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The Crimson Petal and the White

Em Janeiro de 2023 decidi que ia ler mais calhamaços, com jeitinho um por mês, para "atrasar leituras" e colocar as opiniões por aqui em dia. Nenhum dos dois aconteceu, mas foi isso que me motivou, em Janeiro de 2023 (sim), a começar a ler o muy longo  The Crimson Petal and the White , de Michel Faber. A leitura arrastou-se por alguns meses, não tanto pela dimensão do livro (fui lendo outros, entretanto, como saberão se tiverem acompanhado a temporada de 2023 do podcast fora da estante ), mas porque é um livro algo difícil de ler, e também algo difícil de avaliar. Londres, época vitoriana. Começamos por acompanhar William Rackham, herdeiro de uma empresa de perfumes/sabonetes/produtos cheirosos de higiene (que lhe dá rendimento mas também o aborrece), que vive um casamento vitorianamente insatisfatório com Agnes, com quem tem uma filha, Sophie, que ambos ignoram, e que procura sempre, longe do lar, os melhores prazeres. Em Harlots  (série que recomendo imenso), já tinha desco...

Algures na Neve

O primeiro de dois livros natalícios dos quais vou falar bem fora de tempo. A editora tem na sinopse deste livro que Linde Faas tem dezenas de formas de desenhar a neve e, a avaliar por Algures na Neve , será verdade. Logo as páginas que colam com a capa (está a faltar-me o nome técnico, mas sabem ao que me refiro) são belíssimas. Não sei como consegue, mas os vários tons de azul e branco são encantadores sempre, nunca monótonos. Sofia está muitas vezes sozinha, porque o pai está sempre ocupado com "coisas que ela não entende". Isto é difícil no ano todo, é claro, mas talvez custe mais no Natal, quando a pequena Sofia vê que todos os outros estão acompanhados, acarinhados, aconchegados, todas as casas decoradas, excepto a dela, e ela continua sozinha. Por este motivo, como que num sonho, Sofia sai de casa e enfrenta a neve, a intempérie, e parte pela cidade até chegar à floresta, onde, o tempo menos agreste, encontra um alce. Além do alce, surgem outros animais, que ajudam So...

The Following Story

Sabem aquele livro do homem que adormece humano e acorda insecto? Este é um livro sobre um homem que adormece em Amesterdão e acorda em Lisboa. Comprei este livro, aliás, precisamente por essa premissa. Herman Mussert, escritor de livros de viagem sob um pseudónimo, antigo professor de literatura clássica (gregos e latinos), adormece na sua casa e acorda não num quarto qualquer, mas num quarto de hotel; naquele que, vinte anos antes, tinha sido cenário do seu caso com uma mulher casada, Maria Zeinstra, professora de biologia na mesma escola em que Herman trabalhava. Herman não sabe como chegou aqui - não sabe como é que está num país diferente, como é que tem escudos na carteira (o livro é dos anos 90), como é que o pessoal do hotel não estranha a sua presença. Mussert, o escritor Dr. Strabo, o professor "Socrates" (pela sua semelhança com o filósofo), são todos o mesmo homem. O mesmo homem, que não sabe se está morto, se viajou no tempo, se está a alucinar, se há alg...

Vincent

A vida de Van Gogh em novela gráfica! Ou vá, os últimos anos da sua vida. Eu tinha de ter este livro. Adoro o Van Gogh - fui à exposição Van Gogh Alive  na Cordoaria Nacional, fui ver Loving Vincent ao cinema, fui quase a correr à ala Van Gogh no Rijksmuseum e fui mais de uma vez ao d'Orsay de propósito para poder ver a sua obra, planeei uma viagem a Auvers-sur-Oise que acabou por não acontecer. Portanto, em visita ao Van Gogh Museum, sabia que precisava de adquirir este livro. A artista e escritora holandesa Barbara Stok é mais uma de muitos que se inspiram na vida tortuosa de Vincent Van Gogh, e leva-nos numa viagem ao período intenso que o pintor passou em França, não só em Auvers-sur-Oise mas também em Arles, no Sul, sustentado pelo irmão. Ou seja, os últimos anos da sua vida.   Vincent Van Gogh é-nos apresentado como sendo apaixonado pela arte, e sonha em criar uma casa de artistas em Arles, uma casa amarela, para si e para os seus amigos. Vemos a su...

Holanda | roteiro literário

Já será suficientemente sabido que, em viagem, gosto de comprar livros e de visitar livrarias e outros pontos de relevância literária. Gosto de me preparar de antemão: listar autores conhecidos do país em causa, ou até da cidade (caso de Manchester, onde comprei Elizabeth Gaskell ), pesquisar livrarias e locais literários, fazer umas compras. Já tinha achado esta missão algo complicada com Espanha: muitos dos autores que me apelam são da América Latina, mais propriamente, pelo que costumo optar por comprar livros em castelhano , e não necessariamente livros de autores espanhóis. Mas a Holanda foi um caso particularmente complicado. O livro holandês mais conhecido é o Diário de Anne Frank , que já li há muitos anos e confesso não me despertar particular atenção. É muito complicado pesquisar autores holandeses, por algum motivo, e recorri à ajuda do público (no instagram ). Valeu-me a Sílvia , que tem acesso a informação privilegiada, e me passou algumas dicas de autores. ...