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Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín

Há anos que estava para ler Teresa Veiga.

Há anos - a sério. Por recomendação de um amigo, cujos gostos levo muito a sério.
Não desiludiu, como eu sabia (é claro!) que não ia desiludir. Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín é um pequeno livro com três contos algo longos, vencedor do Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco em 2008 (prémio que a autora já ganhara em 1992). Outros autores que já ganharam este prémio: Maria Isabel Barreno, Maria Judite de Carvalho, José Jorge Letria, Teolinda Gersão, Urbano Tavares Rodrigues, Ondjaki.... Além daquele que lhe dá o título, temos os contos As Parcas, a abrir o livro, e O maldito, Marianina e o feitiço da Rocha da Pena, para terminar.
O conto que dá título à obra passa-se na década de 1920, com um jovem que lê, na biblioteca do avô, as longas memórias em três volumes do Marquês de Bradomín, soldado, político, aventureiro, amante da arte, Don Juan da Espanha das guerras civis carlistas. Inspirado pela história, e querendo saber mai…

Flores ao Telefone + Os Idólatras + Tempo de Mercês

O terceiro volume da Obra Completa de Maria Judite de Carvalho é o primeiro do qual eu não tinha ainda lido nada.

Assim, parti com total desconhecimento para os três conjuntos de contos aqui apresentados (o volume IV está prestes a sair, e é outro do qual não li nada até agora - mas já sei que são crónicas!), tendo apenas como ponto de partida as expectativas extremamente elevadas, dada a qualidade a que a autora já me habituara.
Mais uma vez, estas expectativas não saíram goradas; houve, no entanto, uma enorme surpresa: Os Idólatras. Mas já lá chegarei.
O primeiro conjunto, de 14 contos, inicia, precisamente, com Flores ao telefone, um conto muito curto (sete páginas apenas) sobre uma mulher, Flores, que procura ao telefone três pessoas: uma colega de trabalho, o ex-marido e a suposta melhor amiga. O telefone, que deveria aproximar  e tornar o contacto mais fácil, torna-se aqui no símbolo do distanciamento, da comunicação sem significado. E as pessoas que Flores contacta focam-se na…

A Biblioteca

Bárbara Ferreira vai à biblioteca / requisita um livro intitulado A Biblioteca.

Muita da minha curiosidade prendia-se também com a minha vontade de escapar ao cânone literário mais "comum", em termos de nacionalidades. Ex-Jugoslávia é sem dúvida uma lacuna enorme nas minhas leituras... Peguei, portanto, neste pequeno volume, sem saber ao que ia. Apenas sabia que seriam contos, por o ter tirado dessa prateleira (estou a adorar simplesmente olhar para as prateleiras da biblioteca e tentar perceber onde raio poderá estar o livro que procuro).
Vi este livro frequentemente descrito como "fantasia", mas diria que é um mundo mais de Kafka que  de JK Rowling (das 72 páginas que li em 2001). Zoran Živkovic presenteia-nos com seis contos absurdos sobre bibliotecas e livros, nos quais é constante o questionar sobre o que se está a passar - seja por parte das personagens, seja por parte do leitor. Abre-se o desafio ao leitor para tentar compreender as histórias, mas também ap…

Os Sensos Incomuns

Lendo a segunda das três Marias.


Maria Isabel Barreno será mais conhecida pela sua participação nas Novas Cartas Portuguesas, mas, tal como as outras autoras do livro, tem a sua própria obra. Os Sensos Incomuns estava estupidamente barato na WOOK e comprei-o, no ano passado, por menos de 1€.
Trata-se de um muito curto livro de contos, daqueles a ler facilmente no decorrer de um dia. Aparentemente, em 1993, ano da sua publicação, foi largamente premiado. A meu ver, merecidamente; não sou a melhor pessoa a avaliar contos, dada a sua reduzida dimensão, tudo o que deixam por dizer naquilo que dizem - tenho lido vários livros de contos este ano e cada vez sinto mais essa dificuldade (veja-se tudo o que li em Abril, e a minha leitura seguida de livros de contos, agora, com Lídia Jorge e Maria Isabel Barreno).
O que posso dizer é que gostei, e muito. As amigas terá sido talvez o meu conto preferido - o segundo do livro, pronto para cativar o leitor -, mas muitos outros houve que me prenderam…

Praça de Londres

O meu segundo encontro com Lídia Jorge.

