25 maio, 2017

Feira do Livro - o pré-gasto

Falta uma semana para a Feira do Livro.


Podem ler aqui sobre a minha ida à Feira do Livro de 2014, aqui e aqui sobre a Feira de 2015, e aqui e aqui sobre a de 2016.

Gosto da Feira do Livro maioritariamente pelo ambiente. Gosto mais ou menos da confusão (da mesma maneira como abordo festivais de verão: adoro o ambiente, adoro a música - não em todos, é certo -, às vezes fico mal disposta com tanta gente), gosto de andar colina acima, colina abaixo, acho piada haver tanta coisa e tanta gente num evento focado em livros e, por vezes, em sandes de leitão.

Quem se der ao trabalho de ler o post que referi como sendo acerca da Feira do Livro de 2014 vai ver que é sobre um livro que comprei online após uma ida à Feira do Livro, na qual não comprei nada (portanto o post acaba por não ser exactamente sobre o evento em si). Anos antes, ia lá só para passear. Nos dois anos seguintes, no entanto, fui mais do que uma vez e comprei imensa coisa. O que mudou, perguntam vocês?

E o que mudou fui eu. Passei quase dez anos a ler quase exclusivamente autores estrangeiros (maioritariamente anglófonos) e a desconhecer quase por completo o mundo editorial português (dado o relativo atraso quanto à publicação de muitos nomes, que motivou a esta "troca"). Até que me lembrei que ler em português não tem de ser só ler traduções, ler em português não tem de ser só reler aquele Saramago que me aborreceu na escola (lamento se ofendo alguém), ler em português também é ler Jorge Amado e Machado de Assis e tantos outros nomes, não só brasileiros ou portugueses mas também africanos, cujos nomes me diziam algo mas de quem nunca tinha lido nada.

Portanto a Feira do Livro é agora, para mim, tanto o sítio como a altura do ano em que invisto em autores lusófonos.

A Feira do Livro é aquele sítio onde vou num sábado à tarde (ou semelhante) fazer trabalho de prospecção: ver o que me interessa, o preço a que está, fazer nota mental, e perguntar à banca se aderiu à Hora H. A Hora H é excelente para quem não está à procura daquela última novidade, para quem adiou uma compra e vai ver e já a adia há ano e meio, ou para quem recentemente descobriu um clássico/livro editado há já algum tempo. Neste momento, tudo de 2015 para trás é válido. E depois do estudo de campo, é voltar uma ou duas vezes à noite (e dar graças por viver em Lisboa e este ser um plano viável) e concretizar a compra. Este ano a Hora H começa a dia 5. O meu amor costuma aproveitar para fazer crescer a sua colecção de Ondjaki e Pepetela; eu opto mais pelos livros da BIS/Leya e da Clarice Lispector, mas no ano passado a Presença tinha aqueles clássicos tamanho-bolso em promoção.


Entretanto, a Carolina do Holly Reader convidou-me a responder a uma tag criada pela Cláudia, com a temática da Feira do Livro. Eu nunca respondi a uma coisa destas na vida, creio não perceber muito da dinâmica da coisa e não tenho qualquer aptidão para vídeos, portanto ficará em texto:

  • Lisboa - indica um livro que se passe em Lisboa

Esta é difícil, até porque, como disse acima, só recentemente comecei a ler mais lusófonos e portugueses em particular. Estive para responder algo como "o Ramalhete fica ali à Rua das Janelas Verdes" - mas o Tanta Gente, Mariana, da Maria Judite de Carvalho, tem toda uma cena no Rossio, e é dos meus livros preferidos (e é um livro excelente para comprar na Hora H).

  • Sol - indica um livro para ler no verão

Depende! Para quem aproveita o verão para ler um livro mais longo ou complicado (para o qual não tem tempo no resto do ano), recomendo o Gone With the Wind (E tudo o vento levou, em português), que li no verão passado.
Para quem quiser algo mais leve, talvez The Time-Traveler's Wife (A mulher do viajante no tempo).
Para quem não quiser um calhamaço, talvez The Reader (O leitor), de Bernhard Schlink.
E sim, era só um livro - quiçá dedique um post inteiro a esta temática.

  • Farturas - indica um livro doce

Confesso que não percebo ao certo o que se pede com um livro "doce", portanto esta sim é a pergunta mais difícil. Se for um livro "confortável", o Matilda, do Roald Dahl. Se for um romance... não sei. Possivelmente não é o meu tipo de literatura em geral.

  • Eventos - qual o autor que devia ir à Feira do Livro?

Nunca vou a eventos de autores na Feira do Livro, portanto sou a pior pessoa possível para responder a esta pergunta. Mais deprimente ainda, a maioria dos autores que eu gostaria de ver falar já faleceu (e mais, lembro-me das mortes do Jorge Amado, do Garcia Márquez e do Salinger como se fosse ontem).
Elejo talvez o Chuck Palahniuk, por ter feito a minha adolescência valer a pena.

  • Editora - elege as tuas três editoras preferidas

A Penguin, a Vintage e a Wordsworth! Não? Bolas.
Respeito muito o trabalho de muitas editoras em Portugal, mas vou dizer a E-primatur por ser um projecto no qual acredito e confio: uma editora cujo trabalho é centrado no leitor, e no que o público quer ler, e com um catálogo de uma qualidade e raridade tremendas, que me diz muito a nível pessoal.

  • Hora H - indica um livro muito bom com mais de 18 meses

99% dos livros que já li e dos quais falei neste blog, embora não saiba a sua disponibilidade em Portugal nos últimos 18 meses. No entanto, tenho reparado na Feira do Livro da Gare do Oriente que a Bertrand editou a bibliografia do Salinger em 2011-2015, e acho que é de aproveitar.

  • Autores - já pediste autógrafos? Mostra!

Não tenho um único livro assinado por um autor; tenho, no entanto, um livro técnico de sociologia política assinado por um músico, o Efrim Menuck, que escreveu "Musicians are cowards". Conta?

  • Livros - mostra dois livros que compraste nos meses anteriores e ainda não leste

Tenho comprado relativamente pouco nos últimos meses, como poderão ver neste link, e não li realmente muito do que comprei. Dois que comprei na última Feira do Livro e que ainda não li: Laços de Família, de Clarice Lispector, e Mañana en la batalla piensa en mí, do Javier Marías, de quem só tenho ouvido maravilhas.

  • Lista de desejos - revela dois livros que pretendes comprar este ano

Quero comprar mais um da Clarice Lispector - quiçá A Hora da Estrela. Também queria ver se encontrava o Nós matámos o cão tinhoso, do Luís Bernardo Honwana, ou algum do Saramago que se calhar merece melhor consideração minha dez anos volvidos.