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A mostrar mensagens de 2019

The Princess Bride

Confissão #1: nunca vi o filme.

Confissão #2: adorei parvamente o livro. Não sabia verdadeiramente ao que ia, e quase saltei a introdução, até me ter apercebido que esta faz parte da narrativa: uma falsa background story, sobre a herança cultural do fictício país Florin do autor e do seu pai, uma família que não existe e, acima de tudo, um livro que não existe, de S. Morgenstern (que também não existiu - mas toda esta parte pode ser confusa), e que o autor William Goldman está a resumir para manter apenas as partes entusiasmantes, após o seu filho (inexistente) não ter apreciado o original.

Tudo isto é uma técnica narrativa, e obriga o leitor a não deixar a introdução/prefácio para o fim (como é meu costume fazer), porque, na verdade, se trata do primeiro capítulo. Não há um original, é só uma maneira de o autor narrar a sua história.

E é entusiasmante, porque William Goldman corta de facto no não essencial, no aborrecido, nas lições de História sobre o grande reino de Florin... apes…

Vozes de Chernobyl

Dei prioridade a este livro porque decidi que quero ver a série (ainda não vi).

Svetlana Alexievich já estava na minha wishlist há algum tempo, e aproveitei uma promoção na Feira do Livro de Lisboa para adquirir esta obra, que não relata os eventos de Chernobyl, mas sim reúne testemunhos daqueles que foram afectados pelo desastre: liquidadores, viúvas de liquidadores e bombeiros, aqueles que viviam na área e foram evacuados, aqueles que viviam na área e ficaram para trás, crianças nascidas antes e depois do desastre...
A autora, jornalista, passou três anos a entrevistar várias pessoas que, de um modo ou de outro, tinham estado envolvidas em Chernobyl. As suas palavras são-nos apresentadas sem cortes, sem comentários por parte de Svetlana. É um livro devastador, mas também repleto de beleza. Através destas entrevistas orais (as "vozes" do título), tanto a pessoas comuns quanto a algumas pessoas que viram novas responsabilidades nas suas áreas (cientistas, políticos locais, …

2019 | Julho

Mês muito parado por estes lados. Peço desculpa!

Comprados & Recebidos
Julho foi atípico: não comprei nada, não recebi nada. Talvez Agosto venha a ser um pouco diferente.

Lidos
Mês algo lento: terminei o fantástico The Princess Bride, de William Goldman, estreei-me em Maria Gabriela Llansol com Um Beijo Dado Mais Tarde, desiludi-me com Os Intérpretes de Wole Soyinka e li o arrebatador Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich (e não, ainda não vi a série). Dei início, nos últimos dias, à memória de Kim Gordon, Girl in a Band.
Em novelas gráficas, li L'Étranger, adaptação de Jacques Ferrandez, e Indeh, de Ethan Hawke e Greg Ruth.

Outros
Lamento mas, de facto, o mês foi parado por estas andanças. Muitas mudanças a nível pessoal se avizinham, e isso tem consumido o meu tempo.

The Steel Flea

Tinha de comprar um livro na Flâneur.

E o eleito acabou por ser este conto, da autoria de Leskov, autor que já tinha lido antes e que entendi que não me iria desiludir. Esta edição é dos Little Black Classics da Penguin, que contém várias pequenas pérolas, com número de páginas limitado e preços ridiculamente atractivos (podem ler aqui a minha opinião sobre um outro livro da colecção, A Cup of Sake Beneath the Cherry Trees).
Se, por um lado, Lady Macbeth de Mtsensk é um conto sobre uma mulher pérfida, The Steel Flea é um jogo de neologismos, humor e duas grandes nações num balanço de poder delicado devido a algo tão mesquinho como uma mosca metálica, que representa a relação da Rússia com o Ocidente.
O Czar Aleksander I (contexto: 1820s, uns 50 anos antes de o conto ter sido escrito - e a grafia é intencional, como ao longo de toda a obra) encontra-se de visita à Inglaterra (então, a Nação mais tecnologicamente desenvolvida do mundo), acompanhado pelo cossaco Platov, um russo comum, …

Novas Estórias Açorianas

Novas Estórias Açorianas é um conjunto de contos que acaba por não o ser.

