Avançar para o conteúdo principal

Feira do Livro - o rescaldo

Aqui ficam as últimas compras da Feira do Livro (e, segundo planeio, as últimas compras do próximo ano).


14 de Junho: Fui esta noite com uma lista estrita e decidi que, na Bertrand/Porto Editora, compraria apenas edições que entrassem em Hora H.

Tendo chegado cedo, fiz um pequeno desvio e comecei por comprar O que traz a noite, de Alexandre Costa, na banca onde estava representada a Capital Books, livro que me arrependo de não ter comprado no ano passado, quando foi lançado. O senhor que estava na banca entregou-me o livro num saco, dizendo, "vai aqui num saco do Daniel Silva, mas se calhar não tem nada a ver". Vergonha minha, porque se nunca li Daniel Silva e isso não me apoquenta, o pior é que nunca li Alexandre Costa. E eu conheço o Alexandre. Nunca estive com ele muitas vezes, mas ele apareceu no Largo Camões para me dar os parabéns quando eu fiz anos, em 2012. E conheço o Ricardo, que fez a capa do livro, e não vejo o Ricky há possivelmente cinco anos também. Uma vez almoçámos juntos na cantina do social do IST, quando ele ainda tinha cabelo comprido. E por todos estes motivos devia ter comprado este livro no ano passado, mas comprei-o este ano e estou, honestamente, ansiosa por lhe pegar.

O que aprendi nesta ida: no espaço da Bertrand/Porto Editora, compensa saber quais os livros do dia. A Sandra tinha explicado os significados das cores das etiquetas (etiquetas laranja têm Hora H - a Bertrand/Porto Editora não faz Hora H em todos os livros com mais de 18 meses), e alguns livros do Agualusa que tinha em mente (A Rainha Ginga e o dos Camaleões) tinham etiqueta azul - mas eram algumas vezes livro do dia, incluindo no dia 17. Fiquei a ponderar se voltava, ou se ficavam para o ano. Também compensa comparar preços entre edições, pois A amante holandesa, do Rentes de Carvalho, no tamanho "grande" (normal?) da Quetzal entrava em Hora H, mas a edição de bolso, por ser muito recente, não. No entanto, a edição de bolso ficava ligeiramente mais barata - motivo pelo qual a trouxe.

O meu grande desgosto desta ida à Feira do Livro foi, já agora, não ter conhecido a Sandra.

Portanto, comprei o Rentes de Carvalho em edição 11x17. Também da 11x17 comprei os Contos da Florbela Espanca, edição que tinha debaixo de olho há alguns meses, por a ver com alguma frequência na feira da Gare do Oriente. Trouxe ainda A grande arte, de Rubem Fonseca, pois após uma prévia missão de reconhecimento tinha visto que na Sextante não havia Agosto, que estava na minha lista. Assim, veio uma outra obra do autor, edição de bolso e incluída na Hora H. O meu companheiro agarrou o Mistério da Estrada de Sintra, do Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, e vários heterónimos do Fernando Pessoa, autor de quem, como confessei à Carolina há dias, não gosto.

Tinha planeado algum Aquilino Ribeiro, mas decidi deixar para o ano que vem. Fica sempre algum livro para o ano que vem: no ano passado foi o Nós matámos o Cão-Tinhoso. Já o Manhãs submersas do Vergílio Ferreira não encontrei de todo, mas também tenho ali a Aparição por ler.

Comprei Éramos felizes e não sabíamos, de Pedro Vieira, na Quetzal. Ficou 2,5€, uma pechincha. Decidi comprar porque gostei mesmo muito do Última paragem, Massamá, e o outro livro do autor estava muito mais caro. Já em casa, descobri tratar-se de um conjunto de rubricas do autor num programa que teve no Canal Q.

Na Assírio e Alvim defrontei uma multidão e consegui tirar um Manual de prestidigitação do fundo da prateleira, atrás da restante obra de Cesariny, que só sabia estar ali graças à já referida missão de reconhecimento. Aqui o meu companheiro continuava nos vários Fernandos - a Assírio e Alvim é excelente para esse fim.

Na Livros do Brasil vi que um dos livros do dia era do Eça: As minas de Salomão. O que eu não sabia, e só descobri chegando a casa e adicionando o livro no Goodreads, é que este livro não é da autoria de Eça de Queirós, mas sim traduzido por Eça. É King Solomon's Mines, de H Rider Haggard, um livro que por acaso já queria há algum tempo. Alguém sabe o porquê de venderem este livro com aquela capa, que denota a autoria do Eça?

