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A mostrar mensagens com a etiqueta #lerpoesia

Nadar na Piscina dos Pequenos

Ainda na luta da poesia. (honestamente? Já estive mais longe de desistir) Golgona Anghel chamou-me a atenção quando li o seu poema Vim porque me pagavam, que pertence a um livro com o mesmo nome. Procurei esse livro na Mariposa Azual, na Feira de Poesia de Campo de Ourique, em Março, mas sem sucesso. Estava esgotado, a autora é agora editada por outra editora, etc. Quiçá um dia. Decidi, assim, passar para este título, mais recente, do qual já tinha reunido algumas, boas, opiniões. Golgona Anghel é de origem romena, mas está radicada em Portugal há muitos anos. A sua poesia, tal como muita da que se escreve e se faz actualmente, tem pouca estrutura - ou terá uma estrutura original, talvez. As temáticas são quotidianas, críticas da sociedade, demonstrando uma ironia e um humor fortemente agressivos. Devia escrever coisas mais divertidas, entreter as massas. Evitar, ao menos, cenas tristes, mudar de roupa uma vez por mês. Podia, decerto, afastar-me, sair do ...

Manual de Prestidigitação

Prestidigitação é uma palavra incrível. Tinha curiosidade há muito tempo para conhecer o trabalho do autor; esta obra, em particular, estava na minha mira desde que vi a palavra "prestidigitação" no título de uma música, nos tempos em que eu não sabia que o B Fachada era a pessoa que parava no meio do corredor no edifício de inglês/geografia da faculdade ( esta música , mais de dez anos volvidos, parece-me horrível; na altura, o álbum esteve em alguma rodagem por estes lados...). Este volume é, na verdade, constituído de vários grupos de poemas, e não só aquele que lhe dá o título, sendo possível acompanhar várias das fases da poesia de Cesariny. Talvez por isso, houve momentos dos quais gostei mais do que de outros - infelizmente, logo o primeiro, Burlescas Teóricas e Sentimentais, não me apelou particularmente, na sua linguagem codificada e desmontagem de imaginário popular. Outros poemas, posteriores, como os de Alguns Mitos Maiores Alguns Mitos Menores Proposto...

O Martelo

Cheguei a esta obra sem saber ao que ia. Foi-me indicado O Martelo  como a sequência lógica por ter gostado de Um útero é do tamanho de um punho , de Angélica Freitas ; também me foi dito, pela Gabriela, que estava na Feira do Livro de Poesia e mo recomendou, que a presença da autora, Adelaide Ivánova, no Instagram, era forte. Comprei o livro, segui a autora e dirigi-me a um café, para começar a ler. É poesia - e vocês já saberão a minha relação complicada com o género. O Martelo  é um livro sobre sexualidade feminina e violência (violência sexual incluída), narrado por uma voz feminina anónima. O livro está dividido em duas partes, inspirado, segundo a própria autora, no primeiro Imperador Romano Cristão (Constantino), que estabelecera que a violação e o adultério eram ambos crimes semelhantes, cometidos pela mulher. Sim, precisamente. É um livro violento, é certo, mas é um livro que mostra que a autora não tem receio em se exprimir. E a violência nun...

Antologia Poética de Gabriela Mistral

O primeiro laureado com o Nobel da Literatura na América Latina foi uma mulher. "for her lyric poetry, which inspired by powerful emotions, has made her name a symbol of the idealistic aspirations of the entire Latin American world" Tinha, por tudo isto, curiosidade acerca do trabalho de Gabriela Mistral, que nasceu Lucila Godoy Alcayaga. Mais que isso: diplomata, humanista e foi professora de Pablo Neruda . Segundo percebo, não foi uma figura particularmente popular no seu país, tendo-se afastado com a sua carreira e morrido em New York, onde trabalhava como cônsul. Também foi cônsul em Lisboa, nos anos 40. A sua vida é sem dúvida interessante, em particular a sua carreira; a sua poesia não me tocou. Este volume é uma antologia, e reúne Desolação (Nova Iorque, 1922), Ternura (Madrid, 1924), Tala (Buenos Aires, 1938), Lagar (Santiago do Chile, 1954) e Poema do Chile (Barcelona, 1957). Tem uma introdução da própria autora, intitulada "Como escrevo". ...

