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Mensagens

A mostrar mensagens de 2020

2020 | Março

Ora aqui está um mês que foi, decerto, estranho para todos.

Recebidos & Comprados
A título de exemplo da estranheza: a maioria do que recebo e adquiro vai para a morada dos meus pais. Como tal, o Absalom, Absalom! de William Faulkner, que tinha desconto jeitoso no Book Depository, está lá à minha espera. Por outro lado, A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia, de Selma Lagerlöf, foi um livro que chegou antes do caos, pelo que está cá comigo. Acredito que proporcione uma maravilhosa viagem, bem necessária nestes tempos.
Cada vez mais me faz sentido ler da estante e não comprar novos livros. As minhas estantes abundam de livros por ler (e, se tal não fosse o caso, teria imensos livros cuja releitura me traria prazer); não quero mobilizar uma mão cheia de gente para me fazer chegar um livro, colocando, assim, várias pessoas em risco. É portanto altamente provável que esta secção fique vazia nos próximos meses. A ver vamos.

Lidos
Consegui, apesar do óbvio (e de contin…

Dylan Dog: Até que a Morte vos Separe

Uma história fundadora de um dos nossos detectives favoritos.


A primeira coisa a notar é que a edição italiana original, aparentemente, é a cores - e não no preto e branco habitual de Dylan Dog - e esta edição, da G Floy/A Seita/Colecção Aleph recupera o monocromatismo, sendo, portanto, inédita. E a imagem da capa, que é belíssima?

Aqui, Dylan Dog era ainda agente da Scotland Yard. O ambiente vivido era pesado - este volume tem como pano de fundo a luta pela independência da Irlanda do Norte, conflito muito recente e muito marcante, com maiores proporções nas décadas de 1970 e 1980. Este contexto dá uma carga política e realista interessante à obra, que questiona vincadamente tanto o IRA como a Scotland Yard nos seus modos de operação.

Um colega de Dylan Dog morre, ao seu lado, num atentado do IRA, evento que muito o marca; e é nesse momento que conhece a irlandesa Lillie Connolly, activista do IRA, com quem se envolve romanticamente. Os conflitos são múltiplos: desde o conflito de i…

The Country Girls

Desafio de Março: ler um clássico escrito por uma mulher.

Tinha muitos candidatos para esta categoria na estante, tendo a selecção saído da ajuda do público (comecei a enumerar livros passíveis de encaixar e o meu namorado escolheu este). The Country Girls é o primeiro livro de uma trilogia, escrita nos anos de 1960, e a cujas sequelas estou a dar seguimento.
A Irlanda da primeira metade do século XX caracteriza-se pelo catolicismo intenso e pela forte pobreza. A família de Caithleen Brady, a protagonista e narradora, encaixa no perfil, e é profundamente disfuncional: o pai alcoólico, violento e ausente, a mãe sofredora, a quinta cada vez mais arruinada onde vivem. Os únicos consolos de Caithleen, de 14 anos, são a companhia da mãe, de Hickey, o trabalhador da quinta, e Brigitte "Baba" Brennan, a sua tóxica melhor amiga.
O mundo de Caithleen muda subitamente quando a sua mãe sai de casa, para fugir ao pai - tendo depois de ficar em casa de Baba, depois a estudar num convento…

Os Vencidos da História

Consta que, dos vencidos, não reza a história.

José Jorge Letria pega nessa premissa para escrever e celebrar os derrotados célebres da História, considerando-os enquanto tendo tido um papel importante, seja em futuras vitórias, seja ao mudar o curso dos eventos. Transcende, assim, a ideia de "vencidos" e "vencedores", demonstrando empatia para com o comummente considerado como vencido.
Apesar de os vencidos serem frequentemente considerados como invisíveis, aqui temos breves relatos de derrotados célebres, como sendo Júlio César ou Napoleão. Ou seja, o único ponto comum nos biografados é o seu aparente fracasso: temos personalidades de várias épocas, âmbitos, posicionamentos políticos e geográficos. Temos vencidos que foram heróis, como Aristides de Sousa Mendes, vencidos que foram vítimas de repressão ou mártires e vencidos que foram tiranos e ditadores.

Ao darmos prioridade à memória, em detrimento da História oficial, damos voz aos vencidos, aos oprimidos, aos…

Telma, o Unicórnio

Claro que tinha de deitar as mãos a mais Aaron Blabey.

Enquanto a Porto Editora não se decide a dar continuidade a Os Mauzões(ficámos num enorme impasse no que respeita aos planos do Dr. Marmelada), sai em Portugal este pequeno livro do autor, num registo mais infantil.
O veredicto do meu companheiro quando o livro chegou a casa foi que se via logo que era do mesmo autor d'Os Mauzões. Os desenhos são, de facto, inconfundíveis - os olhos e sorrisos grandes, desta vez a cores, num livro ilustrado e não numa espécie de banda desenhada. O texto, curto, é em verso, o que também anima a narrativa deste pequeno pónei.

A história é muito simples: é sobre como ter aquilo que sempre desejámos nem sempre corre bem; sobre os aspectos terríveis da fama; e, acima de tudo, sobre aceitarmo-nos tal como somos. Telma é um pónei que sonha ser um unicórnio. Ao ter um acidente bizarro (que poderia ter causado a sua morte!), fica cor-de-rosa e coberta de glitter, aparentando ser o unicórnio que sempre…

Dead Souls

Muito atrasada, foi esta a minha participação no meu próprio desafio, em Fevereiro.

