Avançar para o conteúdo principal

The Pursuit of Love

No seguimento do meu fascínio pelas irmãs Mitford.


The Pursuit of Love é um livro curto que narra a infância, adolescência e vida adulta de Linda Radlett sob os olhos da sua prima, Fanny, maioritariamente no período entre guerras.

"Isn't it lovely to be lovely me?"

Fanny é filha da irmã ovelha-negra da família, que engravidou nova, abandonou a filha, e foi tendo marido após marido; é também melhor amiga da sua prima: e mais que melhora amiga, admira Linda, uma beldade numa família de pessoas bonitas, de pessoas fascinantes e excêntricas. Destaca-se claramente o tio Matthew, pai de Linda, que caça as crianças quando não tem animais, que aterroriza as empregadas, que, não tendo lido mais que um livro na vida, não aguentou a emoção ao ver encenado Romeu e Julieta.

It was not a success. He cried copiously, and went into a furious rage because it ended badly. "All the fault of that damned padre," he kept saying on the way home, still wiping his eyes. "That fella, what's 'is name, Romeo, might have known a blasted papist would mess up the whole thing. Silly old fool of a nurse too, I bet she was an RC, dismal old bitch."

O tio Matthew proíbe também as filhas de ir para a escola, por achar que piano e francês são todas as skills necessárias para arranjar marido, mas isto acaba por não preparar nenhum dos filhos propriamente bem: Louisa casa-se com um amigo do pai, um homem muito mais velho que ela; Jassy poupa constantemente dinheiro para um dia fugir de casa, desde criança; Matt foge da escola para se alistar na Guerra Civil espanhola; e Linda sonha casar com o Príncipe de Gales, enquanto lê livros sobre a reprodução dos patos de modo a aprender mais sobre o acto sexual.

E esta história é sobre Linda: Fanny fala, de vez em quando, sobre si própria, e rapidamente relembra o leitor que está a ler sobre Linda.

É um livro encantador e apelativo sobre família, sobre os valores familiares, sobre memórias, sobre as consequências de actos menos pensados - é um livro sobre amor, sobre o amor que sustenta tudo isto, sobre o amor para as mulheres da Inglaterra aristocrática. Até porque, como o livro sugere, esta é uma história sobre procurar - sobre perseguir o amor.

Linda Radlett tem tudo: o dinheiro, a beleza, a inteligência, os amigos, mas o que quer mais na vida é o amor, o casamento perfeito, o marido perfeito: a história de amor perfeita, como nos vários livros que lia. Mas Linda não foi criada de maneira a estar preparada para o mundo real. Aos 16 anos, Linda conhece Tony e é amor à primeira vista. Apesar da resistência por parte de ambas as famílias, casam-se.

What could possibly have induced Linda to marry Anthony Kroesig?... What was she after, surely she could never possibly have been in love with him, what was the idea, how could it have happened? He was admittedly very rich, but so were others and surely the fascinating Linda had only to choose? The answer was, of course, that, quite simply, she was in love with him.

E claro que Tony não é aquilo que Linda achava que ia ser. Tal como Scarlett O'Hara com o Ashley - bolas, tal como todas nós, no fundo, a Linda criou uma imagem perfeita e colou-a no Tony. O Tony não era aquele homem elegante e alegre que ela achava que tinha conhecido, o Tony por quem ela se tinha apaixonado era uma ilusão, o Tony real era um bancário chato com a mania que era rico e importante.

Linda tem uma filha, que é o espelho de Tony. Linda não suporta Tony, não suporta a filha, abandona o marido.

Linda não aprende, insiste em encontrar o amor e apaixona-se por um comunista, Christian, com quem casa e por quem desiste da sua vida social. Este leva-a a Espanha, à Guerra Civil espanhola, e se apaixona eventualmente por uma antiga conhecida de Linda, chamada Lavender Davis (subentende-se que esta paixão se deve à dedicação dela à causa).

Linda é posta em segundo lugar, Linda tem um laivo de dignidade e abandona o segundo marido, sai de Espanha despeitada e chega a Paris para descobrir que não tem dinheiro para voltar para casa. Linda é constantemente enganada pelas suas emoções, pelos sentimentos que, de certa forma, força em si mesma, miragem após miragem, homem após homem. O que a pode esperar agora?

Damos por Linda a seguir um caminho em tudo semelhante ao da mãe de Fanny, a outra mulher desvirtuada na sua procura pelo amor. Linda não se conforma, não segue os padrões: abandona maridos, abandona a maternidade, e nunca se apercebe totalmente das correntes que quebra com os seus actos, pois só tem em vista o seu objectivo final, que fora, desde sempre, encontrar o amor, ser amada, sem olhar para trás e ver as rejeições, as perdas.

Linda chora na Gare, é encontrada por um francês bem vestido chamado Fabrice, que lhe acha piada, acha piada a toda a situação, e lhe arranja lugar para dormir.

"In England," said Linda, "I am considered a beauty."
"Well, you have points."

Linda apaixona-se por Fabrice. Fabrice arranja-lhe casa, roupas do melhor, uma vida de felicidade enorme; o tempo passa e ela esquece-se de avisar a família, em Inglaterra, que está bem. Linda parece ter encontrado finalmente o amor, após dois enganos.

She was filled with a strange, wild, unfamiliar happiness, and knew that this was love. Twice in her life she had mistaken something else for it; it was like seeing somebody in the street who you think is a friend, you whistle and wave and run after him, but it is not only not the friend, but not even very like him. A few minutes later the real friend appears in view, and then you can’t imagine how you ever mistook that other person for him.

Mas é 1939. É a Europa. É Paris. E quando finalmente rompe a guerra, Linda tem de, eventualmente, regressar à realidade, à segurança de Inglaterra, enquanto Fabrice se junta ao exército francês. Porém, desta vez, ela não quer ir, não quer abandonar Fabrice. É forçada a abandonar, pela primeira vez, alguém com quem queria ficar, e regressar para a casa dos Radlett, onde, apesar de tudo o que fez de errado e de (de acordo com os valores estritos da família) moralmente condenável, é acolhida. Porque os Radlett nunca se abandonam uns aos outros, estão sempre lá para Linda, como estavam para a mãe de Fanny. Porque Linda fugia às convenções e horrorizava os pais com os seus casamentos, mas os pais estão sempre lá para ela.

O final da história é triste, mas não amargo, e adequado. É um tributo a quem segue os seus sentimentos, à dedicação da heroína em alcançar o que mais desejava. E as frases finais, sobre a inconsistência de Linda, são inesquecíveis.

- He was the great love of her life, you know.
- Oh, darling, said my mother sadly. One always thinks that. Every, every time.

Porque, posto desta forma, quem não é inconsistente? Quem pode garantir ter encontrado o seu grande amor? O que é que, no fundo, é permanente?

E como é que a vida pode ser a mesma quando se colocam essas questões?

Este pequeno livro é, ao mesmo tempo, divertido e emocionante. Mesmo o humor colocado nos momentos mais obviamente tristes denota uma emoção forte e profunda, e não uma apatia ou indiferença.

5/5

Podem comprar uma outra edição em inglês aqui, ou em português aqui.

Comentários