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Vida de Lazarinho de Tormes

Numa tentativa de aligeirar o começo duro deste ano, o desafio de Janeiro do #lerosclássicos2021 era ler um clássico de humor . E como foi divertido o Lazarillo de Tormes! Muita gente me questionou sobre o conceito de "clássico de humor"; de facto, há a ideia pré-concebida que os clássicos serão livros mais maçudos e sérios, o que não é, necessariamente, verdade. E nem é verdade que todos os clássicos de teor mais humorístico serão mais recentes; este livro em particular data de 1554 e é de autor anónimo (e mesmo os gregos clássicos tinham comédias). O Lazarillo de Tormes  é o grande clássico pícaro (ou picaresco?). Conta-nos a história de Lazaro, nascido no Rio Tormes (sim, dentro do rio), numa aldeia perto de Salamanca. Sendo uma zona da qual gosto muito, embora conheça mal, a leitura teve um gosto acrescido. Lázaro conta-nos a sua vida desde criança, na primeira pessoa, com todas as suas aventuras e desventuras - especialmente estas últimas. Tendo nascido muito pobre, trab
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The Remains of the Day

What does it mean to be a great butler? É esta a questão que Mr. Stevens nosso narrador, se coloca frequentemente ao longo do livro. The Remains of the Day não é um livro longo, mas engloba várias questões sobre o propósito das nossas vidas. Mr. Stevens é um homem que se define pelo seu trabalho - é mordomo e orgulha-se muito de ter servido Lord Darlington, numa casa bem frequentada por gente distinta, e é visível que o facto de ter trabalhado numa posição de destaque para alguém "de importância", bem como a dignidade, têm muito valor para responder a essa pergunta. Mas, novamente, Lord Darlington já não se encontra entre nós, e a sua casa ( staff  incluído) é adquirida por um americano, que lhe dá alguns dias de férias. Mesmo esta viagem é encarada com um fim profissional: visitar uma antiga colega, governanta na casa de Lord Darlington, e convidá-la a regressar ao serviço. E é assim que Mr. Stevens, o mordomo, se vê numa viagem de carro de cinco dias, durante os quais pensa

I Kill Giants

Uma enorme surpresa. Comprei este livro da primeira vez que fui à Kingpin Books, levada pelo título conhecido de uma obra que desconhecia. Nunca vi o filme (e consta que faço bem em assim me manter); assim, não sabia sobre o que tratava I Kill Giants, e o livro acabou por não ser aquilo que eu esperava. Mas em bom, dado o nível de emoção e profundidade da narrativa. Uma rapariga do ensino básico, Barbara (minha homónima! Barbara!), mata gigantes. Para quê explorar outras carreiras quando se mata gigantes e se sabe tudo sobre eles? Quando se tem um martelo de guerra especial e tudo? Mas rapidamente compreendemos que esta pode não ser a realidade, mas uma fantasia que lhe causa inúmeros problemas, não só na escola mas num lar já conturbado. É, aliás, o lar conturbado que se revela ser o centro da narrativa. Começa a tornar-se claro: monstros mitológicos ou demónios interiores? E é precisamente isto que torna a mensagem do livro tão forte. Temos uma menina que procura sobreviver à vida, a

2020 | Dezembro, 2020 wrap-up e 2021

Ora aqui está um post combinado, porque não há cá grande capacidade mental para dois ou três posts . Toda a gente sabe que 2020 foi duro - para toda a gente - e estaria a mentir se dissesse algo em contrário. Comprados & recebidos de Dezembro Foi um mês farto, apesar dos sentimentos de culpa advindos do facto de o ritmo de leitura não andar a acompanhar. Aproveitei as promoções Black Friday  do El Corte Inglés e adquiri o primeiro livro de Martha Batalha e A Queda  de Camus. Da lenta morte da Cotovia, A chave de casa , de Tatiana Salem-Levy. Recebi também, após pedido de troca de morada nos CTT, a nova colecção Novela Gráfica da Levoir (não fotografada porque encheria o espaço todo da foto). Da Bertrand, vieram Mulheres sem medo , de Marta Breen, e Órix e Crex , de Margaret Atwood. Prendas de Natal: Building Stories , de Chris Ware (não fotografado pelo mesmo motivo da colecção da Levoir), os Contos Completos de Graça Pina de Morais e o adorável boxset completo de  Chi's Sweet

The Complete Tales, Beatrix Potter

Uma leitura há muito aguardada. O imaginário de Beatrix Potter está comigo há muito; em garota, via uns desenhos animados baseados nas suas histórias. Talvez seja curioso mencionar que a história que mais me marcou, na altura, não foi a de Peter Rabbit (o seu nome mais sonante), mas as aventuras de Tom Kitten na história de Samuel Whiskers (uma verdadeira história de terror, acrescente-se). Vou, aliás, elaborar esse ponto: as histórias de Beatrix Potter não são necessariamente doces e repletas de finais felizes, como as histórias infantis a que a Disney nos tem habituado. A sanitização de histórias infantis por parte da Disney é, aliás, já muito conhecida - e é de conhecimento comum que os irmãos Grimm não escreveram as histórias mais felizes do mundo. Assim, e se nos identificarmos, de algum modo, com os personagens de Beatrix Potter, é normal que estas histórias tomem contornos amargos para o leitor. Se na história de Samuel Whiskers, é Tom Kitten, como personagem principal, que enfr

Mulheres sem Medo

Não-ficção em forma de arte sequencial? Contem comigo. Esta obra é uma excelente referência enquanto introdução ao feminismo, bem executada em termos informativos e estética. Uma espécie de história abreviada do movimento feminista nos últimos 150 anos, abreviada, claro está, em vários momentos, porque é difícil de compilar tanta informação em 120 páginas. É uma imagem muito decente dada essa limitação, com vários ícones do feminismo diferentes, numa abordagem tão interseccional quanto possível. Pode-se talvez chamar de uma história ilustrada e resumida dos movimentos feministas mundiais desde o século XIX. É impressionante como a autora, Marta Breen, consegue fazer de 150 anos de lutas uma leitura rápida mas importante. Aqui, aprendemos sobre mulheres fortes de países diferentes a travar batalhas importantes - mulheres às quais devemos ser gratas se hoje podemos trabalhar, estudar, votar... não esquecendo a autonomia sobre o próprio corpo e o direito a amar quem se quer. Este é o tipo