Ou quiçá terceiro - além de O Vale da Paixão, fui a uma conferência que ela deu no Centro de Estudos Judiciários em Junho. Mas não sei se conta.
Nunca lera Lídia Jorge na versão contista; nunca li muito de Lídia Jorge, aliás, só li estes dois, e tenho ali ainda por ler O Belo Adormecido e a Costa dos Murmúrios, que me foi descrito como livro essencial. Mas ainda não lá cheguei.
Praça de Londres é, como nos indica a capa, um conjunto de cinco contos situados. Talvez esta descrição se deva ao facto de todos eles terem uma localização geográfica precisa - seja a Praça de Londres, seja a Rue du Rhône, seja a zona de Entrecampos... Li grande parte deste livro (curto, muito curto) no muito trânsito que apanhei num dia de greve dos professores. É sempre interessante ler sobre Lisboa quando se está num eléctrico, símbolo tão típico da cidade.
Mas adiante.
O meu conto preferido foi Viagem para dois, onde um gato dá à dona o seu instinto; mas não atrás fi…

Contos Exemplares

Regressando a Sophia de Mello Breyner.

Sophia é sempre um regresso, mas nunca o regresso mais ansiado: li, na escola, a sua poesia e o Cavaleiro da Dinamarca; li, por recreação, A Fada Oriana. Se gostei muito do último, o que dei na escola não me disse rigorosamente nada. Assim, com a nomeação desta obra para o Clube dos Clássicos Vivos, perguntei à minha mãe se este livro existia na biblioteca da escola onde ela trabalha.
Estudei naquela escola dois anos e, graças às funções da minha mãe, li os livros daquela biblioteca durante muitos mais. Lembro-me em particular de, no 6º ano, ter demorado cerca de dois meses a devolver um livro da Alice Vieira, que tinha na mochila, mas simplesmente esquecia-me de lá voltar. Também me lembro que, em 2000, era membro tão assíduo da biblioteca que fui escolhida para uma visita de estudo especial ao Amadora BD. Trouxe de lá o Diário de Anne Frank, o primeiro Harry Potter, do qual desisti a meio (nem a meio), e foi lá que descobri Milo Manara.
Mas vo…

A Guerra

Este post tem o seu quê de batota, pois este livro foi lido, por total acaso, na exposição patente no Museu da Presidência da cidadela de Cascais, à qual fui também por acaso.

Admiro imenso o trabalho da Pato Lógico. Conheço, infelizmente (ainda!) mal o trabalho de José Jorge Letria e André Letria, pai e filho, mas admiro imenso aquilo que conheço. Assim, e tendo reconhecido a capa da obra numa visita casual a Cascais (claro que ia à Dejà Lu - mas saí de mãos vazias!), decidi ir ver a exposição.

A guerra toma a forma brutal de todos os medos.
Há poucas coisas que admire mais do que livros infantis que conseguem cativar um adulto. A Guerra faz isto com total mestria: as frases são curtas, simples, mas acertam onde devem; as ilustrações são minuciosas. Em poucas frases e poucas páginas, os autores mostram e dizem o que a guerra, verdadeiramente, é.


A guerra gosta de reinar entre as ruínas.
Estudei Relações Internacionais. Não sou especialista em guerras - hell, não sou especialista em na…

Dez razões para aspirar a ser gato

Comprei este livro maioritariamente pelo título.


