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Farda Fardão Camisola de Dormir

Já tinha saudades de ler Jorge Amado.

Já saberão, decerto, que adoro Jorge Amado, que é um autor que há mais de 15 anos que não falha em me dar gozo ler. Comprei este livro na Feira do Livro de 2017, não imensamente planeado, mas com receio de que viesse a esgotar, como esgotou a edição da Dom Quixote d'Os Subterrâneos da Liberdade
Tive já o privilégio de ler alguns livros do autor; este foi o meu oitavo livro, se não estou em erro. E Jorge Amado não perde a magia.
Esta obra é mais política que algumas - se Tieta ou Gabrielasão fundamentalmente sociais, Capitães da Areia, ou Farda Fardão Camisola de Dormir têm uma índole mais política e moral. Mas político não significa aborrecido (ou vejam o meu amor por Afirma Pereira).
Anos 40. Com a morte súbita do poeta romântico Antônio Bruno, poeta da liberdade e do amor, membro da Academia Brasileira de Letras, surgem as eleições para nomear o seu sucessor. Reparemos desde já na data: anos 40, Segunda Guerra Mundial a deflagrar na Europ…

Guadalupe

Livro que me tinha despertado imensa curiosidade quando o vi na Kingpin Books.

O motivo principal era, confesso, a minha leitura de Angélica Freitas há não muito tempo - e querer saber como era o registo "novela gráfica", sabendo já como era o registo poesia. Aqui, o texto é de Angélica, e as imagens de Odyr, seu conterrâneo.
Guadalupe é um livro com personagens únicas, sem dúvida: Elvira, a avó motoqueira; Minerva, o tio transformista; e Guadalupe, que dá o nome à obra, uma rapariga prestes a fazer 30 anos, que trabalha com Minerva numa loja alfarrabista e que só quer fugir da sua vida.
A narrativa passa-se na Cidade do México; Elvira revela à sua neta que quer ser enterrada em Oaxaca, sua terra natal, e que quer que seja alguém chamado Juana a tratar do funeral e da música fúnebre. Com a sua morte inesperada, começa uma "roadtrip fantástica": é Guada quem conduz o camião da livraria, logo, é ela quem pode levar o caixão para cumprir o último desejo da avó, levand…

Um Útero é do Tamanho de um Punho

Livro para o qual estava super entusiasmada. Lembram-se?


Já aqui referi várias vezes a minha enorme dificuldade a ler e comentar poesia. Este post não será a excepção. Angélica Freitas escreve, para este volume, 35 poemas sobre mulheres, tentando definir mulheres, por vezes tentando-se definir a ela própria, no meio de uma visão cultural e identitária, crítica e humorística.
Ou seja, não é mais um livro sobre ser mulher, ou condição feminina; é um livro que pega na perspectiva. Pega nos assuntos mais banais, nos maiores clichés, de um novo ponto de vista, sem autodepreciação ou pena de si mesma por ser mulher.
queridos pai e mãe tô escrevendo da tailândia é um país fascinante tem até elefante e umas praias bem bacanas
mas tô aqui por outras coisas embora adore fazer turismo pai, lembra quando você dizia que eu parecia uma guria e a mãe pedia: deixem disso?
pois agora eu virei mulher me operei e virei mulher não precisa me aceitar não precisa nem me olhar mas agora eu sou mulher
--- mulher depois
É u…

A Hora da Estrela

A dose anual de Clarice.

Este é o último livro da autora, uma novela na qual é relatado um tema ainda actual: a pobreza no Brasil. Rodrigo SM, o misterioso narrador do livro, diz que vai falar de uma outra pessoa, cuja identidade, a início, não é clara, no meio do monólogo errático do narrador - mas finalmente conhecemos Macabéa, a nordestina que procura uma vida melhor na cidade grande.
– E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? – Macabéa. – Maca - o quê? – Bea, foi ela obrigada a completar. – Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.
Rodrigo confessa a sua dificuldade em escrever sobre Macabéa, e é fácil compreender porquê.
Macabéa é uma pessoa... diferente. Rejeitada desde a infância, em Alagoas, onde nascera, órfã desde muito cedo, maltratada pela tia que a criou. Mal Macabéa se tornou maior de idade, a tia procurou ver-se livre dela, e arranjou-lhe um emprego, ainda antes de morrer, no Rio de Janeiro, como dactilógrafa. Macabéa vive num cubículo, numa casa que partilha co…

A Sucessora

O livro que se desconfia que Daphne du Maurier plagiou.


Começo por dizer que li Rebecca há uma boa meia dúzia de anos e achei um muito bom livro (não como adorei My Cousin Rachel), não obstante a narradora tontinha que só sabia dizer coisas como "I'm so glad" e afins. Nunca vi o filme do Hitchcock, porque sei ser diferente numa parte essencial da história e fui adiando, mas lá chegarei.
Ora, há uma enorme polémica porque consta que Daphne du Maurier se baseou nesta obra para escrever RebeccaA Sucessora passa-se no Brasil, nos anos 30, e a sua publicação antecede a de Rebecca por alguns anos, confere. Se formos pegar naquela outra polémica de Max e os felinos vs Life of Pi, o Brasil parece ser um bom lugar para ir buscar inspiração literária. Se formos pegar nos clássicos gregos, percebemos que eles  iam todos buscar inspiração ao mesmo sítio, porque há umas cinco Medeias e Electras diferentes e já Aristóteles dizia que há praí cinco histórias diferentes e tudo deriva …

PASSATEMPO | Como Falar com Raparigas em Festas

Ah, raparigas. Esses seres de outro planeta.

