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Mensagens

A amiga de Madame Maigret

Que é como quem diz, o livro que me foi oferecido na Feira do Livro. Não sou pessoa de ler policiais. Simplesmente não é o meu género: não me apela e não sou boa a resolver mistérios. Madame Maigret vai ao dentista e, tendo chegado demasiado cedo, senta-se num banco de jardim e faz amizade com uma senhora acompanhada de uma criança. Do nada, a senhora diz que tem um compromisso e larga a criança com Mme. Maigret, que se vê abandonada com a criança e incapaz de ir à sua consulta no dentista. A senhora volta, chama a criança, e desaparece sem explicação. Entretanto, o seu marido, o conhecido inspector Maigret criado por Simenon, vê-se deparado com um misterioso caso de uma denúncia anónima de um homicídio, que leva à descoberta de dois dentes humanos numa fornalha e um fato azul manchado de sangue. Muita coisa é confusa nesta narrativa, desde as muitas personagens (muitas delas alcoólicas) ao facto de ambos os casos estarem relacionados. O final pareceu também apress...

Agnes Grey

Mais uma Brontë, mais uma narrativa de governanta. Anne Brontë, a mais nova e possivelmente menos conhecida das três irmãs, passou grande parte da sua curta vida adulta a trabalhar enquanto governanta. A sua primeira de duas obras, Agnes Grey , é um relato ficcionado dos seus anos de trabalho. Uma mulher rica decide casar com um pároco pobre, perdendo toda a sua riqueza e dote; o clérigo não pára de se atormentar e envolve-se em dívidas várias através de investimentos pouco pensados. O casamento é, no entanto, feliz, e têm duas filhas: Mary e Agnes. Para ajudar a família, Mary começa a vender pequenos quadros, e Agnes decide ser governanta, posição essa já vista em Jane Eyre e que em Emma , de Jane Austen, é descrita como um último recurso, algo que, graças ao tom realista deste livro, se percebe bem porquê.  Agnes, como Anne Brontë, é filha de um clérigo, e vê-se na posição de governanta (algo relutante) para ajudar financeiramente a família, e há vários asp...

The Sketch Book of Geoffrey Crayon, Gent.

Uma falsa compilação de histórias. Fui sem dúvida vítima de marketing no que respeita ao título deste livro: não pude resistir a um volume com as duas histórias mais famosas do autor ( Rip Van Winkle e The Legend of Sleepy Hollow ), mas será que resistiria ao Sketchbook of Geoffrey Crayon, Gent. ? “ Sketchbook ” é um nome muito mais adequado do que “ Stories ”, pois nem todas as pequenas narrativas deste volume se podem classificar como tal: é uma colecção de peças descritivas, narrativas, históricas, entre outras, sobre a vida rural e urbana e tradições natalícias no Reino Unido (que o autor considera de extremo interesse para quem, como ele, é Norte-Americano), entre algumas histórias sobrenaturais. É um leque tão vasto de narrativas que é fácil encontrar algo que nos apele – mesmo que não seja o caso da maioria. Não vou mentir – não retirei grande prazer desta leitura, talvez por muitas das peças serem de índole descritiva (algo que não faz o meu género), o que se t...

shelf control

Em semana em que descobri não só quanto vale uma hora extra do meu tempo no trabalho, mas também que uma otite pode chegar ao nariz, o tempo para ler não anda nem no seu mais extenso nem na maior qualidade. A imagem original tem muito mais piada mas é muito mais agressiva Este ano estava a correr bem no que respeitava a não comprar livros - ao self control  sempre que passava numa livraria. No entanto, com a descoberta do AwesomeBooks, isto descambou um bocado (que é para não dizer muito). E é preciso controlar-me não só a mim, como ao espaço nas estantes que já não existe. Pensei que estava a fazer uma piada incrível com o título shelf control , mas aparentemente já alguém o pensou antes de mim: a Lisa do  bookshelf fantasies , em versão meme semanal. Ora, eu não fui feita para memes , não fui feita para dissertar sobre um livro que não li ainda mas que já comprei, mas é exactamente isto que irei fazer: concentrar-me no que me espera na estante, antes que a esta...

Nobelpriset i litteratur

Tendo sido anunciado o laureado deste ano, deixo as minhas considerações sobre os autores (e obras) que já tive oportunidade de ler - e aqueles cujos livros tenho aqui por casa, à espera da sua oportunidade. 1921 - Knut Hamsun Este é dos que já li. Li apenas Hunger e Mistérios , cujas reviews podem ler seguindo os links . São ambos livros bastante diferentes mas muito bons, aproximando-se talvez um pouco da filosofia e partilhando imagens e sentimentos da Escandinávia; este prémio foi atribuído  for his monumental work, Growth of the Soil , que é sem dúvida mais um a acrescentar à infindável lista de livros para ler um dia. 1925 - George Bernard Shaw Muito antes de ter este blog li Pygmalion , obra que deu origem ao conhecido filme (e peça) My Fair Lady . Tenho uma edição da Europa-América com a Audrey Hepburn na capa que é possivelmente o único livro editado por eles que possuo do qual gosto: é uma edição bilingue, o que facilita a leitura das palavras de Eliza ...

O vale da paixão

"Deixo à minha sobrinha, por única herança, esta manta de soldado". Foi a primeira vez que li Lídia Jorge e fiquei agradavelmente surpreendida. Um livro em torno de mistérios familiares, do ponto de vista de uma rapariga a crescer entre as décadas de 1950 e 1980, foi algo reminiscente dos livros de Alice Vieira que rechearam a minha infância, mas numa versão para adultos. Passada em São Sebastião de Valmares, algures no Algarve, a narrativa, sem cronologia condutora, centra-se na visita que a narradora, sem nome conhecido, recebe do seu tio, Walter Glória Dias, que é na verdade seu pai. É uma noite de chuva em 1963 e Walter tira os sapatos para entrar no quarto da sua filha, com quem conversa pela primeira vez, sem que ninguém ouça nada. Por vezes referida como "a sobrinha de Walter", outras vezes como "a filha de Walter", a narradora entra numa reflexão sobre as suas raízes e sobre quem realmente fora o seu pai. Pois tudo o que a filha de...