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Mensagens

Sinais de Fumo

Conheço o Alex Couto vai para 15 anos, e é com gosto que acompanho a sua obra desde Nova Lisboa , livro que lançou mais ou menos pela mesma altura em que eu fui expulsa da cidade onde nasci e na qual sempre tinha vivido.  Se Nova Lisboa  era uma revolta contra a gentrificação de Lisboa (situação que só tem vindo a piorar), e admitindo que não acompanhei os contos de  Ponta de um Corno , enquanto romance que procura retratar um lugar e uma época,  Sinais de Fumo  parece-me muito mais ambicioso. Conheço mal Setúbal (e guardo más memórias, em retrospectiva), e não conheço de todo o Bairro do Viso, que mais que um local onde se desenrola a narrativa, assume aqui um papel de personagem central. Porém, estou extremamente familiarizada com as dificuldades do período da troika , e conheço bem o suficiente a vida de bairro (apenas não suburbano) - apesar de algumas palavras serem, possivelmente, específicas do Viso, não tive de consultar quase vez nenhuma o glossário do ...

2024 | Junho e Julho

Não é só o blog que ficou parado estes dois meses - também as leituras ficaram. Comprados & Recebidos Excluindo as muitas compras da Feira do Livro, recebi duas caixas La Kube - Trois , de Valérie Perrin (o qual queria ler, mais por ter ideia que a linguagem seria acessível do que pelo hype  em torno da obra da autora) e  Cette nuit qui m'a donné le jour , de Frédéric Perrot (do qual nunca tinha ouvido falar, motivo pelo qual continuo a subscrever a caixa. Fui ao Festival de BD de Beja, do qual vieram o Vol 1 de A Raposa e o Pequeno Tanuki , de Mi Tagawa, que já via como esgotado em todo o lado, e Morro da Favela , de André Diniz. Outras compras, avulso: Os Mauzões Ep. 9 - O Grande Lobo Mau , de Aaron Blabey, e The Wild Robot , de Peter Brown. Lidos Continua a saga de Maio de ter lido muito pouco. Do meu desafio , terminei, em meados de Junho, o meu livro para Maio, aquele que me aguardava há mais tempo na estante: Moab is my Washpot , de Stephen Fry. Depois disso, li...

Sutra do Deserto

Foi através da distribuição online (gratuita, e encorajada) do primeiro volume de  Poesia de Resistência Palestiniana , em Novembro de 2023, que me apercebi da Traça Editora. Sutra do Deserto  é um livro de poesia da autoria do editor da Traça, de pseudónimo cobramor, e apresenta-se como "um poema longo composto como uma peça de free jazz sobre a destruição das zonas silvestres, a gentrificação, a uniformização cultural e o apocalipse capitalista".  De facto, sentimos em Sutra do Deserto  o ritmo variado, as cadências que denotam a liberdade criativa que cede ao improviso, como no  jazz . A musicalidade neste longo poema é forte, assentando em repetições de sons, de tonalidades, aliterações, que ganharia possivelmente muito ao ser lido em voz alta. o verde frio do todo-poderoso omnisciente omnipotente altíssimo capital santificado o vosso nome tempos|mortos|moribundos|doentios|patológicos areais sujos lojas inúteis trabalhos fúteis incham o abdómen do ânim...

Pardalita

"Qual é a distância a que se pode estar de alguém sem dar a entender que não se quer distância nenhuma?" Raquel tem 16 anos e vive numa pequena cidade no Norte de Portugal. Costuma passar o seu tempo com os seus amigos, Luísa e Fred, e tem um namorado, Miguel, com o qual não tem passado tanto tempo. Um dia, Raquel repara na Pardalita, que começa a observar à distância, sem a conhece, até ao dia em que se ligam através do teatro. Gostei muito desta história de auto-descoberta, primeiro amor, de compreender os sentimentos, de descobrir a beleza nas pequenas coisas e encontrar o seu lugar no mundo. Adoro que a Pardalita se chame "Pardalita", tornando-a menos numa personagem ou pessoa e mais num símbolo, num ideal, numa metáfora. Há alguns temas ao longo da narrativa, os verbos irregulares em inglês (irregulares como a vida), gatos perdidos, a crescente consciência social da mãe de Raquel para temas como o meio ambiente e os imigrantes. Na minha ausência reviram os verb...

Feira do Livro de Lisboa 2024

Podem ver aqui a minha wishlist , podem ver na foto o que aconteceu realmente. Ressalva: a pilha acima é doméstica e colectiva, e não única e exclusivamente minha. Anos houve os em que fui várias vezes à Feira do Livro; desde que o Covid chegou, passei a ir uma única vez à Hora H (no ano passado nem sequer o fiz) e talvez duas outras vezes à Feira, focando numa editora grande de cada vez. Este ano, foi a vez da Penguin, como poderão ter compreendido. Aproveitando que o meu respectivo trabalha perto do Marquês de Pombal, consegui adquirir vários livros do dia. Assim, a lista (pela ordem da foto):  - Milhões de Gatos, de Wanda Gág, da Ponto de Fuga  - Desencontros, de Jimmy Liao, da Kalandraka  - Suite Tóquio, de Giovana Madalosso, da Tinta-da-China  - A Minha Vida, de Isadora Duncan, da Sistema Solar  - O que há neste lugar?, de Maria Manuel Pedrosa e Joana Estrela, coordenado pela Planeta Tangerina  - Concerto Barroco, de Alejo Carpentier, da Antígona ...

2024 | Maio

Continuo na melhor das intenções de actualizar este blog e escrever sobre as minhas leituras, eu juro. Comprados & Recebidos Feira do Livro de Lisboa iniciada já em Maio, mas entradas do mês serão relatadas à parte para não andarmos aqui a repetir conteúdo. Assim, em Maio, comprei Delirio , de Laura Restrepo, para o clube de leitura iberoamericano da Biblioteca de Belém, recebi de prenda de anos atrasada Bia Bailarina , de Luciano Lozano (obrigada, Olga!), da La Kube veio Charlotte , de David Foenkinos (que eu tinha em wishlist  há muito, como mencionei neste post  dedicado à La Kube ), e também chegou cá a casa Na Presença da Ausência de Mahmoud Darwich. De álbuns infantis, Gaspar na Noite  de Seng Soun Ratanavanh e Abrigo , de Céline Claire. Da Porto Editora (com muita luta com a distribuidora), chegou Como se faz um romance , de Miguel de Unamuno, ex-libris  de uma das minhas cidades favoritas, aproveitei uma promoção na wook para comprar Dirty Vegan , d...