Nunca tinha lido nada de Neil Gaiman. Conheço o nome mais como pertencendo a um autor de fantasia, e como poderão ter já percebido, leio muito pouco (ou quase nada) de fantasia. Este livro, em particular, trata-se de uma adaptação de um dos seus contos em Novela Gráfica, com ilustrações dos irmãos Gabriel Moon e Fábio Bá; conhecia o nome dos dois, mas não conhecia a sua obra, e foi também uma excelente descoberta de um autor que talvez, de outra forma, demoraria muitos mais anos até ler.
(acrescento já agora, desde já, que li o conto original, em inglês, após ler este livro - a adaptação é muito próxima! O conto original encontra-se no livro Fragile Things, uma colectânea de contos de Neil Gaiman - mas encontra-se na net com facilidade)
Anos 70, subúrbios de Londres. A ideia por trás do conto é simples: dois amigos de 15 anos, que estudam num colégio só de rapazes, vão a uma festa. Vic é popular com as raparigas; já Enn não é tão confiante…

O Amor do Soldado

Aquele momento em que dá saudades de ler Jorge Amado.

Já falei deste livro aqui - de como o desconhecia, e de como chegou às minhas mãos.
Ler Jorge Amado é um pouco como voltar a casa. Peguei neste livro no Natal - menos dez dias depois de ter, realmente, voltado a casa, a Portugal, após dois meses a viver fora. Jorge Amado escreveu vários romances, mas apenas uma peça de teatro: O Amor do Soldado. Trata de Castro Alves, poeta brasileiro, figura muito ligada ao movimento abolicionista.
Castro Alves é o soldado desta história. O objecto do seu amor, no entanto, não é certo: se, por um lado, o poeta vivia uma intensa história de amor com a actriz portuguesa de teatro Eugénia Câmara, a verdade é que o seu amor pela liberdade e pela luta anti-esclavagista era forte; os dois amores eram conflituantes.

EUGÉNIA (subitamente revoltada) - Tu és apenas egoísta... Terrivelmente egoísta. Só pensas em ti, em tua luta, em tua obra, em tua poesia. Os demais não importam!
A vida de Castro Alves foi b…

Festa do Livro de Belém

No passado Domingo fui passear ao quintal da casa do Marcelo.

Fui sem intenção alguma de adquirir mais livros; fui pelo espaço, que constava ser lindo (e é!) e por estar a 15 minutos a pé de casa, e porque pessoa que gosta de livros não perde uma oportunidade destas, certo?
Aquilo que mais me surpreendeu foi a fila que estava, e que se formou atrás de mim. Percebi, já mais perto da entrada, que esta se devia ao facto de se ter de passar os pertences num scanner, e de nem toda a gente aparentemente perceber que "tire tudo dos bolsos" significa "tire tudo dos bolsos".

O espaço, esse, é sem dúvida lindíssimo, e faz com que a visita valha imediatamente a pena. Alguém sabe se os jardins também estão abertos para visita, como o museu? Sei que pessoas (como por exemplo, a minha irmã) tiveram oportunidade de ver o dono da casa, mas não tive essa experiência. Passei uma vista de olhos rápida pelas bancas: a Livros Horizonte tinha descontos excelentes, a Compa…

Quincas Borba

O terceiro e quiçá último Machado de Assis do ano, desta feita um romance sobre sanidade, insanidade e um cão. Ao vencedor, as batatas!

Quincas Borba é o filósofo amigo de Memórias Póstumas de Brás Cubas; é também o nome que o filósofo atribuiu ao seu fiel cão. Quincas Borba,  cuja sanidade mental é debatível, agora rico, está no leito da morte; morrendo em casa de Brás Cubas, deixa todos os seus bens a Pedro Rubião, que esperava apenas receber uma lembrancinha. Rubião é seu discípulo, um antigo professor, irmão daquela que teria sido esposa de Quincas Borba, filósofo, caso tivesse sobrevivido. A condição desta fortuna é cuidar para sempre de Quincas Borba, cão.
Rubião não tem o maior amor do mundo ao cão, mas, de certa forma convencido que a alma do filósofo reside no seu homónimo canídeo, decide respeitar a vontade do seu falecido amigo.
E agora Rubião é rico, e com dinheiro vêm os amigos. Muda-se para o Rio de Janeiro, onde é uma presa fácil para todos os que se queiram aproveitar…

Machado de Assis e Cotovia

Para quem ainda não viu o vídeo (partilhei no Facebook), saiu o vídeo da Feira do Livro, que mencionei aqui:

"Memórias Póstumas de Brás Cubas" de Machado de Assis lido por Bárbara Ferreira from Terra Líquida Filmes on Vimeo.


Li um curto capítulo das Memórias Póstumas de Brás Cubas e, em minha defesa, há pelo menos dez anos que não lia nada alto. Foi uma experiência engraçada - sabia perfeitamente que capítulo queria ler.

(dei "Blogger" como ocupação porque achei que já era exposição suficiente)