Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Viajante à Luz da Lua

Há livros que são um pouco como um sonho.

Viajante à Luz da Lua, de Antal Szerb, é um clássico da literatura húngara. Tendo um desejo enorme de visitar Budapeste (quiçá 2018), o meu desejo de ler o fruto da literatura local foi grande também. Escrito nos anos 1930, por um autor que viria a morrer no Holocausto, não espelha muito do ambiente político, fora algumas menções a Mussolini - não, este livro vai mais longe.
Imaginem Mihály, um homem húngaro na sua lua de mel a partir de Budapeste para percorrer Itália (aquela outra viagem de sonho).O casamento com Erszi foi precipitado - ela era casada e, no decorrer do seu caso, decidiu largar o marido para casar com Mihály.
É a primeira vez que Mihály visita a Itália, e está fascinado, não pelo que o rodeia, mas pelo glorioso passado que o país representa. Porém, logo no início da lua de mel, vemos um marido com uma crise de identidade, com pressentimentos mórbidos acerca do seu futuro, ainda ligado à sua adolescência. E esta encontra-o, em…
Mensagens recentes

Festival Internacional de Cultura Cascais

Tive de ir a Cascais e aproveitei para dar um saltinho no FIC Cascais.

Para quem não sabe (e eu não serei a melhor pessoa para esclarecer), o Festival Internacional de Cultura, em Cascais, é um evento da LeYa, que conta com a presença de alguns escritores de renome e outros eventos culturais e livrescos. Dia 2 de Setembro, recebeu a Arundhati Roy, que eu não fui ver porque acabei por ir ver o Memorial do Convento encenado no Convento de Mafra (que, já agora, recomendo a quem tiver disponibilidade).
Como passei por Cascais durante a tarde, não creio que houvesse grandes eventos a decorrer - há algumas exposições, no entanto, para quem tiver mais tempo - e passei brevemente na Festa do Livro da FNAC, no Jardim da Parada.

Está engraçado, está bastante pequeno. Descontos de 10% e 20%, nada que se recomende.
Claro que a Déjà Lu é praticamente do outro lado da rua do Jardim da Parada, e claro que lá fui. Já falei da Déjà Lu aqui, e num post mais pormenorizado aqui. Perdi mais tempo do que …

Paris

Que livros levar quando se vai trabalhar alguns meses para fora do país?

O dilema: vou querer visitar livrarias, mas não vou querer comprar livros (não muitos, pelo menos, que prometi a mim mesma evitar as compras até Junho do ano que vem). O ritmo do blog (já de si não o mais activo possível) poderá sofrer com o evento. Em breve descobrimos!
Prometo reviews de livrarias e quiçá bibliotecas: já ando a investigar sítios sem ser ali a clássica Shakespeare and Company, inspirada na livraria da Sylvia Beach. Podem, entretanto, ver as minhas opiniões e fotografias sobre outras tantas:

Livraria Lello (Porto)Dejà Lu (Cascais)Ler Devagar (Lisboa)The Globe (Praga)Minster Gate Bookshop (York) e John Rylands Library (Manchester)
E para lançar um bocadinho o mood, aqui ficam algumas sugestões de livros que se passam em Paris: os que já li e recomendo, e os que ainda me aguardam pela estante.


Paris é uma festa, de Ernest Hemingway, traz-nos memórias e cusquices sobre a Lost Generation, expatriada e…

King Lear

Li este livro com o objectivo de ir ver a encenação no CCB, há dias, emprestado pelo meu amor para esse propósito.

O Rei Lear está velho, e pretende dividir o seu reino pelas suas três filhas. O critério? A resposta a um simples e surreal "o quanto gostam de mim?". Trocar terra por declarações de amor leva a um desencadear de eventos violentos e absurdos, naquela que é uma das tragédias mais conhecidas do autor.

A ideia de dividir o território consoante o quanto as suas filhas declarem gostar dele torna Lear, de certa forma, repulsivo: egoísta, egocêntrico e, como veremos, irritável e precipitado. Goneril, a filha mais velha, lança elogios vãos; Regan segue o mesmo caminho. Cordelia vai pensando em como não sabe o que dizer. Após belas palavras, o pai deliciado, são as filhas mais velhas presenteadas com vastos territórios para governarem com os seus maridos. Sobra Cordelia. Cordelia, a filha mais nova, cuja sinceridade transparente provoca - tal como a lisonja vazia das ir…

a estante transborda

E o chão já acolhe livros, verdade seja dita.


Estes são os mais recentes cá de casa.

Quebrei o ciclo de não-compras ao apoiar O Fantasma No Palácio Dos Engenheiros E Outros Contos Russos, o mais recente projecto da E-Primatur, que reúne vários autores que nunca li. A sua descrição fez com que fosse impossível eu não aderir ao projecto:

Juntando alguns nomes de grande reconhecimento como o prémio Nobel Ivan Bunin, Aleksandr Kuprin, ou Turgenev, com outros nomes grandes da literatura russa que, no entanto não estão suficientemente divulgados fora do universo das letras russas: Aleksrandr Blok, Saltykov-Shchedrin, Nikolai Lesskov, Yuri Tynianov, Wladimir Korolenko Fiodor Sologub ou Arkadii Averchenko.

Desta forma traça-se a evolução do conto russo desde meados do século XIX até aos primórdios do século XX dando a conhecer ao leitor português uma paisagem literária pouco conhecida.

Certo?

De Miguel Miranda, Demasiado mar para tantas dúvidas. Este é o mais recente livro do autor - que eu nunc…

Ruínas

Como mencionado neste post, Ruínas é o livro de estreia do Hugo Lourenço.


Uma memória de infância do Narrador (que não tem nome) traça o início deste livro: o despertar e o cheiro da gasolina, quando, nas longas viagens com os pais, para o Algarve, o pai pára para abastecer o carro.

As memórias são como ruínas, falam-nos de um passado que já partiu e não voltará, mas que foi importante para chegarmos onde chegámos e para sermos quem somos. São o que resta de um tempo que já foi, os seus escombros.
E é partindo desta premissa que o narrador nos revela que algo aconteceu aos seus dois amigos de infância: um faleceu, o outro desapareceu. Não revela imediatamente qual o destino de qual, mas rapidamente nos apresenta Ricardo e Daniel. Se o Ricardo era o "menino bonito da Maria Antónia", a professora da escola primária dos três, por ser bem comportado e inteligente, ao ponto de quererem que ele saltasse um ano na escola, o Daniel era aquele que levava estalos da professora a toda a …