Não é mentira - podem confirmar aqui. Maioritariamente, porque foi também a opinião da senhora por trás da banca do Espaço Llansol, dizendo ser um livro maravilhoso, que me convenceu a comprá-lo mesmo.
Valério Romão é um nome que, não me sendo totalmente desconhecido, não me era particularmente familiar. Parti, assim, sem qualquer tipo de preconceito ou ideia pré-formada para a leitura de Dez razões para aspirar a ser gato.
O conteúdo do livro segue, de certa maneira, o prometido no título: são dez contos que nos relatam situações que levam a que dez pessoas diferentes a aspirar ser gatos, também elas por motivos díspares. Sou absolutamente contra conteúdo de blogs que consista em sinopses, mas fica aqui a retirada do site da Mariposa Azual, porque é sublime e sucinta:
"Neste livro é melhor ser gato que ser pobre (Razão 1); melhor do que ser gato-sapato num emprego abaixo de cão (Razão 2); antes gato que rato de biblioteca num curs…

A Mulher que Prendeu a Chuva e outras histórias

Mais contos - desta vez de uma autora portuguesa.


Teolinda Gersão é uma autora que eu "persegui" na Feira do Livro do ano passado, mas não encontrei o livro que pretendia e decidi não trazer nenhum, num qualquer acto de contenção inesperado. Meses mais tarde, encontrei esta edição na Dejà-Lu - e vinha autografada pela autora, e não lhe resisti.
Não sabia, de todo, ao que ia, quando peguei neste livro.
Não chovia há muito tempo e tudo tinha começado a morrer. Até as árvores e os pássaros. As pessoas tropeçavam em pássaros mortos (...) Alguém era culpado pela seca. E depois começaram as vozes, na aldeia, de que a culpada era aquela mulher.

O livro é composto por 14 contos, todos eles curtos, todos eles relatando situações genéricas, banais, quotidianas. São mais que contos - como nos diz o título, são histórias. E talvez sejam histórias, e não contos, pelo elemento mágico. No conto que dá título ao livro, um empresário que cresceu no Brasil vem a Lisboa, em negócios, e no último…

Bichos

A minha primeira vez a ler Miguel Torga.

Miguel Torga é um dos grandes nomes da literatura portuguesa do séc. XX e, como tal, eu nunca o tinha lido. O meu afastamento geral dos autores portugueses é conhecido de quem me conhecer e/ou seguir este blog há algum tempo; é um afastamento que ando a tentar colmatar. O meu companheiro decidiu há uns anos ser o momento para conhecer o autor - e gostou, muito. Eu, ainda assim, andava reticente, pois a minha experiência com contos de autores portugueses não era, até aqui, a melhor - vejam-se as minhas reviews sobre Aldeia Nova ou Jogos de Azar. Portanto, contos de autores (homens) portugueses não eram, até agora, parte das minhas leituras predilectas.
Mas Miguel Torga conquistou-me.

O pé, sem ela querer, foi escavando e arrastando terra... Aos poucos, o seu segredo ia ficando sepultado...

Bichos é um conjunto de contos que versa, precisamente, sobre animais. Aqui, Miguel Torga cria um conjunto de bichos que torna humanos - não antropomorfizando,…

Inéditos Expresso

Entre o atraso típico nos meus posts, e o facto de serem contos (logo, textos de dimensão reduzida), decidi fazer um único post para esta colecção.

Macau Noir, de Clara Ferreira Alves Comecei a colecção por este conto. Foi interessante - deu algumas luzes sobre a cultura macaense, que desconheço; falou-se de pastéis de nata, de casinos, da máfia. Soube, porém, a muito pouco - sinto que podia ser desenvolvido para um texto maior, não sei se um livro, mas uma novella. Fiquei curiosa, queria mais.

O Mal dos Outros, de Bruno Vieira Amaral Tinha muita curiosidade pela obra de Bruno Vieira Amaral. Aliás, tinha muita curiosidade acerca do trabalho de muitos destes autores - nunca tinha lido nenhum dos autores da colecção, acrescente-se. Bruno Vieira Amaral apresenta uma situação algo mundana, uma relação suburbana, o traidor patológico e a mulher que deixa andar, não obstante saber. A ideia de que se calhar tinham um futuro mais promissor pela frente. Não foi particularmente memorável, mas …