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Mensagens

A mostrar mensagens de 2018

Descender, Vol. 1

Primeira vez que leio Jeff Lemire.

E isto é relevante porque? Porque conheço muito boa gente que aprecia imenso este autor (inclusive ao ponto de dar o seu nome a pequenos felinos). De ressalvar, talvez, no entanto, que nesta obra, a narrativa é de Jeff Lemire, mas as ilustrações são da autoria de Dustin Nguyen.
Descender é uma space opera, reminiscente de AI - Artificial Intelligence (que é um filme que não vejo há anos mas que me lembro de ter adorado absolutamente) e Star Wars. Num futuro distante, o Planeta Niyrata, centro tecnológico e cultural de um grupo de nove planetas conhecidos como o Conselho Galáctico Unido, é subitamente atacado por um grupo de robots gigantes misteriosos, os Colectores.
Estes ataques, que se deram em todos os planetas nesta galáxia, levam a que os robots sejam "erradicados", dado o ambiente de desconfiança entre robots e humanos. Ao mesmo tempo, este conflito leva a conflitos políticos entre os vários planetas.

Dez anos mais tarde, um robot de…

Não te Afastes

Este livro chamou-me enormemente a atenção pela capa.

É possível resistir a rinocerontes bebés? Sejam sinceros.

O nome do autor também contribuiu: nunca tendo lido nada de David Machado (sendo a minha estreia disputada entre este e o Índice Médio da Felicidade), mas tendo já ouvido falar muito bem dele, decidi arriscar na sua obra para um público mais jovem. E já todos sabem que adoro um bom livro infantil/juvenil, certo?
Tomás é um rapaz de doze anos que decide fugir de casa, por estar convencido que faz mal a todos aqueles que se aproximam dele. O livro é narrado a "duas vozes": um narrador na terceira pessoa, omnisciente, que vê Tomás e o acompanha; e o próprio Tomás, que relata o seu processo de pensamento e aquilo que levou a esta derradeira decisão. Esta mudança dá-se a cada capítulo, estando os capítulos narrados por Tomás com a fonte em itálico.
Tomás revive de forma muito intensa o seu passado: há cerca de quatro meses, o seu pai morreu, num acidente do qual Tomás …

R.U.R. & War with the Newts

Um volume com duas obras distintas do autor Karel Čapek, comprado precisamente na República Checa.

Foi, na verdade, o meu namorado que comprou, tendo imensa curiosidade acerca de obras de ficção científica, e tendo pesquisado livros de autores checos antes da nossa viagem; tendo encontrado o volume que juntava ambas as obras, na Univerzita Karlova, adquiriu-o, e começou aí uma bela e longa colecção de livros da SF Masterworks. Após ter lido esta obra, e sabendo que não sou a maior apreciadora de sci-fi, quis que eu a lesse.

E aqui estamos nós.

A primeira obra, R.U.R., é uma peça, algo que eu não esperava. Esta peça levanta basicamente a questão: o que nos faz humanos?
Mas esta peça tem um significado histórico um pouco maior, pois foi esta peça que trouxe ao nosso vocabulário a palavra robot. Exacto: a palavra e a sua disseminação no nosso imaginário vêm de uma peça checa dos anos 1920. R.U.R. é a sigla para Rossum's Universal Robots, a empresa que criou estes andróides.
E claro …

Já então a raposa era o caçador

Um dos livros mais intrigantes que li este ano.

Não sei muito sobre a Roménia e sobre a ditadura de Ceaușescu. Ver que este livro era sobre uma professora perseguida pela polícia secreta romena despertou substancialmente o meu interesse - mais ainda vendo que Herta Müller ganhou um Nobel (que, como sempre, vale o que vale).

Temos uma cidade sem nome, num ano sem nome - eventualmente (para quem, ao contrário de mim, não tiver lido a contracapa) é revelado que a narrativa se passa na Roménia de Ceaușescu, num país pobre, comunista, a ameaça premente. Talvez esta Roménia cinzenta, pobre e carregada de medo seja a verdadeira protagonista do livro.
O livro não se centra apenas na professora, Adina, mas naqueles que constituem as suas relações próximas: temos também Clara, a sua amiga que trabalha numa fábrica, Ilie, soldado, Paul, músico e médico, e Pavel, um homem casado que se torna amante de Clara. Pavel tinha-lhe dito, quando se conheceram, que era advogado, mas rapidamente descobrimo…

Destemidas - Mulheres Que Só Fazem o Que Querem

Apreciando largamente esta nova tendência de livros ilustrados com vista a enaltecer ou destacar feitos de mulheres.


Publicado na Colecção Novela Gráfica da Levoir/Público, este é o best-seller da francesa Pénélope Bagieu, também conhecida pelo seu blog. Esta obra em particular é baseada no seu trabalho com o Le Monde, que podem ver aqui: estão aqui compiladas as 15 primeiras histórias da autora, com algumas ilustrações originais (suponho que as ilustrações em páginas duplas).