Isto porque cada estória é um relato quotidiano, um retrato de costumes, de comportamentos, de pessoas (mais ou menos) banais pelos Açores. E é já o segundo volume de estórias açorianas escrito por Carlos Alberto Machado.

(confesso que não li o primeiro)

Assim, estas estórias revelam as vidas de pessoas da vizinhança, através de memórias, documentos, de forma muito humana, demonstrando a importância da comunidade. Acompanhamos emigrantes (Canadá e Estados Unidos) regressados ou de férias, grupos de amigos, autarcas, um professor vindo de fora, personagens locais... todos eles vistos como que de fora, mas por quem está, na realidade, dentro.

Todas as personagens têm um nome e uma identidade, sendo mais importantes que os acontecimentos, na sua maioria corriqueiros e passíveis de acontecer noutro local que não nos Açores - em qualquer lugar em que haja vida em comunidade, talvez.

Fica uma vontade imensa de conhece…

The Awakening and Selected Stories of Kate Chopin

Um clássico feminista que aguardava na estante há mais anos do que tenho coragem de revelar.

Tratando-se de uma edição combinada, romance e contos, decidi começar a minha leitura de Kate Chopin pelos contos. Começo, assim, por falar dos contos, destacando alguns.

Estes contos são retratos de algumas das complexidades de ser mulher no Sul Norte-Americano no final do séc. XIX, incluindo as relações com os homens, como o amor romântico pode não correr da melhor maneira, ser incompreendido, não passar de um ideal. Aqui, os casamentos nunca são totalmente estáveis e podem mesmo ser vistos como uma prisão. Mães que se permitem a indulgência em si próprias, o egoísmo, mulheres que têm de confrontar o mundo, mulheres que acabam por descobrir algo sobre si mesmas.

Todas estas mulheres procuram a sua felicidade, no fundo - e esta procura acaba por se prender com o racismo, inferioridade, sofrimento, independência, realização pessoal.

Destaco três contos.

Desiree's Baby - um conto que toca, …

Tangerina

Quando a Escorpião Azul anunciou este livro, eu sabia que tinha de o ter.

Eu tinha adorado absolutamente No Caderno da Tangerina; assim, esta sequela foi a minha grande e planeada aquisição no Festival Internacional de BD de Beja, onde o livro foi lançado. Assim, evitei, a início, ver a exposição da artista, no Festival, com medo de eventuais spoilers.
Além de minha primeira compra em Beja, também foi a minha oportunidade de conhecer a Rita Alfaiate, que é de uma simpatia imensa e me autografou o livro, fazendo uma bonita ilustração no interior (ver mais abaixo!). Ver o seu processo criativo foi mágico - e reitero, aqui, o quanto gostei de conhecer a Rita e falar um pouco com ela.
Nessa mesma noite, no hotel, e sem conseguir esperar mais, debrucei-me sobre Tangerina. Não sei se já deu para perceber o quanto eu estava entusiasmada.

Este novo capítulo da história apresenta-nos o ponto de vista da própria Tangerina, e é um livro sem dúvida feito para quem já tenha lido o primeiro, sendo…

Um Beijo Dado Mais Tarde

Uma das leituras mais ansiadas - e mais estranhas.

