de Hickey, o trabalhador da quinta, e Brigitte "Baba" Brennan, a sua tóxica melhor amiga.
O mundo de Caithleen muda subitamente quando a sua mãe sai de casa, para fugir ao pai - tendo depois de ficar em casa de Baba, depois a estudar num convento…

Os Vencidos da História

Consta que, dos vencidos, não reza a história.

José Jorge Letria pega nessa premissa para escrever e celebrar os derrotados célebres da História, considerando-os enquanto tendo tido um papel importante, seja em futuras vitórias, seja ao mudar o curso dos eventos. Transcende, assim, a ideia de "vencidos" e "vencedores", demonstrando empatia para com o comummente considerado como vencido.
Apesar de os vencidos serem frequentemente considerados como invisíveis, aqui temos breves relatos de derrotados célebres, como sendo Júlio César ou Napoleão. Ou seja, o único ponto comum nos biografados é o seu aparente fracasso: temos personalidades de várias épocas, âmbitos, posicionamentos políticos e geográficos. Temos vencidos que foram heróis, como Aristides de Sousa Mendes, vencidos que foram vítimas de repressão ou mártires e vencidos que foram tiranos e ditadores.

Ao darmos prioridade à memória, em detrimento da História oficial, damos voz aos vencidos, aos oprimidos, aos…

Telma, o Unicórnio

Claro que tinha de deitar as mãos a mais Aaron Blabey.

Enquanto a Porto Editora não se decide a dar continuidade a Os Mauzões(ficámos num enorme impasse no que respeita aos planos do Dr. Marmelada), sai em Portugal este pequeno livro do autor, num registo mais infantil.
O veredicto do meu companheiro quando o livro chegou a casa foi que se via logo que era do mesmo autor d'Os Mauzões. Os desenhos são, de facto, inconfundíveis - os olhos e sorrisos grandes, desta vez a cores, num livro ilustrado e não numa espécie de banda desenhada. O texto, curto, é em verso, o que também anima a narrativa deste pequeno pónei.

A história é muito simples: é sobre como ter aquilo que sempre desejámos nem sempre corre bem; sobre os aspectos terríveis da fama; e, acima de tudo, sobre aceitarmo-nos tal como somos. Telma é um pónei que sonha ser um unicórnio. Ao ter um acidente bizarro (que poderia ter causado a sua morte!), fica cor-de-rosa e coberta de glitter, aparentando ser o unicórnio que sempre…