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The Awakening and Selected Stories of Kate Chopin

Um clássico feminista que aguardava na estante há mais anos do que tenho coragem de revelar. Tratando-se de uma edição combinada, romance e contos, decidi começar a minha leitura de Kate Chopin pelos contos. Começo, assim, por falar dos contos, destacando alguns. Estes contos são retratos de algumas das complexidades de ser mulher no Sul Norte-Americano no final do séc. XIX, incluindo as relações com os homens, como o amor romântico pode não correr da melhor maneira, ser incompreendido, não passar de um ideal. Aqui, os casamentos nunca são totalmente estáveis e podem mesmo ser vistos como uma prisão. Mães que se permitem a indulgência em si próprias, o egoísmo, mulheres que têm de confrontar o mundo, mulheres que acabam por descobrir algo sobre si mesmas. Todas estas mulheres procuram a sua felicidade, no fundo - e esta procura acaba por se prender com o racismo, inferioridade, sofrimento, independência, realização pessoal. Destaco três contos. Desiree's Baby  - um...

O Estrangeiro

Uma segunda leitura, numa segunda língua. Li este livro originalmente em 2011, aquando do meu mestrado. Li em inglês, porque na altura fazia-me sentido ler livros franceses em inglês. Em 2017, em Paris, adquiri uma adaptação desta obra, em novela gráfica . Quando a minha irmã me ofereceu esta edição, senti que era uma deixa para reler, já este ano. Mersault é um modesto homem trabalhador, que vive em Algiers. O seu dia-a-dia é vivido com indiferença e incapacidade de manifestar quaisquer emoções - e é com essa mesma apatia que recebe a notícia da morte da sua mãe, que vivia num lar há já alguns anos, como aprendemos numa das aberturas de livros mais famosas de sempre. (a par de Lolita, 1984 ou Moby-Dick, por exemplo) Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. A partir daí, Mersault, neste curto livro, passa por várias situações: tem de lidar com o chefe, de modo a poder ir ao funeral da sua mãe (pedindo desculpa, alegando não ser sua culpa, num momento de...

PASSATEMPO | Nancy Mitford

Depois de ter lido e adorado o segundo volume da trilogia, e apercebendo-me da fraca popularidade de Nancy Mitford no nosso país... (vencedora anunciada nos comentários) Decidi fazer um passatempo com as edições de ambos os livros em português:  A Procura do Amor e Amor num Clima Frio  (links para os meus posts de opinião)! Ressalvo duas coisas: primeiro, o terceiro livro, que eu ainda não li, não existe por cá (e dá para ler cada livro independentemente). Segundo, este passatempo não tem qualquer afiliação - saiu do meu bolso. Estou a sentir-me generosa, e/ou decidi fazer algo diferente. Como quiserem. Para participar, devem comentar este post  dizendo qual a vossa autora (mulher) favorita, e o porquê.  Este comentário será a participação. Passatempo aberto até dia 3 de Abril. Aberto para residentes em Portugal apenas, e para seguidores do blog, seja no Instagram ou no Facebook , devendo, no comentário, identificar onde me seguem e com que n...

Love in a Cold Climate

Dois anos volvidos, leio finalmente o companheiro de The Pursuit of Love . Li este livro na minha viagem à Holanda , por saber que ia fazer algumas deslocações entre cidades (e para me distrair no avião). Já tinha saudades de Fanny Logan e dos Alconleigh (Linda, infelizmente, tem muito pouco destaque nesta obra). Este volume, embora seja o "segundo" de uma trilogia (preciso de adquirir o terceiro volume, que não tenho!), não se passa após o primeiro: decorre, sensivelmente, durante o mesmo período de tempo. Se em The Pursuit of Love  Fanny nos relata as aventuras da sua prima, Linda Radlett, aqui temos a história de Lady Leopodina [Polly] Hampton, uma prima afastada de Fanny, pelo lado do pai, filha única dos muito aristocráticos e muito ricos Montdore. A Lady Montdore, Sonia, é produto da aristocracia mais baixa, e o seu casamento com o Earl Montdore é visto como um enorme feito social da sua parte. É-nos descrita como avarenta, egoísta, snob - porém encantadora...

Moby Dick

O grande clássico americano (e por grande não me refiro só ao tamanho, não. O clássico é muito conhecido, o livro é grande, e baleias também). Não há como ler este livro sem pensar no Heathers . Não há como não ouvir o Christian Slater (quando ainda era bem parecido - aqui está um exemplo de alguém que envelheceu mesmo mal) na minha cabeça " Ah, now you're talking. I can be up for that. I've already started underlining meaningful passages in her copy of Moby Dick, if you know what I mean.... Es-ki-mo ". E isso obviamente torna o livro imediatamente melhor. Passei o livro à procura da palavra eskimo , mas aborreci-me tanto durante a leitura que, se houve esquimós, não dei por nada. A sério. Heather com a sua cópia já gasta de Moby Dick Fica, portanto, a primeira ressalva - achei grande parte deste livro infinitamente aborrecida, o que é particularmente chato quando o livro não é dos mais pequenos. No entanto, cruzei-me, ao longo da minha leitura, na vi...