Queria ler Llansol desde que a descobrira, há não muito tempo - na Feira do Livro de Poesia de 2018, muito por acaso. Ficou, então, a promessa (ainda por cumprir...) de visitar o Espaço Llansol, e uma enorme curiosidade acerca do trabalho da autora.
Confesso que fui cativada por este título, mais do que uma recomendação concreta ou alguma noção de ser um bom sítio para começar a conhecer a obra de Maria Gabriela Llansol. De facto, e como o posfácio me deu a entender, possivelmente este não era o melhor ponto de partida.
A título de referência, ficam as recomendações que o _marianomariano me deu, no Instagram, e que poderão ser melhores sítios para começar:
- O Livro das Comunidades
- Lisboaleipzig
- Casa de julho e agosto
- O começo de um livro é precioso (poesia)

Este livro parece ter algo de autobiográfico, sem se conseguir perceber exactamente o quê; a escrita e a narrativa são confusas, dispersas, quase encriptadas, crípticas. Nã…

Un peu de Paris

Já tinha este livro em wishlist há algum tempo quando finalmente o adquiri, na livraria L'Écume des Pages.

Num momento de profunda nostalgia, finalmente agarrei neste livro de ilustrações. Sempé é mais conhecido por ilustrar Le Petit Nicolas (obra que também adquiri em Paris e que, igualmente, ainda não li...). Este livro não tem texto: é um conjunto de desenhos e esboços de Paris, demonstrando a cultura da capital francesa.
Cada peça é capaz de fazer esboçar um sorriso, mesmo para quem não tenha a maior familiaridade com a cultura em França. Sendo uma obra recente, pega também nos contrastes e "choques" tecnológicos perante o modo de vida mais tradicional. Temos baguetes debaixo do braço, inúmeras bicicletas, e cenários fáceis de reconhecer, desde a Tour Eiffel ao Café de Flore.


Na grande maioria, estes desenhos são a preto e branco, capturando de forma magnífica os cinzentos desta cidade. A atenção ao detalhe - cada personagem é única, mesmo na multidão, cada pequena …

2019 | Junho

(não incluirei aqui as compras da Feira do Livro, já aqui documentadas)

Comprados & Recebidos
Junho foi um mês que começou, muito quente, em Beja, no Festival Internacional de BD. Comprei, imediatamente, Tangerina, de Rita Alfaiate e, após a conversa com o ilustrador, Tyler Crook, acabei por comprar o primeiro volume de Harrow County. Já em Lisboa, adquiri, em promoção, os volumes 2 e 3 da série na Kingpin Books, e o 4 na Feira do Livro.
No Porto, em visita à Flâneur, comprei um Little Black Classic da Penguin: The Steal Flea, de Leskov, autor que já tinha conhecido e apreciado.
As últimas aquisições da Feira do Livro foram, a par do já mencionado Harrow County 4, da E-Primatur: Bambi e Lassie, ambos em wishlist há que tempos. A Rita ofereceu-me A Piada Infinita, de David Foster Wallace, um colosso que deverei ler ainda este ano.
Por último, da G Floy, recebi uma remessa maravilhosa: o quinto e até agora último volume de Harrow County, Reborn/Renascidos, de Mark Millar, Indeh, de …

Stranger Things - Mentes Inquietas

Preparada para a terceira temporada de Stranger Things!

A série ficou de tal modo popular que agora até há livros. Não é a primeira vez que leio ficção que pretende dar um pano de fundo a séries, como podem comprovar pela vez em que li o Diário de Laura Palmer (e quero muito ler mais livros de Twin Peaks). Este é o primeiro livro de ficção de Stranger Things, e fala um pouco sobre Terry Ives, a mãe de Eleven, e as experiências MKULTRA em que esteve envolvida, no ano de 1969.
Tal como o diário de Laura Palmer, este livro funciona melhor (embora não tão exclusivamente) para quem tenha visto e conheça bem a série. Sendo uma prequela, acaba por não acrescentar imenso à história de Stranger Things, mas é bom entretenimento e é bom acompanhamento para a série. É uma narrativa fácil, e Terry e os seus amigos, namorado e irmã são personagens fáceis de gostar. O enquadramento histórico da Guerra do Vietname proporciona alguns twists interessantes, e a ligação com a série torna a leitura mais …