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Mensagens

Will Grayson, Will Grayson

O penúltimo livro do John Green que tinha para ler foi escrito em colaboração com um outro autor, que desconheço, de seu nome David Levithan. Will Grayson, Will Grayson é um livro sobre dois putos, ambos chamados "Will Grayson", e como as suas vidas se cruzam e (discutivelmente) mudam após esse evento: a vida do Will Grayson do John Green mudou, mas não pela intervenção do seu homónimo; já o Will Grayson do David Levithan apaixona-se pelo melhor amigo do primeiro Will Grayson, Tiny Cooper, e recorre ao auxílio deste. Tiny Cooper é descrito como: Tiny Cooper is not the world's gayest person, and he is not the world's largest person, but I believe he may be the world's largest person who is really, really gay, and also the world's gayest person who is really, really large. No fundo, o livro, assim como tudo neste livro, é mesmo sobre o Tiny. Toda a gente adora o Tiny, um tipo egoísta ao ponto de decidir fazer um musical sobre si próprio. Na esc...

Paper Towns

Voltei aos livros do John Green após a desmotivação dos dois primeiros, e tenho como nova missão acabá-los todos antes de poder partir para literatura que me aprouver mais. O John Green tem uma particularidade da qual eu já me havia apercebido, que é escrever basicamente o mesmo livro várias vezes: puto geek com amigos idiotas idolatra rapariga linda, única e problemática, a qual não conhece (pelo que basicamente gosta dela pelo simples facto de ela ser bem parecida - que é sempre) e com a qual nunca falou, mas com a qual consegue sempre, sempre  alguma coisa. As personagens principais deste livro, Quentin e Margo, são exactamente as mesmas dos seus dois livros anteriores. O John Green não se esforçou por esconder ou iniciar o plot de maneira a tentar parecer estar a escrever uma história diferente, quer dizer, o primeiro parágrafo é: The way I figure it, everyone gets a miracle. Like, I will probably never be struck by lightning, or win a Nobel Prize, or become th...

Cyrano de Bergerac

Este livro foi-me oferecido pela pessoa mais especial, comprado em segunda mão numa ida a Cascais, parte 2. Não sabia muito sobre  Cyrano de Bergerac , fora o nariz grande e a existência de um filme com o Gérard Depardieu, que nunca vi. De resto, é uma peça conhecida, é em francês,  et je dois l'étudier . A fama do nariz é comprovada cedo na peça: RAGENEAU: (...) Un nez!... Ah! messeigneurs, quel nez que ce nez-là!... On ne peut voir passer un pareil nasigère Sans s'écrier: "Oh! non, vraiment, il exagère!" No entanto, Cyrano não se deixa afectar, mesmo em duelo: LE VICOMTE: Personne? Attendez! Je vais lui lancer un de ces traits!... (Il s'avance vers Cyrano qui l'observe, et se campant devant lui d'un air fat): Vous... vous avez un nez... heu... un nez... très grand. CYRANO (gravement): Très! LE VICOMTE (riant): Ha! CYRANO (imperturbable): C'est tout?... O que quer que possam ter a dizer sobre o nariz de Cyrano, ele...

Three Soviet Plays

Este livro foi-me oferecido pela pessoa mais especial, comprado em segunda mão numa ida a Cascais. Esta edição tem três peças de três autores diferentes, nenhum dos quais eu conhecia. Mas é a Penguin, são peças, e são soviéticos - toda uma receita de sucesso comigo que, mais uma vez, funcionou. A edição em si é óptima: tem toda uma introdução sobre teatro na União Soviética (na qual é mencionado o Bulgakov), e uma introdução a cada uma das três peças. The Bedbug , de Vladimir Mayakovsky Esta é honestamente das melhores peças que já li. Segundo a introdução, Vladimir Mayakovsky planeava, com o dinheiro que fizesse graças à peça, ir a Paris comprar um Renault, algo que conseguiu; o seu sucesso, no entanto, ficou-se pelo Renault. Esta peça tem como protagonista Prisypkin, proletário vulgar e alcoólico aspirante a burguês, cheio de insectos que a wikipedia me diz chamarem-se "percevejos de cama" em português, que tenta afrancesar o seu nome e se vai casar com uma mulher...

The White Guard

O Bulgakov é possivelmente o meu russo favorito, e o The Master and Margarita é um livro que acho que toda a gente devia ler (porque gatos). Este parece que tem o Clint Eastwood na capa e veio do eBay. Muito diferente dos outros livros do Bulgakov que li (este foi o meu quarto), The White Guard  retrata o inverno de Kiev em 1918-1919 através dos irmãos Turbin, Alexei, Elena e Nikolka, uma família da classe média que apoia a monarquia, o Czar Nicholas e a sua família já assassinada pelos Bolcheviques (e estão em negação quanto a este facto). Isto em si é interessante pois, embora ucranianos, os Turbin sentem-se claramente russos. O nome desta família lembrava-me, de forma previsível e frequente, de um conhecido  hit  da música popular portuguesa. Sim, eu acabo de referir Ana Malhoa num  post  sobre um clássico russo refundido. Sabem porquê? Porque posso. Adiante, após a guerra civil que se seguiu à Revolução Bolchevique de 1917, Kiev foi ocupada pelo e...

Big Sur

Li o On the Road há uns bons anos e, ao contrário do que esperava, não achei particular piada a tipos a andar de um lado para o outro, um chulando a sua tia enquanto o outro coçava a barriga  (dois bêbedos drogados preguiçosos e misóginos,  what's not to like ?). Decidi, não obstante, dar uma segunda oportunidade ao Kerouac. Continuo a ter um problema com o Kerouac, e é um problema que se chama stream of consciousness . É um problema que tenho com vários outros autores (estou a olhar para ti, Virginia Woolf/dêem-me o The Sound and the Fury todos os dias, porém), portanto não são eles, sou eu. Percebo que estar a pensar em pontuação e parágrafos seja uma seca quando se está inspirado, mas o meu attention span nunca foi grande coisa. Por exemplo, gostei muito da frase seguinte, mas leiam-na lá no seguimento e na pontuação que tem: Always so wonderful in fact to get away from that and back to the more human woods and come to the cabin where the fire's still red...