Ainda deu tempo de parar novamente na Babel e comprar Amarillo, de Juan Diaz Canales e Juanjo Guarnido. Tinha este livro em wishlist há que tempos, e sendo que tem um gato detective a conduzir um carro amarelo na capa, acho que não preciso de explicar o porquê.

Menção também à banca da Livros Horizonte, onde admirámos várias edições de livros para crianças, nomeadamente aquelas sobre a vida de vários pintores. O do Giotto veio connosco (embora não comigo, pelo que foto e opinião do mesmo ficarão para mais tarde), e o do Klimt ficou-me na ideia.



17 de Junho: Queimando os últimos cartuchos, gastando os últimos cêntimos, voltando para comprar os livros do Agualusa, após longa deliberação sobre se me apetecia voltar à Feira do Livro ou se ficavam para o ano, tendo finalmente sido convencida pela Livros Cotovia, ora vejamos adiante.

Primeiras impressões: estavam 43º segundo o meu carro (que, apesar de velho, não mente nisto); a Mesquita e o Parque Eduardo VII nunca me pareceram tão distantes um do outro. Neste espírito, aproveitei que a Pure Leaf oferecia chá gelado - fui provar o chá preto com mentol. Consta que é saudável e que é fit, mas o mais importante é que era bom, estava fresquinho, e bebi-o rapidamente antes que passasse à temperatura de chá normal (coisa que estava a acontecer com a minha garrafa de água). Constatei também que as bancas de jogos este ano não ofereciam cartas Pokémon e fiquei bastante triste com o facto.

Dei a volta pelo lado do Marquês e reparei que os livros do Jorge Sena, na Babel, estavam muito mais baratos que o costume, nomeadamente o Sinais de Fogo (ainda assim, a edição da Livros do Brasil, recentemente lançada, está mais barata, acho) - a uns magníficos 10€ (notem que normalmente custa 30€), e eu segui em frente. Mas quiçá estes últimos dias de feira sejam tipo liquidação para algumas editoras.

Ao entrar no espaço da Bertrand/Porto Editora, que estava à pinha, recebi um saco de pano da WOOK, com um pequeno livrete relativo à marca, e um vale de desconto de 5€, cujas condições ainda não vi mas quiçá aconteça. Dirigi-me logo aos livros de Agualusa, em destaque, e ainda dei uma vista de olhos naquelas caixas das promoções. Havia Ali Smith, Raymond Carver, Dave Eggers e David Sedaris a 3,5€. Tudo autores que eu nunca li e quero - mas, espantem-se! resisti, e trouxe apenas aquilo a que tinha ido. A rapariga que me atendeu na caixa perguntou se eu ia ficar para a sessão de autógrafos e eu disse que não. Ela ficou surpreendida.

Nunca fui a sessões de autógrafos - o que perco? Demasiada gente e, neste caso, demasiado calor? Acham que vale?

Muitas paragens, algumas pausas à sombra de alguma árvore sentada na relva e um Solero de ananás depois, segui para a Livros Cotovia, para participar na iniciativa abaixo, a convite de Rita Saldanha, da Comunicação da editora:


Li, talvez não surpreendentemente, um capítulo do Memórias Póstumas de Brás Cubas (algumas imagens - minhas! - estão já no Facebook da editora). Foi uma experiência engraçada porque, como disse depois da filmagem, não lia alto há tantos anos - não ando na escola há dez anos! Tive de perder imensa vergonha para isto, mas não me arrependo - e até recomendo. Apareçam! Amanhã há mais. Trouxe também comigo, da Cotovia, A paz doméstica, de Teresa Veiga, autora recomendada pelo meu antigo colega de faculdade e futuro autor, Alexandre Couto.

Até para o ano, Feira do Livro!

Comentários

  1. Ahah kudos pela coragem, tive de meter o volume bastante alto mas consegui ouvir :p e óptima t-shirt no vídeo também :p
    Quanto aos livros em si, transmites sempre aquele vontade de ler mais e mais! Espero que consigas cumprir e só compres livros novamente em 2018 :p

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há de aparecer o vídeo final, focado em mim e sem o filho da Rita (da editora) a ouvir-se por cima :p
      Meados de 2018, até! Vamos conseguir :$

      Eliminar
    2. Vamos sim :p a não ser que apareça ganda deal com livros do Sagan :p (o cientista claro mas um dia quando o ciclista publicar hei de querer ler como é óbvio :p)

