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Bordados

Marjane Satrapi foi o primeiro nome que me ocorreu quando me apercebi que estávmos em Agosto, o mês do #womenintranslation. Já tendo lido Persepolis  e Frango com Ameixas , tinha ainda este por ler na estante, da última colecção Novela Gráfica da Levoir. Parti para este livro já com a ideia de que se tratava de mais um pedaço da vida real da autora, mas que seria uma obra menor que as outras duas que eu já tinha lido. Bordados  é um livro de leitura rápida, relatado pelos olhos das mulheres da vida de Marjane - avó, mãe, tias, vizinhas, amigas - enquanto bebem chá após o almoço, momento em que os homens se retiram e as mulheres aproveitam para ter conversas mais íntimas.   Todas elas contam histórias de momentos das suas vidas, ou de outras mulheres que conhecem, sem qualquer inibição: histórias sobre injustiças, esperanças, sonhos de vida, desilusões, frustrações,  segredos, casamentos mais ou menos realizadores, por amor, conveniência ou até dinheiro. Apesar das mu...

Frango com ameixas

Como ler Marjane Satrapi após ter lido Persepolis ? Em Frango com Ameixas , Marjane Satrapi apresenta-nos um relato da vida e da morte (especialmente da morte) do seu tio, o célebre músico Nasser Ali Khan, que nunca conheceu. A vida de Nasser Ali Khan é-nos contada lentamente ao longo da sua última semana de vida, numa procura de significado repleta de melancolia. É o desistir da vida pela música e pelo amor. Teerão, 1958. Quando o tar  (um instrumento de cordas) de Nasser fica irremediavelmente partido, este procura um novo instrumento que o substitua, sem sucesso, pois tudo lhe soa mal. Faz longas viagens, adquire a elevado custo a versão tar  de um Stradivarius, mas nada é capaz de o satisfazer. A única solução possível parece ser renunciar ao mundo e, durante oito dias, Nasser deseja morrer. Ao longo desta semana, vemos flashbacks vários (e mesmo flash-forwards ), encontros com amigos e família, peças que compõem o puzzle da sua vida e que se encaixam na sua decisão d...

Persepolis

Aprendendo um pouco mais sobre o Irão.  Quando a minha madrinha, há uns meses, me contou que ia fazer uma viagem de duas semanas pelo Irão, cuja cultura a fascinava, apercebi-me que não sabia absolutamente nada sobre o país. Pérsia, Golfo, petróleo, guerras contra o Iraque, insurgências recentes, nada mais.  De facto, especialmente depois do 11 de Setembro, o Irão e os iranianos são pintados como "os maus da fita" no mundo ocidental. Mas o Irão não é um sítio mau - são as pessoas que lideram o país que o são. Os iranianos, como todos os outros, fazem parte do mundo e, tal como o resto do mundo, querem ouvir música, ter amigos, sair, ir a festas, usar calças de ganga (e não uma burqa). E é isso que aprendemos neste livro, que nos mostra uma experiência, em primeira mão, de como foi crescer no Irão, precisamente na altura em que as coisas começaram a piorar: fundamentalismo religioso, segregação por género, direitos das mulheres cada vez mais reduzidos, ver vizinho...