A escolha de mulheres é mais interessante que a das Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, na minha muito humilde opinião. Na verdade, cruzam-se numa história: a das Irmãs Mirabal, que está muito melhor contada aqui que no outro livro. Todas as mulheres e histórias são únicas, retratando quem realmente desafiou convenções sociais, religiosas ou políticas. Não são mulheres propriamente conhecidas, não são os mesmos nomes frequentemente utilizados neste tipo de obra. Mulheres inteligentes, corajosas, que…

RESULTADO | Sr. Mercedes

E aqui estamos para anunciar a vencedora do passatempo de Natal:



Parabéns, Dália! E muito obrigada a todos os que participaram. Fiquem atentos às próximas oportunidades por estes lados!

Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo

Tenho ficção de Chimamanda por ler, mas por algum motivo comecei por Querida Ijeawele.

O grande atractivo neste volume - para ter feito dela o meu ponto de início na obra da autora - é, além da temática, a sua reduzida dimensão. Na verdade, o livro é diminuto, talvez por ser como que uma carta que a autora escreveu a uma amiga que pediu conselhos sobre como criar a sua filha recém-nascida para ser feminista.

É claro que estou furiosa. Sinto-me furiosa com o racismo. Sinto-me furiosa com o sexismo. Mas recentemente apercebi-me de que me sinto mais furiosa com o sexismo do que com o racismo.
Porque na minha fúria com o sexismo sinto-me muitas vezes só.
O livro está dividido em quinze peças/conselhos práticos, cada capítulo uma sugestão ou tópico novo. Discute questões do feminismo como padrões de beleza, auto-estima, privilégio (branco ou masculino), racismo, sexismo, papéis de género, casamento, roupa, sexualidade, opressão, entre outros. Isto porque a educação não acaba na adolescência…

O Morto Contente / JB Comércio Global

Sabem como no post sobre a Colecção Lucas Scarpone eu mencionei ter vontade de terminar a série Triângulo Jota?

A JB Comércio Global, empresa de Vila do Conde ligada ao fornecimento para retalho de papelarias, livrarias e lojas de brinquedos, contactou-me no sentido de formarmos uma parceria, na qual aliariam a sua actividade de negócio na venda de livros ao facto de eu, bem, escrever sobre livros. Após alguma conversa (e saliento desde já a paciência da Joana, representante da empresa, pois eu, tendo recentemente começado um novo emprego, demorei bastante a responder), houve a vontade da parte da empresa em acomodar os meus gostos  pessoais nesta parceria.
Após uma breve pesquisa apercebi-me que, na secção do site dedicada a colecções literárias, se encontrava não só Lucas Scarpone, mas Triângulo Jota. A Joana verificou a disponibilidade de stock e, assim, o penúltimo livro (primeiro dos dois que me faltavam) veio a caminho de minha casa, tendo chegado em tempo record - demorou apen…

PASSATEMPO | Sr. Mercedes

Um passatempo mesmo a tempo do Natal!

Gostei muito do pouco que li de Stephen King (apenas li Carrie e The Green Mile); a obra do autor é  muito vasta e extremamente variada. Carrie, a obra de estreia do autor, é um livro de terror em forma epistolar (podem ler a minha opinião aqui); The Green Mile entra no campo do realismo mágico; e Sr. Mercedes, o 51º livro do autor (publicado pela primeira vez em 2014 e vencedor do Edgar Award de 2015) é um policial, um thriller, sem os elementos sobrenaturais que costumam figurar na obra do autor.
Numa madrugada, um grupo de desempregados forma fila para conseguir entrar numa feira de emprego. Subitamente, um homem ao volante de um Mercedes atropela estas pessoas, matando vários indivíduos e fugindo do local. Mais tarde, um polícia reformado, Bill Hodges, ainda pensa neste crime que ficou por resolver - ficando obcecado quando começa a receber notícias e ameaças do assassino do Mercedes. Bill Hodges decide quebrar a rotina da sua reforma, e envo…

A Náusea

Existencialismo e Jean-Paul Sartre.

Este é um autor que eu estive perto de comprar quando, no ano passado, passei o Outono em Paris, mas, entre várias outras, tal compra não se deu. Surgiu, portanto, a oportunidade de ler o autor em português com esta edição da Livros do Brasil, que aproveitei prontamente.
Aos 31 anos, Sartre estava no mesmo sítio em que muitos de nós nos encontramos: perdido, a sentir que a vida não o levava pelos caminhos que ele imaginara. E é desse contexto que surge este livro.
A Náusea é o diário ficcional de um homem chamado Antoine Roquentin, que tem dinheiro suficiente para não trabalhar, e que passa a maioria do seu tempo livre a escrever sobre uma figura histórica obscura do séc. XVIII. Para este fim, decide habitar na cidade de Bouville, na província, longe de tudo e de todos os que conhece. Passa longos dias na biblioteca local, onde encontra um homem que está a ler livros técnicos por ordem alfabética, o Autodidata. Este estilo de vida rapidamente o conv…