      Eliminar
    3. E a Françoise Sagan no meio disso? :o

      Eliminar
  2. Ena pá, isto é jogar Feira do Livro num nível muito avançado! Muita técnica ao nível do reconhecimento de promoções e de iniciativas giras (imagino que tenha sido estranho ler em voz alta sentada num banco no meio de um dos corredores 😅 Mas eu costumava ler em voz alta para a minha gata, por isso não posso falar muito também). Quero ver o vídeo final!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Haha e este ano com essa dos livros do dia da Bertrand que não chegam à Hora H aprendi uma regra nova do jogo!
      Quando lias em inglês para treinar? :D A iniciativa da Cotovia foi a Rita que trabalha na editora que me convidou em resposta a um e-mail meu :) foi muito engraçado porque no fim eu fiquei muito "eu não lia alto há dez anos!!". Suponho que o vídeo final surja amanhã ou assim, depois da segunda ronda das filmagens!

      Eliminar
    2. Hahaha, sim :D (como é que te lembras disso??) Bem, mas para enviares o email é porque sabias da iniciativa, houve reconhecimento por detrás :) É informar quando estiver disponível o vídeo!

      Eliminar
    3. Porque fiquei sempre com uma imagem muito fixa tua a ler aos teus animais e confesso que a ideia se reforçou daquela vez que fui a tua casa!

      Ah, mas era uma iniciativa aberta a qualquer leitor :D até no Facebook avisaram :) informo, informo!

      Eliminar
    4. Hahahahaha! Sabes o que é? #filhaúnica 😅 Oh, tudo bem, mas tiveste que seguir a página da editora certa, não tira mérito ao teu nível de pesquisa e reconhecimento. Cá fico à espera 😉

      Eliminar
  3. Este ano não passei por Lisboa durante a feira do livro e por isso fiquei a zeros, embora no último mês tenha mergulhado na wook :-).
    Li O Mistério da Estrada de Sintra e A grande Arte, gostei muito mais destes e são ambos policiais embora muito diferentes um do outro. Agosto está noutro patamar superior, pois é uma ficção policial paralela ao período de suicídio Getúlio Vargas e o final desta ditadura, ficamos assim com um dois em um, pena não o ter encontrado.
    As minas de salomão não são de Eça, é uma tradução de Eça e o nome dele ficou colado à obra em Portugal.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A Wook também tem as suas vantagens, como por exemplo não enfrentar dias com 43º à sombra! :)
      Talvez um dia encontre Agosto - até lá, tenho este para descobrir o autor.
      Pois, percebi isso pouco depois de ter comprado a obra - que era tradução de Eça, e era o livro de H Rider Haggard que até conhecia de nome. Claramente colado e bem! Confiarei nesta tradução, sabendo que estou a ler Rider Haggard.

      Eliminar
    2. O que o Eça fez em relação ao original das Minas de Salomão foi mais reescrever o livro do que propriamente limitar-se a traduzir, daí o ter ficado com o nome tão associado ao dito.

      Eliminar
    3. Obrigada, António - não fazia ideia.

      Eliminar
  4. Olá Bárbara,
    Que excelentes compras! E livros nunca são demais :)
    É tão bom ter livros novos.
    Estou curiosa com todos.
    Beijinhos e boas leituras

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isaura, os meus já começam a ser demais, pelo menos na proporção dos que estão ainda por ler! Mas é verdade, é sempre bom ter algo mais com que me entusiasmar na estante. Boas leituras :)

      Eliminar
  5. Olá Bárbara,
    Tiveste uma FLL bem recheada =)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É verdade Tita! Fui quatro vezes e trouxe imensos e óptimos livros! :)

      Eliminar
  6. Penso que o caso do Eça se deverá ao facto de ser uma tradução um pouco mais livre. Também comprei esse livro num dos dias em que esteve como Livro do Dia. Mais ou menos como o Quixote do Aquilino, cuja tradução é tão livre que parece outro livro.

    Fui tantas vezes à Feira e comprei tantos livros que já precisei de uma estante nova. Este ano foi mesmo a loucura. De tal maneira que nem contei no blogue tudo o que tinha comprado não fossem acabar a internar-me. Adoro a Feira e este ano, com todo o tempo do mundo para vasculhar tudo, foi deliciosa!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, já investiguei e consta que a tradução foi tão particular/livre que a obra ficou mais associada a Eça que a H Rider Haggard. Sempre achei que tradução é uma arte - que, podendo, prefiro evitar -, mas tenho todo um debate interior acerca da liberdade artística na tradução.

      Eu acompanhei :) também preciso de mais estantes! Adorava ter tempo para vasculhar e estudar tudo minuciosamente na Feira. Acho que só não fui internada porque comprar demasiados livros não é patologia conhecida ou oficial :)

      Eliminar

Publicar um comentário