Dois Corpos Tombando na Água

Fã incondicional de Alice Vieira em pequena, decidi dar uma chance à sua poesia. Em parte, esta chance deve-se também a este post  da Alexandra ; por outro lado, estava sentada numa poltrona na Biblioteca Municipal de Belém e vislumbrei este livro na estante ao lado, pelo que o retirei imediatamente. Primeiro, a edição: trata-se de uma colecção da Caminho chamada "Frente e Verso", que combina a prosa e poesia de autores que escrevem ambos os géneros. Do lado da prosa, encontra-se Às Dez a Porta Fecha , livro que li na minha infância e que por esse motivo não reli nesta ocasião; mas posso fazê-lo, se vos aprouver, repescando a minha edição da estante. tínhamos então a idade de tudo o que nos acontecia pela primeira vez protegidos pela sobra dos castanheiros de maio e     ainda que por breve tempo     chegámos a acreditar que um dia nos iríamos de novo amar ali exactamente ali entre o rio     as pontes    ...

Um Útero é do Tamanho de um Punho

Livro para o qual estava super entusiasmada. Lembram-se? Já aqui referi várias vezes a minha enorme dificuldade a ler e comentar poesia. Este post  não será a excepção. Angélica Freitas escreve, para este volume, 35 poemas sobre mulheres, tentando definir mulheres, por vezes tentando-se definir a ela própria, no meio de uma visão cultural e identitária, crítica e humorística. Ou seja, não é mais um livro sobre ser mulher, ou condição feminina; é um livro que pega na perspectiva. Pega nos assuntos mais banais, nos maiores clichés, de um novo ponto de vista, sem autodepreciação ou pena de si mesma por ser mulher. queridos pai e mãe tô escrevendo da tailândia é um país fascinante tem até elefante e umas praias bem bacanas mas tô aqui por outras coisas embora adore fazer turismo pai, lembra quando você dizia que eu parecia uma guria e a mãe pedia: deixem disso? pois agora eu virei mulher me operei e virei mulher não precisa me aceitar não pre...

Há Gente em Casa

Quem me conhece, sabe que leio pouca poesia - e que gostei muito do pouco que li de Ondjaki. Assim, abracei esta oportunidade de ler o seu mais recente lançamento, Há Gente em Casa . O meu namorado já leu vários livros do autor, incluindo a sua poesia, dizendo que gosta muito mais da prosa, mas dei total oportunidade a esta obra. as feridas falam dos dias na solidão, e da extensão do percurso. trago esse pouco que é quase nada. arrasto ruídos para anunciar a minha vez. chego como quem está ainda por chegar. Não sei muito sobre poesia - não sei falar sobre poesia. Quantas vezes tenho de dizer isto? Mas as palavras de Ondjaki são bonitas, muito bonitas. É um livro pequeno, com poemas pequenos, de rápida leitura; são poemas de liberdade, mas também de solidão. E da vida. Às vezes há gente em casa - mas estamos sozinhos. 4/5 Podem comprar esta edição  aqui .

Sonnets from the Portuguese

O primeiro livro que li para o #MarçoFeminino - um livro que não tinha, de todo, planeado. Era segunda-feira e, entre trocas de malas para o fim de semana, tinha-me esquecido do Moby Dick . Pior: ia ao médico depois do trabalho. O meu amor, enquanto pessoa incrível que é, emprestou-me este pequeno livro, do qual tinha gostado muito. Comecemos, talvez, pelo título, que fez com que um colega de trabalho me questionasse por que motivo lia coisas sobre portugueses em inglês: Elizabeth Barrett Browning estava inicialmente hesitante quanto à publicação destes poemas, dado o seu cariz bastante pessoal; mas o seu marido, Robert Browning (também ele poeta), insistindo no seu valor literário, sugeriu-lhe que os publicasse na mesma, mas sob algum subterfúgio. Assim, Elizabeth publicou-os como se fossem traduções de sonetos estrangeiros. A razão por trás da escolha de "Portuguese" não é clara, mas estará algo entre a sua admiração por Camões, a alcunha carinhosa que o marido ...