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Mensagens

The Time Traveler's Wife

Este foi-me oferecido há uns Natais atrás. É também um dos livros mais populares do Goodreads (o 20º mais lido nos demasiados que tenho adicionados neste momento). Apesar de ter demorado um bocado a chegar a este livro (a dimensão do mesmo assustava-me um pouco - li-o em dois dias), estava entusiasmada por o ler finalmente. Porém, este livro é daqueles que não percebo muito bem se gostei se não - ao mesmo tempo que gosto da premissa, e da história em si, tenho vários problemas com a mesma. Henry é o time traveler do título. Trabalha numa biblioteca e tem uma deficiência cromossomática chamada "chrono-displacement disorder" (conforme eventualmente descobre) e, desde os seus cinco anos que, em tempos mais conturbados ou simplesmente do nada, viaja no tempo. Sem máquina do tempo, sem sequer por vontade própria - apenas aparece nu em sítios e tempos que muitas vezes desconhece. Como se isto não bastasse, Henry tem uma vida por si só conturbada, com a morte da mãe, a depre...

Uma Questão Pessoal

O primeiro japonês que li (não, nunca li nada do Murakami). Este livro é aparentemente baseado na vida do autor, Kenzaburō Ōe, vencedor do Nobel da Literatura em 1994, cujo primeiro filho nasceu portador de deficiência. É suposto ser um retrato comovente de um homem que descobre que o seu filho primogénito, recém-nascido após um parto difícil, tem uma deficiência grave, algo que parece ser uma hérnia cerebral. Para mim, é o retrato de Bird, um homem cobarde e egoísta com tendências alcoólatras que decide começar a trair a mulher e tenta condenar o filho à morte por um problema que, no fim, nem era bem o que se julgava ser, tudo porque a vida familiar parece condenar o seu sonho de ir um dia a África. Himiko, a mulher com quem ele trai a sua esposa, é uma viúva pseudo-profunda: Este tipo de divisão universal de células também ocorreu quando o meu marido se suicidou. Eu fiquei para trás no universo em que ele morreu, mas noutro universo, do outro lado, onde ele conti...

A Room with a View

Florença é das cidades Italianas que mais quero visitar, por motivos que se dividem entre arquitectura (juro que não sou esta apresentadora ) e o facto de se encontrar no Uffizi o meu quadro preferido do Renascimento. Isso e Itália. Lucy Honeychurch vai passear a Florença com a sua irritante prima mais velha solteirona, Charlotte. Lucy é upper-middle-class e extremamente protegida por todos os que a rodeiam; ao chegarem à pensão em Florença, as duas primas apercebem-se que lhes foram destinados quartos sem vista para o Rio Arno. Imediatamente, um senhor de alguma idade, Mr. Emerson, e o seu filho George, propõem trocar de quarto com elas, o que para Charlotte é um ultraje - mas um ultraje que acabam por aceitar. Embora Charlotte, bem como grande parte dos hóspedes da pensão, ache que os Emersons são esquisitos (porque o Mr. Emerson diz sempre o que acha, sem auto-censura) e não gente de bem, Lucy tem sentimentos conflituosos, e encontra-se frequentemente com eles na cidade....

Watership Down

COELHOS!!!! Aqui está um livro que eu julgava ser para crianças. Um livro para crianças com coelhinhos, que fofo! Só que não. Quando Fiver, um coelhinho que tem visões premonitórias (SIM) sonha com a destruição massiva da sua... colónia de coelhos? Como se chama o habitat de coelhos? Mas adiante, quando ele tem uma visão de destruição total, poucos sem ser o seu irmão, Hazel, o ouvem. Levados pelo medo e pela coragem, começam uma aventura de quase 500 páginas para encontrar um novo lar. El-ahrairah, your people cannot rule the world, for I will not have it so. All the world will be your enemy, Prince with a Thousand Enemies, and whenever they catch you, they will kill you. But first they must catch you, digger, listener, runner, prince with the swift warning. Be cunning and full of tricks and your people shall never be destroyed. Desde o início este grupo de coelhos é confrontado com obstáculos e algum mau ambiente no meio do grupo. Cedo, porém, Hazel se torna ...

Contos de Eça de Queirós

Este livro era do meu avô, e depois do meu pai, o que explica o seu estado de conservação. Como a grande maioria das pessoas que frequentou o ensino obrigatório (creio), já tinha lido alguns destes contos por volta do 9º ano. Vou ser sincera: o meu conhecimento e a minha experiência de literatura portuguesa e lusófona são limitados, algo que ando nos últimos tempos a tentar contrariar. É surpreendente o quão pouco me lembrava dos contos que já tinha lido. Embora A Aia  me estivesse totalmente na memória (é, de facto, um texto marcante), de  Singularidades de uma Rapariga Loira  só me recordava do desfecho, e de O Tesouro , da ideia principal do texto. No entanto, e a bem ver, o meu 9º ano já foi há algum tempo. Alguns dos contos deste livro são muito bons. Alguns são reminiscentes da restante obra que conheço de Eça. Outros são enfastiantes, uma autêntica seca, nem sei como os consegui ler. Desses, destaco pela extrema negativa  Adão e Eva no Paraíso , ao...

Os da Minha Rua

Emprestado pela pessoa mais bonita. Os da Minha Rua retrata a infância de Ondjaki em Luanda, uma cidade onde os professores são tratados por “camarada professor”, onde se bebe Tang, onde se vêem novelas brasileiras com toda a atenção, onde televisões a cores são quase um mito, onde cinco irmãs míopes têm de partilhar o mesmo par de óculos, de revelações inconsequentes, dos finos do Tio Chico, de primas do vizinho, de coca cola diluída em água para chegar para todos, uma infância onde Ondjaki experimenta os ténis da irmã mais velha num comício do 1º de Maio: Vi os quedes vermelhos da Tchi, que ela nunca gostou muito, só tinha usado durante uns tempos e depois ficaram ali a ganhar poeira. Limpei devagarinho a parte da frente e até um bocadinho das solas com um pano do pó que sempre ficava ali na casa de banho. Experimentei os quedes, confirmei o que já sabia: não me serviam bem, aleijavam-me no dedo grande e no mindinho também. Mas só o póster, ché!, até num vale a pena! ...