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Mensagens

Circe

Peguei neste livro no seguimento das minhas dificuldades em ler. O livro chegou à minha estante há quase um ano, através de uma caixa do Books That Matter , mas eu já ouvia maravilhas várias sobre o mesmo à data. Tinha curiosidade com o conceito, porque mitologia grega é algo que me desperta bastante interesse. Não foi à toa que utilizei horas várias da minha vida a jogar Zeus  (que, já agora, vou procurar reinstalar no computador, apesar de já estar a tentar, em vão, usar algum tempo livre para estudar italiano). Já li alguns dos clássicos gregos, embora muito poucos; dos latinos, a minha vergonha é maior, mas há lacunas várias que quero colmatar. Há uns anos, como poderão procurar aqui no blog, tive uma fase em que li algumas das peças e obras cruciais do cânone grego, mas faltam-me os épicos de Homero (fora os excertos d' A Odisseia que dei em português no 7º ano, em conjunto com a versão de João de Barros que não me entusiasmou), que quererei ler. Aqui, temos...

Harrow County, 7: As Trevas Aproximam-se

A gémea má está de volta! Quando terminei este livro, adjectivei-o imediatamente de "intenso". Aparentemente, é o adjectivo que ando a dar a demasiadas das minhas leituras e episódios televisivos visionados cá por casa, mas juro que é intenso! As trevas estão de facto a aproximar-se - bem como a família de Emmy, que espreita na sombra. Kammi regressa ao mundo dos vivos (despedimo-nos dela demasiado cedo, não foi?) e traz o seu próprio exército, mas Emmy tem aliados novos, incluindo Bernice, que aprendera alguns truques úteis com Lovey. Chegamos a um clímax em que cada personagem e as suas motivações fazem com que os eventos façam sentido. As motivações de Emmy continuam a ser as correctas, embora a possam levar por caminhos errados; quão longe pode ela ir e continuar a ser considerada boa? Para Bernice, Emmy pode ter chegado a um ponto de não retorno, mas eu não estou, ainda, assim tão convencida; Cullen Bunn acaba por demonstrar, de modo eficaz, como a linha a a...

Uma Abelha na Chuva

Peguei neste pequeno livro para ver se retomava algum ritmo de leitura. É uma belíssima obra, mas não funcionou (ainda). Esta obra curta, de 1953, que retrata um Portugal rural pequenino, situando-se a acção na aldeia de Montouro. A narrativa abre com a demonstração do desencanto que Álvaro Silvestre tem com a pequenez da sua vida, com o casamento com uma mulher que o despreza, com o irmão que vai voltar de África numa altura muito pouco oportuna. Mais que isso: com os pecados que pretende confessar, a troco de uma eventual redenção. O casamento de Álvaro com Maria dos Prazeres tinha sido convencionado, um casamento de interesse: ela, de origens fidalgas, de família falida, ele, pequeno proprietário rural e merceeiro.  Títulos e dinheiro, ambos interessantes, e um casamento enquanto moeda de troca. E quando ela fez dezoito anos, o pai fidalgo, que era Pessoa , Alva e Sancho (...) negociou o casamento da filha com os Silvestres, lavradores e comerciantes: san...

Jessica Jones, Vol. 3: O Regresso do Homem-Púrpura

Já preciso de mais Jessica Jones - comecei a ver a série na Netflix e tudo. Este volume traz-nos a conclusão da segunda série de Jessica Jones por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos. Como o título indica, assistimos ao regresso do Homem-Púrpura, Zebediah Killgrave, que arruinou a vida de Jessica Jones no passado, tendo-a feito desistir da sua breve carreira enquanto super-heroína. Este é o adeus de Bendis à personagem, e à Marvel, pelo que é adequado que haja este confronto final entre Jessica e o Homem-Púrpura. Isto tinha de acontecer. Jessica tenta proteger todos os que lhe são próximos, como Luke Cage, a filha de ambos, Dani, ou a sua melhor amiga Carol Danvers. O confronto entre o Homem-Púrpura e Jessica é mais psicológico que físico, e funciona muito bem. As conversas entre ambos são longas e intensas, com diálogos perfeitos idealizados por Bendis. Apesar da "falta de acção", é extremamente satisfatório ver como Jessica procura cicatrizar as ferid...

sete anos

Dia 14 de Junho (anteontem!!) fez sete anos que escrevo por estes lados. Foi-me sugerido, em jeito de comemoração (e já em 2018...), escrever sobre os meus cinco livros preferidos de sempre, ou o preferido de cada um destes anos. Ambas as propostas são difíceis! Optei pelo segundo desafio. Li, ao longo destes sete anos, e segundo o Goodreads, 457 livros. Fica difícil escolher sete (porque já passou algum tempo desde a altura em que a proposta era escolher cinco). Os anos aqui não são civis, são de Junho-a-Junho. Ora, vamos lá. 2013-2014 La porte étroite , de André Gide . Esta era fácil porque foi a releitura, em francês, de um dos meus livros preferidos de sempre. Rapaz apaixona-se pela prima, ainda crianças, e a prima arruína as chances de felicidade de várias pessoas através da sua devoção religiosa. Menções honrosas: We Have Always Lived in the Castle , de Shirley Jackson , deliciosamente escrito, deliciosamente macabro. Gabriela, Cravo e Canela , de Jorg...

We

Desafio para Junho : um clássico de sci-fi ou fantasia. Ler We não foi só responder ao desafio; foi também o cumprir de uma leitura desejada há mais de dez anos. Quando, há mais de dez anos, li 1984 , estava ainda a tentar compreender qual o cânone dos clássicos (ocidental, claro está) e comecei a pesquisar e a querer descobrir mais livros e leituras. Foi aí que surgiu o nome de Yevgeny Zamyatin, e a obra que inspirara George Orwell (e, segundo este, Aldous Huxley, mas o Huxley nega). Estamos no século XXVI, e não em 1984; há um Estado unificado, o OneState, vedado do "exterior", selvagem, por uma grande muralha verde. Em vez de um Big Brother, há um Benefactor. A ideia é que a liberdade e a felicidade são incompatíveis; é um mundo gerido e ditado por matemática, lógica, tabelas horárias, taylorismo - sem imaginação, emoção ou sonhos (mesmo a dormir - sonhos são sinal de doença mental). Não há individualidade; há supervisão e controlo constantes por parte do Bureau...