Les Trois Mousquetaires

Um por todos e todos por um! Três coisas levaram-me a ler este livro neste momento: a primeira motivação foi fazer uma leitura conjunta com o meu melhor companheiro; a outra, a frustração com o Le Rouge et le Noir (que continua inacabado, em Lisboa) e querer provar a mim mesma que conseguia ler um calhamaço em francês; por último, a minha vinda para Paris. A história será minimamente conhecida de todos, mais não seja por este enorme clássico: Dartacão, Dartacão! Portanto, as personagens deste romance são-nos familiares: D'Artagnan, o protagonista, oriundo de Béarn, na Gascogne (como quem diz, o País Basco francês); Athos, Porthos e Aramis, os três Mosqueteiros do Rei; o Rei Louis XIII e a sua esposa, Anne d'Austriche; o Cardeal Richelieu e os seus agentes. Dumas pega em personagens e eventos históricos reais e reinterpreta-os através da sua visão do mundo, que se divide entre personagens motivadas pelo amor, honra e amizade, e personagens cuja motivação vem d...

Maison de Victor Hugo

Estando já instalada em Paris, dediquei-me a uma actividade bastante literária: a visita à casa de Victor Hugo. O autor, é claro, dispensa apresentações: escreveu, entre outras obras,  Les Misérables (que só li em versão reduzida, querendo ler o original em francês) e Notre Dame de Paris , que li há dois anos em jeito de celebração da última vez que vim a Paris.   Existem dois museus Maison de Victor Hugo: um em Paris, o outro em Guernsey. A casa de Paris situa-se no nº 6 da Place des Vosges (assim denominada desde 1800, antiga Place Royale), em pleno bairro do Marais, e é onde Victor Hugo viveu de 1832 a 1848. Já queria ter visitado este jardim antes, mas nunca se tinha dado. A Place Royale foi inaugurada em 1612, para celebrar o noivado de Louis XIII e Anne de Áustria, sendo a mais antiga praça da cidade, e contou ao longo dos séculos com vários habitantes ilustres, entre os quais Richelieu (preparem-se para outros posts sobre ele nos próximos d...

Giovanni's Room

Paris, 1950s. David é um norte-americano que vive em Paris e está à procura de si mesmo enquanto a sua namorada, Hella, decide se se quer casar com ele fazendo uma viagem solitária por Espanha. David está a ficar sem dinheiro - e o pai dele cortou os fundos, na esperança que ele volte para casa, pois considera que, com quase 30 anos, já não tem idade para esses devaneios. O conflito de David reside numa voz interna que não ouve, que tenta não ouvir - a voz que o corrói por dentro, que não o deixa aceitar quem realmente é, que o obriga a ceder à vida convencional e ao falso sentido de segurança: porque, em adolescente, se envolveu com Joey, o seu então melhor amigo. David conhece Giovanni, não por estar à procura de alguém, mas porque precisa de dinheiro e o pede a Jacques, um homem de negócios americano, mais velho, cujo preço é entretenimento, companhia, conversa, ou mais, dependendo do grau de desespero. Jacques sente-se atraído por Giovanni, um barman num bar gay de Paris...

Jane Austen

Faz hoje 200 anos que Jane Austen morreu. Li aqui no Diário de Leituras que há, finalmente, uma estátua da autora, bem como uma nota que a comemora. Segundo o Governador do Bank of England : Our banknotes serve as repositories of the country’s collective memory, promoting awareness of the United Kingdom’s glorious history and highlighting the contributions of its greatest citizens. Austen’s novels have a universal appeal and speak as powerfully today as they did when they were first published. Li os seis livros de Jane Austen (sim - são apenas seis, fora os trabalhos pequenos compilados) há vários anos ( props a quem ainda se lembrar das capas azuis da Wordsworth) - cedo soube que era um nome obrigatório, como Dickens ou Shakespeare. Em vida, Jane Austen não vendeu muito - hoje a sua obra está traduzida em mais de 30 línguas, e é uma pena que Austen não tenha vivido para ver o seu sucesso. Há adaptações e mais adaptações e retellings dos seus livros (o meu prefer...

Voltei à Feira do Livro

Em minha defesa, voltei à Feira porque a minha mãe tinha-me pedido que lhe comprasse um livro específico. Começo por dizer que não encontrei o livro que a minha mãe queria: estaria supostamente na tenda dos pequenos editores, que achei giríssima e cujo espaço tive de debater com um cão que abanava a cauda, mas o livro não estava lá. Depois do insucesso, dei uma voltinha rápida tipo missão de reconhecimento no canto que me ficou por ver na ida anterior: o "canto inferior esquerdo", que é como quem diz a parte da Porto Editora/Bertrand, Babel, FNAC, etc, à qual ainda quero voltar em espírito de Hora H, e de despedida de aquisição de livros durante quiçá um ano (até à próxima Feira - gosto de me abrir a excepção de "comprar livros em viagem", mas assim de repente só tenho uma viagem marcada, e alguém conhece autores holandeses que me recomende?). Na Babel, rondei um livro que queria especificamente comprar: o Armários Vazios , da Maria Judite de Carvalh...