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L'Étranger

Aujourd'hui, maman est morte. Esta é, no fundo, a minha terceira leitura do livro: primeiro, em 2011, em inglês; já este ano, em português ; e foi agora a vez de ler o livro em francês, na adaptação para nona arte, da autoria de Jacques Ferrandez, livro que comprei em Paris . Da segunda vez que li O Estrangeiro , consegui gostar mais do que da primeira, da intencionalidade da indiferença de Mersault em todos os seus gestos. A história é já conhecida do público (suponho): começa com a morte de Mersault, uma espécie de inconveniência. Quando Marie menciona o casamento, Mersault aceita, porque não lhe faz diferença. Quando o seu patrão lhe sugere uma promoção e um cargo em Paris, ele diz que pode ser, mas não tem importância para ele. Comete um crime sem sentido, sem grande justificação ou motivação. A ideia recorrente é que, para Mersault, nada importa. Até que, sentado no seu julgamento, dá por si condenado à morte. E o pouco tempo que lhe resta, não o quer dedi...

Os Intérpretes

Peguei neste livro ansiosa por conhecer mais literatura nigeriana. Da autoria de Wole Soyinka, prémio Nobel mais conhecido pela sua obra enquanto dramaturgo, Os Intérpretes  foi publicado em 1965, quando a Nigéria era ainda uma Nação independente. Esta obra segue um grupo de jovens, com formação superior e empregos importantes, enquanto estes tentam compreender como viver as suas vidas. Não é um livro "formador da Nação", como muitos livros publicados em torno da independência de uma ex-colónia tendem a ser - mas acompanha os personagens enquanto estes lidam com questões como a família, o casamento, o trabalho, a política, a religião, a morte. Ao longo do livro, Kola, o artista, pinta um quadro de grandes dimensões, uma espécie de panteão que junta imagens cristã e pagãs, no qual retrata os seus amigos e outros personagens. Numa sociedade diferente daquela em que cresceram, os vários personagens procuram interpretar os seus novos papéis, as suas vidas. Infeli...

Vozes de Chernobyl

Dei prioridade a este livro porque decidi que quero ver a série (ainda não vi). Svetlana Alexievich já estava na minha wishlist  há algum tempo, e aproveitei uma promoção na Feira do Livro de Lisboa para adquirir esta obra, que não relata os eventos de Chernobyl, mas sim reúne testemunhos daqueles que foram afectados pelo desastre: liquidadores, viúvas de liquidadores e bombeiros, aqueles que viviam na área e foram evacuados, aqueles que viviam na área e ficaram para trás, crianças nascidas antes e depois do desastre... A autora, jornalista, passou três anos a entrevistar várias pessoas que, de um modo ou de outro, tinham estado envolvidas em Chernobyl. As suas palavras são-nos apresentadas sem cortes, sem comentários por parte de Svetlana. É um livro devastador, mas também repleto de beleza. Através destas entrevistas orais (as "vozes" do título), tanto a pessoas comuns quanto a algumas pessoas que viram novas responsabilidades nas suas áreas (cientistas, políti...

O Estrangeiro

Uma segunda leitura, numa segunda língua. Li este livro originalmente em 2011, aquando do meu mestrado. Li em inglês, porque na altura fazia-me sentido ler livros franceses em inglês. Em 2017, em Paris, adquiri uma adaptação desta obra, em novela gráfica . Quando a minha irmã me ofereceu esta edição, senti que era uma deixa para reler, já este ano. Mersault é um modesto homem trabalhador, que vive em Algiers. O seu dia-a-dia é vivido com indiferença e incapacidade de manifestar quaisquer emoções - e é com essa mesma apatia que recebe a notícia da morte da sua mãe, que vivia num lar há já alguns anos, como aprendemos numa das aberturas de livros mais famosas de sempre. (a par de Lolita, 1984 ou Moby-Dick, por exemplo) Hoje, a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. A partir daí, Mersault, neste curto livro, passa por várias situações: tem de lidar com o chefe, de modo a poder ir ao funeral da sua mãe (pedindo desculpa, alegando não ser sua culpa, num momento de...

2019 | Março

Já vamos em 1/4 do ano. Comprados & Recebidos Começando pelo chocante: recebido da Livros do Brasil, um livro da Colecção Vampiro. Não sou fã da colecção, mas trata-se d' O Mistério do Quarto Amarelo  de Gaston Leroux. E eu adoro o Fantasma da Ópera ... Recebi uma caixa maravilhosa da G. Floy. Conteúdo: Jessica Jones: Sem Limites, de Michael Bendis e Michael Gaydos; Ms. Marvel Vol. 2 Geração Perdida, de G. Willow Wilson; e os Volumes 2 e 3 da série Descender, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen! Na Feira do Livro de Poesia , em Campo de Ourique, decidi regressar a duas editoras que conheci no ano passado, nesta mesma ocasião: Mariposa Azual e Douda Correria. Nesta última, e por recomendação da Gabriela, comprei O Martelo , de Adelaide Ivánova, que li imediatamente. E, em Madrid, na Libreria Mujeres , comprei Nada , de Carmen Laforet. Lidos Rescaldo do terceiro ano de #Marçofeminino: Maria Judite de Carvalho , Barbara Stok , Selma Lagerlöf  (também l...

O Imperador de Portugal

Há muito que queria ler Selma Lagerlöf. Este desejo prende-se muito com o meu encanto pela Suécia, confesso, mais do que por ser a primeira mulher a ter ganhado o Nobel da Literatura; e este volume acabou por vir para minha casa como uma pechincha não planeada da Feira do Livro de Lisboa : estava a 5,00 Euros na Babel, aliado à curiosidade suscitada pelo título. Por que é que uma mulher sueca escreveria sobre um Imperador de Portugal em 1914? Suécia rural, meados do século XIX. O agricultor Jan de Skrolycka não tem grande paixão pela vida, pela esposa Kattrina (com quem casou meio que por conveniência), ou pelo trabalho, e deve-se confessar que não estava particularmente entusiasmado com o nascimento de um primogénito - mas isto muda no dia de chuva em que conhece a sua única filha, a pega ao colo, e sente que ela será especial, porque o seu coração bate mais depressa. Baptizada de Clara Bela (Jan inspirara-se no Sol), a menina faz a vida de Jan e Kattrina valer a pena...

2019 | Fevereiro

Um mês cheio de eventos e novidades. Recebidos & Comprados O mais entusiasmante do mês aconteceu logo no dia 1: conheci a Inês, neta de Urbano Tavares Rodrigues e Maria Judite de Carvalho . Os leitores deste estaminé sabem que eu adoro a obra da avó da Inês, mas talvez não saibam que eu desconhecia a obra do avô (conhecendo apenas de nome). Graças à Inês, fiquei com várias (!) oportunidades de conhecer a obra de Urbano Tavares Rodrigues. É uma generosidade imensa que não consigo agradecer. Melhor que isso: ganhei uma amiga. Da Rita , veio também uma prenda: Marvels , de Alex Ross e Kurt Busiek, e The Road , de Cormac McCarthy. A Carla enviou-me  O Carteiro de Pablo Neruda , de Antonio Skármeta. Conheci a Paula, frequentadora assídua deste burgo, que me deu mais um livro para a minha biblioteca de gatos: Mouschi, o gato de Anne Frank , de José Jorge Letria. Da Sextante Editora, uma novidade: A Guerra dos Mundos , de HG Wells. Da Caminho, veio Os Dois Irmãos ,...