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Les Trois Mousquetaires

Um por todos e todos por um! Três coisas levaram-me a ler este livro neste momento: a primeira motivação foi fazer uma leitura conjunta com o meu melhor companheiro; a outra, a frustração com o Le Rouge et le Noir (que continua inacabado, em Lisboa) e querer provar a mim mesma que conseguia ler um calhamaço em francês; por último, a minha vinda para Paris. A história será minimamente conhecida de todos, mais não seja por este enorme clássico: Dartacão, Dartacão! Portanto, as personagens deste romance são-nos familiares: D'Artagnan, o protagonista, oriundo de Béarn, na Gascogne (como quem diz, o País Basco francês); Athos, Porthos e Aramis, os três Mosqueteiros do Rei; o Rei Louis XIII e a sua esposa, Anne d'Austriche; o Cardeal Richelieu e os seus agentes. Dumas pega em personagens e eventos históricos reais e reinterpreta-os através da sua visão do mundo, que se divide entre personagens motivadas pelo amor, honra e amizade, e personagens cuja motivação vem d...

preenchendo a estante

Alguns livros que recebi antes de vir para Paris (este blog anda com um atraso horroroso, pior do que o atraso crónico habitual, e peço desculpa). Gostava de arranjar um nome mais "coeso" para este tipo de posts . Sugestões? Da Bertrand, veio A Economia Mais Forte do Mundo , de Joseph Stiglitz. Para quem não sabe, tenho um mestrado na área de economia (mais especificamente, economia do desenvolvimento), e Stiglitz é um nome incontornável, com o qual já estava familiarizada (e de quem realmente gosto, ao contrário do Jeffrey Sachs). Este livro fala na desigualdade económica que se vive nos Estados Unidos, e de como esta é incontornável e gravíssima - e de como é, na verdade, uma escolha. Já peguei nele e está, até agora, a ser muito interessante. De Raul Brandão (autor de quem o meu amor não gostou particularmente),  El-Rei Junot , que tem uma daquelas capas maravilhosas da Guerra e Paz. Fiquei com curiosidade relativamente a este livro por dois motivos: prime...

Galeries Lafayette

Porque as Galeries Lafayette não são só para quem quer comprar uns trapos. O edifício principal das Galeries Lafayette na Blvd Haussmann é icónico: não sendo esplendoroso ou digno de grande destaque por fora (nesse aspecto, ganha o Printemps, quase ao lado, ou mesmo o Bazar de l'Hôtel de Ville, que pertence ao grupo Lafayette), o seu interior transporta-nos para outro mundo. Antes de mais, a cúpula, é claro; mas os elevadores lembraram-me do filme do Titanic, e as escadarias remontam totalmente ao início do séc. XX.   Sendo maioritariamente dedicado a roupa feminina, este edifício tem, no 6º piso, uma livraria. Destaco também que este piso serve como um miradouro grátis com bonitas vistas sobre a cidade. A livraria tem um aspecto muito clean, mas tem um pouco de tudo: desde livros de belas-artes, moda e guias turísticos, a uma vasta selecção de clássicos, ensaios, ficção contemporânea, romances e bandas desenhadas. Dá, portanto, para encontrar de ...

Librairie la Belle Lurette

Passei por esta pequena livraria em passeio, entre o Hôtel de Sully e a Place de La Bastille. O que me chamou a atenção, além da sua fachada azul clara, foi o facto de, à porta, na Rue Saint-Antoine, ter uma pequena banquinha com livros de bolso com pequenos comentários e recomendações agarrados. Uma livraria assim tem imediatamente um toque pessoal - um charme muito maior do que uma FNAC, ou que uma qualquer cadeia. É um toque pensado, humano, de quem realmente aprecia livros e quer mostrar ao leitor aquilo que destacou numa leitura em particular.   Por dentro, a sensação de livraria independente mantinha-se: fui recebida com um simpático bonjour , e os outros clientes tinham atendimento personalizado; as várias secções estavam divididas por etiquetas de papel coladas nas estantes de madeira; a secção de livros em inglês era pequena; e os post-its de opinião abundavam. Se não comprei um livro, foi porque tinha acabado de comprar um outro na Maison Victor Hugo -...

A Casa do Futuro

Como será a casa do futuro? A Casa do Futuro, da autoria de Margarida Louro e Camila Martinho, ambas arquitectas, explora o papel dos arquitectos na sociedade actual, abordando o tema da arquitetura sustentável. A personagem principal é Francisca, uma jovem arquitecta que é contactada por e-mail por uma família que procura a casa do futuro. Francisca depara-se com um dilema: o que é a casa do futuro? E vai perguntar a Serafim, um arquitecto mais velho, seu mentor, que gosta muito de fazer bolachas.     - Olha, Francisca, todas as casas que projetamos são casas do futuro. As casas resistem ao passar dos tempos, dos anos... e muitas vezes são passado, porque já existiam antes de nós; presente, porque nos servem no dia a dia; e futuro, porque geralmente duram mais do que nós... Mas não é bem isto que Francisca procura. Francisca pensa que o futuro será algo mais do que a integridade dos edifícios. E também aqui Serafim compreende e tenta ajudar:  - Um...

Maison de Victor Hugo

Estando já instalada em Paris, dediquei-me a uma actividade bastante literária: a visita à casa de Victor Hugo. O autor, é claro, dispensa apresentações: escreveu, entre outras obras,  Les Misérables (que só li em versão reduzida, querendo ler o original em francês) e Notre Dame de Paris , que li há dois anos em jeito de celebração da última vez que vim a Paris.   Existem dois museus Maison de Victor Hugo: um em Paris, o outro em Guernsey. A casa de Paris situa-se no nº 6 da Place des Vosges (assim denominada desde 1800, antiga Place Royale), em pleno bairro do Marais, e é onde Victor Hugo viveu de 1832 a 1848. Já queria ter visitado este jardim antes, mas nunca se tinha dado. A Place Royale foi inaugurada em 1612, para celebrar o noivado de Louis XIII e Anne de Áustria, sendo a mais antiga praça da cidade, e contou ao longo dos séculos com vários habitantes ilustres, entre os quais Richelieu (preparem-se para outros posts sobre ele nos próximos d...