O desafio para Fevereiro era ler um clássico russo; isto deve-se ao facto de, ao longo dos anos, ter visto alguns desafios que pegavam no aniversário da Revolução Russa para incitar a ler o género (e, como não quero apoquentar ninguém, achei por bem colidir um pouco nestas temáticas; veja-se o tema para Março, a leitura de um clássico de autoria feminina).
Queria ler este livro há muito, e já há uns cinco anos que o tinha na estante. Gogol é um nome grande na lista do cânone dos russos, ficando sempre atrás de Dostoevsky e de Tolstoy, e eu nunca lera sequer os seus contos mais conhecidos, como "O Nariz" ou "O Capote". De Dead Souls, apelava-me o título (como me apela também o Diary of a Madman); sem ter explorado a temática, descobri que o livro que tinha em mãos era suposto vir a ser uma trilogia.
Gogol escreveu o primeiro volume, queimou grande parte do segundo e faleceu antes de …

A Janela Fingida + O Homem no Arame + Além do Quadro

Já muito por aqui se falou da vertente contista de Maria Judite de Carvalho.

Ora vejam: Tanta Gente, Mariana Seta Despedida Os Armários Vazios Obra Completa, Vol. I Obra Completa, Vol. II Obra Completa, Vol. III
Assim, falemos daquilo que mais se distingue neste quarto volume da obra completa da autora: é composto por dois conjuntos de crónicas e um conjunto de contos. E, precisamente por ser diferente, focarei nas crónicas.
Retratos de época, em parte, mas, em muito, absolutamente intemporais. Maria Judite de Carvalho revela, nas suas crónicas, a mesma astúcia e capacidade de observação que são tão marcantes nos seus contos. São retratos da cidade e da sociedade de Lisboa, desta nossa cidade, grande e confusa cabeça do corpo frágil que é Portugal, nos finais dos anos 1960 e inícios de 1970, publicados inicialmente no Diário de Lisboa.
Todo o tipo de situações e objectos servem de mote para estas crónicas: pedintes na zona do Chiado, classificados do jornal, listas telefónicas, janelas, el…

2020 | Fevereiro

Se Janeiro tem cerca de 90 dias, Fevereiro tem cerca de 12.

Recebidos & Comprados
Também Fevereiro foi um mês intenso de novidades na estante: O Silêncio das Mulheres, livro aclamado de Pat Barker, uma espécie de nova versão da Ilíada, e bastante aclamado; Rockonomics, de Alan B Krueger, um livro de não-ficção que junta dois dos meus interesses, a música e a economia; As Mãos Sujas, peça de Jean-Paul Sartre de conteúdo político; Telma, o Unicórnio, de Aaron Blabey, um livro infantil (do mesmo autor de Os Mauzões); e Os Anos, de Annie Ernaux, um livro de auto-ficção francês que creio que irei adorar. Fui também contactada pela Editorial Planeta, no sentido de me quererem enviar um livro. Enviaram-me dois romances que, creio, não serão totalmente o meu género: O meu mapa de ti, de Isabelle Broom, e Esperarei por ti toda a vida, de Megan Maxwell. Darei uma chance, mas sinto que é o tipo de romance leve que apelará mais a outro tipo de leitor - como, por exemplo, à minha mãe.

Lidos
Fev…

Sabrina

Estou a publicar esta opinião já muito após o hype editorial por cá (li a obra em Junho).

Sabrina foi a primeira novela gráfica a ser nomeada para o Man Booker Prize, e diria que é esse o factor que cativa muitos leitores.
Conhecemos Sabrina, a personagem que dá título ao livro, a tomar conta dos gatos dos pais, a conversar com a irmã. Um dia, Sabrina sai de casa e não volta. Ou seja: uma mulher desaparece; a irmã dela entra em luto; o ex-namorado dela decide contactar um antigo colega da escola, muda-se subitamente para casa dele, ouve rádio, procura um gato, dorme, vive praticamente num coma emocional; o amigo da escola, um pai divorciado, não sabe se há de lutar pela família, ou pela sua carreira.

Muito do livro é cinzento, tem demasiadas palavras, personagens desenhados de forma simplista e demasiado semelhante, tornando-o difícil de ler. É deste modo que acompanhamos um programa de rádio que trata de teorias da conspiração, que vemos personagens parados no corredor, inexpressivos…

TAG | Calhamaços

De vez em quando rola a vontade de responder a uma TAG (daquelas que andavam a circular em 2017).

Esta é sobre calhamaços, vulgo, livros com muitas páginas. Aqueles que assustam.

Dado não haver uma definição oficial, meti a fasquia pelas 550.

1.      Maior livro da estante que já leu. Sou aborrecida e a minha resposta é básica. War and Peace, de Leo Tolstoy, lido (terminado, vá) em Abril de 2012. A minha edição tem 1392 páginas.
2.       Maior livro da estante que não leu. The New Penguin History of The World, de JM Roberts, com 1232 páginas.
3.       Calhamaço que tem medo de ler. Ora então, o Vanity Fair, de William Makepeace Thackeray. 946 páginas. É enorme e a letra é tão pequenina... consta que é mega divertido, mas eu tenho escoliose e o livro está incólume na estante desde finais de 2013.

4.       Calhamaço que tem muita vontade para ler. Les Misérables. Em francês. Ainda não comprei... em Paris só encontrava edições com o texto completo com uma capa alusiva ao filme mais recente. A…